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Sunday, November 1, 2026

Adriane Galisteu sobre descoberta da menopausa: 'Não estava me reconhecendo'

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Apesar de hoje falar abertamente sobre a menopausa, Adriane Galisteu, de 53 anos, enfrentou dificuldades para reconhecer que estava entrando nessa fase da vida. Em entrevista à Quem, a apresentadora relembrou os sintomas que sentiu antes de compreender o que estava acontecendo com seu corpo e contou como o desconhecimento e o tabu em torno do tema a fizeram sofrer em silêncio.

"Foi muito difícil para mim, porque passei pelo climatério [período não reprodutivo da mulher] e perimenopausa sem perceber. Não porque eu não tinha os sintomas ou não percebi os sintomas como menopausa. Senti muita coisa, muitas transformações no meu corpo, no meu jeito, sentia coisas que estavam muito distantes da minha verdade e da minha realidade", afirma.

Acostumada a uma rotina intensa, Galisteu estranhou as mudanças físicas e emocionais que começou a experimentar. "Sempre fui uma mulher muito ativa, bem-humorada, preparada e, de repente, me vi fragilizada, com o meu corpo muito diferente do que eu estava habituada a ver. Comecei a ficar mais cansada, mais triste, mais estressada, a querer mudar muitas coisas da minha vida, até meu perfume", detalha.

As transformações também afetaram sua percepção sobre si mesma. "Comecei a me colocar em xeque, porque não estava me reconhecendo. Tinha dias em que estava me arrastando, tinha uma agenda lotada e só eu sei, em silêncio, como era cumprir aquilo", diz.

"Ficava só imaginando que ia ter que voltar para casa, que eu tinha marido e filho, uma questão maior para lidar, estava vendo a minha vida virar de ponta-cabeça e não estava conseguindo pegar o fio da meada", fala. Adriane é casada com Alexandre Iodice desde 2010, e tem um filho chamado Vittorio.

Filho de Adriane Galisteu abre álbum de viagem em família — Foto: Reprodução/Instagram
Filho de Adriane Galisteu abre álbum de viagem em família — Foto: Reprodução/Instagram

Desconhecimento e vergonha de falar sobre a menopausa

Sem entender a origem do desconforto, Galisteu chegou a atribuir as mudanças ao estresse e ao excesso de trabalho. "Nunca coloquei isso no lugar da menopausa, achei que estava estressada, que era excesso de trabalho, qualquer coisa, que eu estava doente, mas eu não que era menopausa", reflete.

Segundo a apresentadora, o assunto estava tão distante de sua realidade que ela sequer considerava essa possibilidade. “A menopausa estava tão longe do foco. Não se fala dela, por que vou colocar esse lugar se eu não sei nem do que se trata? Eu era absolutamente ignorante nesse assunto". Galisteu afirmou que estava desesperada na época e realizou uma série de exames para investigar as causas daquele desconforto todo.

"Comecei a ficar tão desesperada, fiz exame, estava com a minha saúde em dia e me sentindo extremamente mal. Quando me deu a primeira onda de calor me remeteu à minha mãe, que nunca falou desse assunto, mas tenho memória dela se abanando, com a bochecha bem vermelha", diz.

Para Galisteu, a experiência da mãe exemplifica o silêncio que ainda cerca a menopausa. "Sempre foi tabu para nós mulheres, [minha mãe] passou por ela, por esse ciclo da vida dela em silêncio, assim como muitas ainda hoje passam, e eu estava fazendo parte desse grupo também".

"Quando caí em mim e percebi que o meu problema era a menopausa, a primeira sensação que me deu foi esconder, não contar que estou na menopausa, tenho vergonha de estar nela, não quero estar nela", resgata.

Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram
Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram

"Para mim, qualquer coisa era melhor do que falar que estava na menopausa. [Ia] passar por isso quieta, e tentei. Fiquei uns bons seis meses passando por esses sintomas, escondendo eles de mim e de todo o resto das pessoas", admite.

