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Monday, September 21, 2026

Profissionais com habilidades em IA ganham 56% a mais, segundo estudo da PwC

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Uma habilidade que até pouco tempo aparecia principalmente em vagas de tecnologia começa a ganhar espaço em diferentes áreas do mercado de trabalho: saber trabalhar com inteligência artificial. Dados recentes indicam que essa competência também pode estar associada a diferenças de remuneração.

O estudo Global AI Jobs Barometer 2025, da PwC, analisou quase 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes. Segundo o levantamento, profissionais que possuem habilidades relacionadas à IA tiveram, em média, um prêmio salarial de 56% em 2024 em comparação com trabalhadores em funções semelhantes sem essas habilidades.

O número, porém, não significa que aprender uma ferramenta de IA automaticamente resulte em aumento de salário. O levantamento identifica uma associação entre habilidades demandadas nos anúncios e remuneração. O valor também varia conforme cargo, setor, experiência e mercado.

Para quem trabalha, a questão passa a ser como transformar o conhecimento de inteligência artificial em uma competência aplicável ao próprio cargo.

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Onde está o valor da inteligência artificial

Uma das explicações para a diferença salarial está na capacidade de aplicar IA a tarefas que já fazem parte de determinadas profissões.

Um profissional de marketing, por exemplo, pode utilizar modelos de IA para analisar dados, estruturar pesquisas ou criar primeiras versões de conteúdos. Em finanças, a tecnologia pode apoiar análises e organização de informações. Em recursos humanos, pode auxiliar na triagem e na análise de documentos.

A habilidade relevante, portanto, não é apenas saber usar um chatbot. É entender onde a tecnologia pode ser aplicada, como formular uma tarefa, verificar a resposta e incorporar o resultado ao processo de trabalho.

Dados da Lightcast reforçam esse movimento. Uma análise de mais de 1,3 bilhão de anúncios de emprego apontou que vagas que mencionavam habilidades de IA ofereciam, em média, salários 28% maiores, o equivalente a quase US$ 18 mil por ano.

A pesquisa também mostra que a demanda não está restrita à área de tecnologia. Segundo a Lightcast, 51% das vagas relacionadas à IA já estavam fora de tecnologia da informação e ciência da computação em 2025.

A habilidade mais importante pode não ser técnica

A transformação também acontece nas competências exigidas para os cargos existentes.

O estudo da PwC identificou que as habilidades procuradas pelos empregadores estão mudando 66% mais rapidamente nas ocupações mais expostas à IA do que nas menos expostas.

Na prática, isso significa que aprender uma ferramenta específica pode ser menos importante do que desenvolver a capacidade de trabalhar com diferentes sistemas e entender suas limitações.

Algumas competências ganham relevância nesse cenário:

  • Fluência em IA, para entender possibilidades e limitações
  • Análise e interpretação de informações
  • Capacidade de formular problemas
  • Pensamento crítico para verificar resultados
  • Conhecimento do próprio setor
  • Comunicação para transformar análises em decisões

O LinkedIn estima que 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos mudarão até 2030, com a IA como um dos principais catalisadores dessa transformação. A plataforma também identificou a alfabetização em IA entre as competências de crescimento mais rápido em 2025.

Para o profissional, isso muda o foco: em vez de apenas aprender uma ferramenta, o objetivo passa a ser combinar IA com o conhecimento que já possui.

Como transformar IA em alavancagem de carreira

Usar inteligência artificial para economizar alguns minutos em uma tarefa é diferente de utilizá-la para ampliar o tipo de trabalho que um profissional consegue executar.

Um analista pode automatizar uma etapa repetitiva e usar o tempo economizado para interpretar os dados. Um profissional de comunicação pode acelerar pesquisas e dedicar mais tempo à estratégia. Um vendedor pode utilizar IA para organizar informações sobre clientes e preparar abordagens mais personalizadas.

Essa mudança de escopo aparece também em uma pesquisa da Microsoft. No Work Trend Index 2025, 83% dos líderes entrevistados disseram acreditar que a IA permitirá que funcionários assumam trabalhos mais complexos e estratégicos mais cedo na carreira.

A mesma pesquisa mostrou uma diferença na percepção entre líderes e funcionários: 79% dos líderes disseram acreditar que a IA acelerará suas carreiras, contra 67% dos funcionários.

O diferencial, portanto, não está apenas em produzir mais rápido, mas em conseguir usar a tecnologia para assumir problemas mais complexos, ampliar responsabilidades e demonstrar impacto.

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O que aprender para usar IA na carreira

Os dados não indicam uma única habilidade que garanta aumento salarial ou promoção. O que aparece é uma combinação entre conhecimento de IA e domínio da atividade profissional.

Para quem quer começar, uma estratégia possível é mapear as tarefas mais frequentes do próprio trabalho e identificar quais delas envolvem pesquisa, análise, produção de texto, organização de informações ou atividades repetitivas.

Depois, é possível testar ferramentas de IA em tarefas de baixo risco, comparar os resultados com o trabalho tradicional e medir o ganho obtido. O objetivo é construir evidências concretas de impacto, como redução de tempo, melhoria de processos ou capacidade de realizar análises que antes exigiam mais recursos.

A remuneração, por sua vez, depende de diversos fatores. O prêmio identificado pela PwC é uma média observada no mercado global e não representa uma garantia para cada profissional. Ainda assim, os levantamentos mostram que a inteligência artificial já aparece associada a mudanças em salários, habilidades e exigências de contratação.

Para profissionais que querem acompanhar essa transformação, desenvolver fluência em inteligência artificial passa a fazer parte da atualização de carreira, junto ao conhecimento técnico e de negócio específico de cada área.

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