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Monday, November 2, 2026

Ida de Flávio aos EUA estende a disputa eleitoral nos grupos de WhatsApp

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Uma semana depois do segundo turno, a eleição ainda não terminou nos grupos de WhatsApp e Telegram. Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, mas a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) não encerrou a disputa por narrativas, que ganhou um novo episódio quando o senador, proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de deixar o país, embarcou para os Estados Unidos.

Apesar da declaração do secretário de Estado, Marco Rubio, afirmando que o governo americano não participou diretamente, ainda há muita discussão sobre quando foi planejada a fuga e quem ajudou o senador a deixar o país.

O presidente Donald Trump, que chamou a eleição de "uma vergonha", disse no sábado (31) que Flávio pode ficar no país o tempo que quiser, mas afirmou não haver planos de encontrá-lo. Washington segue sem cumprimentar Lula.

Entre sexta-feira (30) e domingo (1º), Lula esteve em quase 37% das mensagens que citavam o sobrenome Bolsonaro, de acordo com a Palver, que realiza um monitoramento em tempo real em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram.

Mais de um terço dessas mensagens envolvia os Estados Unidos, e Trump, sozinho, aparecia em 1 de cada 6. Quase um quarto da conversa tratava da saída do senador, e em 73% desses casos o assunto estava atrelado aos americanos de alguma forma. A palavra "fuga" aparece mais que o dobro de vezes que "exílio", dando um pouco do tom de como ocorreram as discussões nos grupos de mensageria.

Entre as mensagens que se posicionaram a favor de Flávio, o argumento central é o de fraude, presente em 12% de tudo que circulou. Ao analisar esse argumento mais detalhadamente, verifica-se que 4 em cada 10 mensagens miram a prorrogação da votação até as 19h, apoiadas num "relatório", com falsas conclusões, atribuído a um ativista pró-Trump segundo o qual Flávio venceria até as 17h. É importante destacar que o TSE publica os microdados que podem ser verificados por qualquer pessoa através do site oficial.

Outra narrativa que ganhou tração foi a de que haveria fraude por conta das seções sem nenhum voto para o senador, que o TSE diz serem 106 entre quase 500 mil. Nos grupos bolsonaristas, prevalece a ideia de que "não é sobre não saber perder, é sobre não aceitar ser roubado". Há, ainda, aqueles que tratam a viagem como resistência, repetindo que "Flávio Bolsonaro é o presidente legítimo".

Nos grupos públicos de mensageria, o tema ganha força principalmente em decorrência da desmobilização da esquerda no pós-eleição e com a concentração da direita nesse tópico, fazendo com que pouco menos de 65% sejam favoráveis à ideia de fraude. Quando há um posicionamento fora da direita, Flávio é tratado como foragido, com apelidos como "galinha voadora", e a saída é tida como um "ato vergonhoso".

Os posicionamentos de outros nomes da direita são trazidos como reforço argumentativo de que a atitude de Flávio não merece atenção. Entre os mais repercutidos estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o pastor Silas Malafaia, que enviou uma mensagem de WhatsApp dizendo que "esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos".

Ainda há expectativa de quais serão as ações dos Estados Unidos e de Donald Trump. Nesta terça (3), ocorrem as eleições para o Congresso americano, e será um importante indicador de como serão os próximos passos dos EUA com relação ao Brasil e à condução da política externa, uma vez que as pesquisas apontam um predomínio democrata.

Até o momento, Trump procurou manter distância de Flávio e não realizar um posicionamento confirmando a vitória de Lula. Essa atitude vacilante mantém viva a esperança bolsonarista de algum tipo de reviravolta, mas serve também para que o discurso de soberania possa ser ativado contra qualquer tipo de investida americana. Fora do "zap", a realidade se impõe e a discussão sobre as reformas tributária e fiscal devem dominar a agenda política das próximas semanas.

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