Para disfarçar a situação, Galisteu associava os sintomas a outros problemas de saúde. "Tinha gente que achava, quando eu estava com fogacho, que estava abaixando minha pressão. Estava com vergonha de falar sobre isso, e, do mesmo jeito que passei por tudo, imagino que tem muitas mulheres que estão exatamente nesse lugar", diz.

O receio também envolvia a forma como seria vista pelas pessoas ao seu redor e pelo mercado de trabalho. "Tinha medo do que meu marido ia pensar, o que o mercado ia achar, como é que agora eu ia ser vista como uma mulher na menopausa? Sou carta fora do baralho? Estou no final da minha história?", levantou os questionamentos que teve na época.

A apresentadora temia que os sintomas comprometessem seus planos e sua disposição para trabalhar. “Tinha tanta coisa para fazer, uma agenda anotada, estou pronta para tanta coisa e a menopausa ia me parar. Se você não trata, ela te para mesmo, porque comecei a ficar tão cansada e estafada que não tinha vontade de fazer as coisas. Até o treino, que faz parte do meu dia a dia, da minha rotina, estava difícil de cumprir".

Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram
Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram

A luz no fim do túnel

Depois de realizar uma série de exames, Galisteu descobriu que estava na menopausa e iniciou um tratamento hormonal. Hoje, mais informada e à vontade para falar sobre o assunto, a apresentadora também passou a abordar o tema publicamente. Ela comanda o mesacast Círculo de Fogo, em parceria com o Grupo Nose, no qual discute a menopausa e questões relacionadas à saúde feminina.

Galisteu conta que ter o conhecimento sobre o tema foi essencial para falar sobre ele ao público. "Eu só comecei a falar dele depois que passei a me tratar e me senti melhor. Quando percebi que podia me reconhecer de novo e fiz o tratamento. Me dispus, abri meu coração e resolvi falar do assunto para a minha família e me aceitar, porque eu não estava me aceitando", diz.

"Resolvi encarar de frente a menopausa, me aceitar, me tratar, me informar, e falei: 'opa, tem luz no fim do túnel, a gente não está sozinha e quero falar sobre esse assunto, porque não vou passar por isso sozinha. Não vou fazer o que lá atrás um monte de mulher fez, que foi não falar e romantizar a terceira idade'", destaca.

A apresentadora também critica a expressão “melhor idade”, que, na avaliação dela, mascara as dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao envelhecer. "Não sei quem inventou 'a melhor idade', é uma merd* que inventou isso, porque não tem nada de melhor idade. Não vou romantizar, mas a gente tem que se informar e tem que entender que tem muita vida na menopausa, que a gente pode ser feliz, sim, na menopausa e começar muitas coisas", reforça.

Hoje, Galisteu encara essa etapa como uma nova forma de viver, que exige adaptação, mas não representa o fim de suas possibilidades. "É um novo momento de viver. É um novo jeito de encarar a vida, mas é um que vai ficar para sempre. Se você não se entender desse jeito, vai passar a segunda metade da sua vida, talvez a mais curta delas, da pior forma possível. Nós, mulheres, já tivemos que lutar tanto para ter nosso lugar ao sol, e a gente ainda está longe de conquistar esse lugar".

Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram
Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram

Adriane Galisteu defende mais espaço para a saúde feminina

Além de compartilhar a própria experiência, a apresentadora tem participado de debates sobre a saúde da mulher. Para ela, embora os encontros e painéis dedicados ao tema tenham ganhado visibilidade, ainda existe uma distância entre a discussão pública e as mudanças efetivas na sociedade.

"Tenho participado muito de painéis femininos, desses eventos que são superlegais, falando não só sobre menopausa, mas falando da vida da mulher, da saúde da mulher de uma maneira geral, [e neles] a gente tem uma falsa sensação de que a gente está superbombando, não está".

Galisteu acredita que a desigualdade de gênero continua limitando o espaço ocupado pelas mulheres, inclusive no mercado de trabalho. "Os homens ainda comandam a sociedade e a gente pode ser maioria no mercado de trabalho, mas não está sentada nas melhores cadeiras. Conquistamos muita coisa, mas está há anos-luz de 'chegar lá'. Precisamos se unir de fato, parar de falar bonito e começar a fazer bonito", diz.

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