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Saturday, October 17, 2026

A privatização da TAP vem com aeroporto na mala?

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Nova edição de Io Venço é com notas de 0 a 20 para os assuntos e protagonistas que marcam a semana. Hoje, nas manhãs "360" de fim de semana, a análise é de Eunice Lourenço e do Henrique Burnay, condução de Luís Soares.

E hoje cruzamos a política interna com a política externa do Conselho Europeu Axel Oval, passando pelas manifestações e também o Volta. Mas começamos, Eunice, com o negócio da semana: a privatização da TAP foi um bom negócio?

Olá, bom dia. Veremos. Ainda há aqui muito por decidir neste negócio e muito até que esperar. O ministro estima, ele espera menos de dois anos de decisão da Direção Geral de Concorrência. Vamos ver como é. E depois ainda há todas as tentativas que o governo anuncia fazer para tornar a privatização a 100%. Mas, por agora, o que me parece é que esta privatização da TAP foi muito bem acolhida. E a privatização da TAP e o novo aeroporto, que acaba por estar relacionado, na entrevista que deu ao Expresso, Pinto Luz assume que o novo aeroporto foi uma condição muito relevante para a Lufthansa, são sinais de como decisões como estas, que vão atravessar governos, que vão atravessar ou que já atravessam mudanças políticas, têm de ter algum consenso nacional, ainda que esse consenso depois não permita a um governo fazer exatamente como quer. Este governo queria privatizar 100%, só consegue acordo do PS e do Chega para privatizar 49. E, portanto, tem de negociar decisões que podem não ser aquelas que o governo do momento quer, mas provavelmente essa negociação garante que sejam decisões mais duradouras no tempo. Eu acho que isto foi uma coisa que, por exemplo, Pedro Nuno Santos não percebeu e um dos seus erros foi achar que podia decidir tudo sozinho, quer as participações na TAP, quer onde é que iria ser e em que sistema iria ser o novo aeroporto. E, portanto, quis trazer aqui este tema mais do que pela bondade ou não do negócio, que por agora parece bom, mas ainda temos aqui vários passos, por aquilo que ele pode e deve representar de conduta, de atitude política que é necessária.

E queres dar a tua nota a quem?

Quero dar a minha nota a Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas. Dou-lhe um 16 pelo negócio, pelo aviso que faz à Avanci sobre o novo aeroporto, mas sobretudo porque na entrevista que deu ao Expresso não embarca no discurso da censura moderna que Luís Montenegro tem, assume culpas internas do próprio governo e defende mais abertura. E acho que depois daquilo que o Pinto Luz disse, só podemos esperar o momento em que finalmente Luís Montenegro passe a responder a perguntas.

Henrique, não sei se queres meter a tua colherada neste tema também.

Bom dia. Quero sempre, quero meter um cadinho. Eu preciso dos aviões pra andar de um lado pro outro. Eu acho que há aqui duas coisas, e pegando um cadinho no que a Eunice estava a dizer, eu acho que há aqui duas coisas que são bastante relevantes. Uma é para o próprio governo Montenegro. Se nos lembrarmos, o primeiro governo Montenegro foi um governo que prometeu muito e inevitavelmente fez pouco, porque durou pouco, porque foi a eleições. Mas foi um governo que quando arrancou, disse que ia fazer uma quantidade de coisas, o aeroporto, a venda da TAP. E depois, era uma coisa que eu muitas vezes dizia era: estamos a demorar a ver essas coisas no segundo governo, estão a demorar. Eu acho que isto funciona a favor do governo bem por esse lado, que é concretizar coisas que se falaram. Preocupa-me que os compradores estejam a confiar que a questão do aeroporto vai ser facilmente resolvida, claramente têm alguma ingenuidade em relação ao país, ou então têm um poder de influência que nunca ninguém teve no país. Vamos lá ver qual das duas é que se aplica. E, portanto, o terceiro ponto é, pegando no que a Eunice disse, que eu espero que haja aqui uma dose de consenso suficiente pra não voltarmos a voltar atrás, porque isso me parece que seria a coisa, o pior sinal que o país poderia dar era adiante aparecer um governo seguinte que resolvia que afinal ia num sentido diferente porque não estava contente. Era bom que não voltássemos a voltar atrás. E, portanto, acompanho a satisfação de Eunice e os parabéns ao ministro, porque acho que geriu bem esta option.

