Com mais de 60 milhões de votos, Lula tem maior votação da história do país

"Essa eleição virou uma espécie de 3º turno da disputa de 2022", afirma Jairo Nicolau, cientista político e professor do FGV CPDOC. Ele e outros estudiosos consideram que a mobilização marcou a reta final em 2026, ao lado do debate sobre políticas públicas.
"O 2º turno foi marcado por muita campanha negativa, mas também por um início de discussão sobre Bolsa Família, fim das bets e escala 6x1, por exemplo", lembra Mayra Goulart, doutora em ciência política e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da UFRJ.
O marqueteiro e estrategista político Emerson Saraiva chama atenção para o papel de figuras como o deputado federal André Janones (Rede-MG) e o influenciador Pablo Marçal na comunicação das campanhas no 2º turno. "Os candidatos finalmente entenderam que a comunicação com o eleitor precisa ter uma linguagem direta", afirma.
Os especialistas consideram ainda o protagonismo do poder judiciário como uma das peculiaridades desse pleito. "Tivemos uma exposição pública do judiciário nunca antes vista. Muitas vezes, se falou mais sobre os expoentes da Justiça do que sobre os candidatos", afirma Murilo Medeiros, cientista político da UNB.
Os pesquisadores dizem acreditar que a grande votação do derrotado fará com que o candidato eleito comece seu governo já com alto nível de rejeição. Essa situação reduz a margem para possíveis erros.
Já o lado perdedor sai da disputa com força eleitoral, em função da votação expressiva. A manutenção de uma base social mobilizada é outro ativo importante apontado pelos especialistas.
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