Era de ouro da Wellness: como as brasileiras criaram e dominam uma categoria do Mr. Olympia

Eduarda Bezerra e Isa Pereira Nunes, as duas últimas campeãs da Wellness — Foto: Divulgação/Integralmédica
A Wellness foi criada em 2005 pela Federação Fluminense de Fisiculturismo e Fitness (IFBB-Rio), sob a liderança do ex-atleta e presidente da entidade, Gustavo Costa. Durante anos, a categoria existiu apenas no Brasil. Em 2014, foi padronizada e passou a ter reconhecimento internacional, permitindo a participação de atletas de outros países sob os mesmos critérios de avaliação. A divisão entrou no calendário profissional do fisiculturismo em 2020 e, no ano seguinte, passou a fazer parte do Mr. Olympia.

Fisiculturismo feminino: conheça as diferenças e peculiaridades de cada categoria
O próprio nome ajuda a explicar a proposta da divisão. "Wellness", em inglês, pode ser traduzido como "bem-estar". A categoria foi criada para buscar um físico com equilíbrio entre estética, condicionamento e volume muscular, sem os altos níveis de hipertrofia encontrados em outras divisões femininas. O principal diferencial é a predominância de membros inferiores em relação aos superiores, com destaque para glúteos, quadríceps e posteriores de coxa, além de cintura fina e abdômen definido.
— É uma categoria que precisa ter um balanço. Não podemos ter tanto superior. Precisa ter mais inferiores, glúteos e pernas, e aliar essa desproporção do superior com o inferior. Tudo precisa estar padronizado para que fique harmônico. É todo um conjunto. A Wellness vem de um bem-estar, do cabelo à unha do pé. Precisa ter o padrão de beleza feminina: a silhueta é bem fina, um look bem muito bonito, condicionamento no ponto. Não podemos passar do ponto no volume, senão já se enquadra em outra categoria — explicou Eduarda Bezerra em entrevista ao ge.globo.
Pose de costas evidencia glúteos em forma de "gota" das atletas da Wellness — Foto: Reprodução/YouTube
Por ter sido criada no Brasil, a Wellness acabou se aproximando do estereótipo popularmente associado ao biotipo da mulher brasileira, com maior desenvolvimento de glúteos e pernas e curvas musculares mais suaves, sem grande separação entre os músculos. Essa identificação ajudou a impulsionar a presença das brasileiras na divisão desde os primeiros anos e se manteve mesmo depois da expansão internacional da categoria.
Hegemonia brasileira em Las Vegas
Os resultados nas principais competições do esporte reforçam o domínio verde-amarelo. Considerando o Mr. Olympia e o Arnold Classic Ohio, os dois principais eventos do fisiculturismo mundial, as brasileiras conquistaram praticamente todos os títulos da Wellness. No Arnold, a única exceção aconteceu em 2023, quando a canadense Kassandra Gillis foi campeã, com Angela Borges e Rayane Fogal completando o top-3.
Eduarda Bezerra (esq.), Isa Nunes (centro) e Francielle Matos (dir.), as três brasileiras campeãs da Wellness Olympia — Foto: Reprodução/Instagram
No Mr. Olympia, Francielle Mattos, a "Ferrari Humana", venceu as três primeiras edições da categoria, em 2021, 2022 e 2023. Em 2024, Isa Pereira Nunes conquistou o título, antes de ser superada por Eduarda Bezerra em 2025. As três campeãs também já venceram o Arnold Classic Ohio: Isa foi campeã em 2022, Francielle levou o título em 2024 e Eduarda venceu em 2025. Em 2026, Rayane Fogal ampliou a sequência brasileira ao conquistar o Arnold Ohio e o Arnold UK, no Reino Unido.
— A brasileira tem verdadeiramente a cara da categoria. A Wellness é uma categoria brasileira. Então, tudo que a categoria pede, a mulher brasileira tem. É o charme, a beleza, a silhueta, a cintura, o glúteo, o quadríceps, a desenvoltura, a simpatia e o carisma. Tudo o que a mulher brasileira tem é a Wellness — comentou Duda, citando os outros critérios de avaliação dos árbitros.
Considerando as cinco edições de Olympia já realizadas, apenas uma atleta estrangeira terminou entre as três primeiras: a dominicana Elisa Alcantara, terceira colocada em 2023 e 2025. Isa Nunes, além do título conquistado em 2024, foi terceira em 2021 e vice-campeã nas outras três oportunidades. Eduarda também já havia terminado no top-3 em 2024, enquanto Ângela Borges foi vice em 2021 e terceira em 2022.
Eduarda Bezerra com a medalha de campeã do Mr. Olympia 2025 — Foto: Divulgação/Integralmédica
Favoritas nesta edição
A disputa da Wellness no Mr. Olympia 2026 acontece nesta sexta-feira (25). As prévias estão marcadas para as 13h30 (horário de Brasília), enquanto as finais serão realizadas às 22h. Ao todo, 40 atletas estão inscritas na categoria. Deste grupo, 19 representam o Brasil. Outras duas brasileiras, Bruna Seredich e Maria Rita Penteado, competem sob a bandeira dos Estados Unidos por residirem no país. A lista ainda reúne atletas de outros 14 países.
Rayane Fogal na apresentação no Arnold UK — Foto: Divulgação/Arnold UK/Redes sociais
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