Quanto ao tema que nos trazes, olhando lá pra fora, mas que é um lá pra fora que também nos importa cá dentro, houve o Conselho Europeu nestes últimos dois dias. O que é que sai, o que a Europa tem em mãos neste momento para negociar?

É muito engraçado, enfim, engraçado usando aqui com alguma forma eufemística, olhar pra estes conselhos europeus e perceber que de vez em quando o que está a ser discutido na agenda e na sala e o que está de fato a ser discutido são coisas distintas O Conselho Europeu era sobretudo sobre a Ucrânia, como de costume, sobre os preços da energia e sobre o quadro financeiro, ou seja, o quadro do orçamento da União Europeia para os sete anos que vão de 28 a 34. É supostamente sobre isso que é e aquela vontade que o presidente António Costa tem de chegar ao fim do ano com o acordo feito, sendo que eu acho que se tem cometido um grande erro, que é dizer publicamente que uma das razões para precisar do acordo feito depressa é porque depois vão haver eleições em vários países, nomeadamente em França, porque isso depois vem permitir que a Marine Le Pen venha aqui a Bruxelas dizer que é uma falta de respeito democrático querer negociar o orçamento antes que ela seja eleita. Primeiro, era só o que faltava se estivéssemos à espera todas as eleições, dois, nem ela sequer está eleita, mas só colocá-la nesta equação parece um erro. Mas o ponto interessante é: enquanto estava tudo a olhar pra agenda e os impasses e a ler que estamos demorados na negociação do orçamento, foi negociada uma coisa que não estava propriamente na agenda, que foi um acordo entre a França e a Alemanha, em que basicamente, simplificando muito, acaba com aquela ideia de em 2035 acabar os motores de combustão, permite alguns incentivos a pequenos veículos elétricos, que é o que França produz mais do que nos outros carros elétricos, e permite avançar pra preferência europeia nas políticas industriais. Ou seja, à margem das negociações do orçamento e dessas coisas, França e Alemanha, como outros países, Itália conseguiu uma exceção para o seu financiamento ao impacto do aumento dos custos de energia. Itália e Espanha negociaram sobre as questões de Schengen. À margem daquela negociação que nós achamos verdadeiramente importante, os países estão a tratar da sua vidinha e daquilo que lhes importa e mantêm o orçamento refém. Há aqui uma notícia boa e uma notícia má. A notícia boa é: é pra isso que servem os conselhos europeus, é pra isso que serve a União Europeia ser feita como é, é até pra isso que serve isso ter que ser decidido por unanimidade, é para os países terem válvulas de escape pra poderem gerir os seus interesses. E portanto, nessa medida, a mim não me choca que isto se faça assim. O meu problema é outro, é que no meio disto, para ganharem força nas negociações, os Estados membros andam a falar do orçamento europeu como se estivessem a falar de deitar dinheiro fora e, portanto, a dizer que estão a querer cortar, que não podem continuar a tirar dinheiro fora, etc. E isso desvaloriza a União Europeia. Ora, a União Europeia é importante pra nós, portugueses, mas é importante pra Alemanha também. Como se costuma dizer por aqui, só há países pequenos na União Europeia. Há é dois tipos, os que sabem que são países pequenos e os que não sabem que são. E, portanto, a Alemanha à escala global, a França à escala global, a Itália à escala global, a Polônia à escala global, são países pequenos, não competem com a Rússia, a China, os Estados Unidos, conforme o fator que tivermos a medir, evidentemente, não é no da economia com a Rússia. E, portanto, se os países europeus não percebem isso e não percebem que têm um interesse próprio na construção europeia, estão a dar argumentos aos candidatos que nos seus países contrariam a construção europeia. É esse o erro, é essa parte que a mim me preocupa e, portanto, a nota, que já sei que me vais pedir e já vou longo, a nota é um 10. Ou seja, eu acho que isto ainda é possível, isto ainda se pode fazer bem feito, talvez mesmo até o final do ano. Não acho completamente impossível. E acho que seria um erro se os Estados membros da União Europeia não percebessem que precisam dizer que a construção europeia é uma coisa que é do seu interesse e não um favor que estão a fazer aos pobrezinhos do lado.

É um 10 de expectativa, digamos assim.

Isso.

Eunice, voltando aqui neste pingue-pongue à política mais interna, a semana ficou marcada também pelas manifestações no Porto, com a atuação forte da PSP para desmobilizar o acampamento no Porto. Houve também a reação por parte de Pedro Duarte, como é que acompanhaste todas estas polêmicas e aquilo que se seguiu à atuação da PSP? Eunice? Não sei se perdemos a...

Estou aqui

Agora sim, agora acho que estamos a ouvir. Vamos então, Eunice.

Deixa-me começar por uma espécie de nota de reportagem prévia. Eu estou a entrar em direto neste momento do Observador do Mosteiro da Batalha, onde vim fazer uma formação, um curso livre em que me inscrevi sobre rainhas, princesas e infantas da dinastia de Avis. Eu, se não fosse jornalista, era professora de História, gosto imenso de História. E começou por um enquadramento do século XIV e do início da dinastia de Avis por uma professora a contar como a Europa vivia momentos de grande tensão e contestação popular no pós peste negra. E, portanto, neste momento também vivemos um momento, que não é comparável, obviamente, mas às vezes ajuda-nos as dimensões históricas de percebermos que tudo isto já passou por tanta coisa. Neste momento, estamos num momento de contestação popular em muitos países da Europa, os mais visíveis têm sido França, também a Albânia, a Bélgica e com tudo aquilo que se estava a ver pela Europa, Portugal até com a crise de habitação que tem vindo a viver, parece que demorou um bocadinho a manifestar-se, quer pela habitação, quer pela educação, não vimos grandes manifestações a propósito dos exames Agora que começaram a existir manifestações com o que se está a passar pela Europa, Pedro Duarte cometeu um primeiro erro, que foi não ter percebido muito bem e ter avançado com um discurso que acicou um bocadinho os ânimos e que levou aqueles manifestantes a decidirem permanecer na Praça D. João I. Depois houve a tal carga policial que terá sido excessiva, mas o que eu quero retirar daqui é, sobretudo, que Pedro Duarte terá percebido o erro e ao contrário do que muitos políticos fazem e do que o primeiro-ministro também, de certa maneira, fez, que foi continuar cada um na sua trincheira e avançar quase até para o insulto ao chamar egoístas aos manifestantes. Pedro Duarte percebeu que era preciso arrefecer os ânimos, tentar colocar alguma sensatez e quando volta a falar, quando volta a intervir depois da carga policial, consegue ter um discurso mais sensato e mais ponderado a tentar baixar o tom, sendo que o Porto é a cidade das grandes cidades onde o mercado da habitação começou já há uns meses a dar sinais de abrandamento ou até de algum arrefecimento. Já há alguns meses que os preços no Porto estão a ter descidas, ainda que muito pequenas, mas a dar esse sinal. E portanto, tudo isto para focar aqui, sobretudo, na figura de Pedro Duarte e dar-lhe um 10 por ter percebido que não é cavando mais trincheiras que se resolvem problemas.

Henrique, queres também fazer aqui algum comentário neste tema?

Eu as manifestações em Portugal não estive muito atento porque estava em Bruxelas, mas estava a notar uma coisa precisamente aqui em Bruxelas, que é onde também terá havido várias manifestações, quando chega já não dei muito por elas, mas houve um crime, um homicídio, precisamente na rua onde eu tenho escritório. Isto para mostrar porque é que às vezes o que aparece nas notícias com grande impacto, tem um impacto eleitoral diferente daquilo que não tendo o mesmo impacto mediático e a mesma força das manifestações mobiliza muito mais eleitores. Eu estou aqui a comparar estas manifestações que houve aqui em Bruxelas, cujos ecos não se mantêm, não acontece muita coisa depois, mas este homicídio que houve na rua do meu escritório constrói-se em cima de vários homicídios que têm havido na Bélgica nos últimos anos e que estão normalmente associados ou a gangues de tráfico de droga ou, neste caso, parece poder ser tráfico humano. E isto porque nós às vezes depois acordamos e somos surpreendidos com eleitores que acham que há muita insegurança, que acham que há redes de tráfico e de crime organizado e que isso os está a mobilizar para votar. E nós pensamos: "Mas isso não foi o que deu mais visibilidade, isso não foi a coisa que mais me impressionou. Aquilo que mais me impressionou foram as manifestações dos estudantes." E às vezes há aqui um desalinhamento entre o que nos impressiona e o que nos marca mais e aquilo que vai construindo o sentimento dos eleitores. Eu acho que isso às vezes convém termos atenção a isso. Isto dito, parece-me no caso de Portugal e da habitação é absolutamente evidente que o tema da habitação é fortíssimo e que está a marcar muita gente. Duvido que a maioria das pessoas pense que as soluções são aquelas que os manifestantes do Porto e os que vão estar hoje em Lisboa defendem, mas isso é outra discussão.

Claro. E queres trazer aqui uma traição de Donald Trump. O que é que se passa, Henrique?

Eu acho que vou inaugurar a tabela negativa das notas, porque acho que não era possível ir mais baixo nisto. O que aconteceu, e acho que esta semana estava tudo muito atento, porque o presidente Zelensky foi mais vocal em relação ao presidente dos Estados Unidos, inclusivamente sendo muito inteligente e com uma noção muito clara do espaço mediático e dos momentos cénicos, foi ao Piers Morgan, que tem um programa de televisão do Reino Unido, muito visto nos Estados Unidos, é um homem próximo à direita e até em alguns casos próximo do presidente Trump, e foi lá no fundo queixar-se do presidente Trump e conseguiu que o Piers Morgan, como digo, é muito ouvido nos Estados Unidos e por muita gente que gosta dos MAGA. Acabou com o Piers Morgan a dizer: "O presidente Trump se nos está a ouvir, este é o tipo bom, o outro é que é o tipo mau", uma espécie de coisa básica. E, portanto, ele está a ter sucesso, o Zelensky nestas coisas, mas está a aumentar a voz. Em certa altura aqui em Bruxelas dizia-se que os europeus podiam estar a ficar incomodados, porque se ele força a nota pode partir a corda e nós não queremos que os Estados Unidos um dia digam: "Nós não vos vamos defender, porque nós achamos que no dia em que desaparecer essa dúvida na cabeça do presidente da Rússia, a coisa pode acabar a correr muito mal." E portanto, para os europeus, de facto, isto faz sentido. Só que há uma nota que passou de novo mais discretamente, que é aquele anúncio daquele acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o diesel não é só o que nós vimos. É o que nós vimos, é uma fraude do ponto de vista de resolver o problema dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, por duas razões. Primeiro, porque não vai a tempo do fazer, dois, porque não é assim que se resolve aquele problema. E até um terceiro motivo, o problema não é a Rússia contribuir para os combustíveis nos Estados Unidos É a guerra no Irão que fez a escalada dos preços. A escalada dos preços dos combustíveis que aconteceu por causa da guerra da Ucrânia é uma escalada sentida muito mais pelos europeus. Os Estados Unidos estavam a exportar combustíveis, agora os Estados Unidos ameaçavam não exportar mais porque precisam de ter quantidade suficiente para baixar o preço internamente, portanto não tem nada a ver com a guerra da Ucrânia. O ponto aqui é outro: há um interesse, há um alinhamento de fundo do presidente dos Estados Unidos com a Rússia. Nós sabemos disso, mas aquele acordo foi feito numa sala enquanto na sala ao lado, imaginemos a coisa assim, estavas em Miami a negociar. Porque uma coisa que passou razoavelmente despercebida é que no mesmo dia em que foi anunciado o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o diesel, estavam em Miami delegações da Rússia, da Ucrânia, dos Estados Unidos e da União Europeia à mesa a discutir eventuais caminhos para a paz. Ora, nós já passámos a fase em que os Estados Unidos passaram de aliados da Ucrânia para mediadores. Nós estávamos obviamente a ver que eram os mediadores inclinados para o outro lado, mas quando no meio desta negociação, o presidente dos Estados Unidos, para tentar salvar a sua pele eleitoral, está disponível a financiar a Rússia para continuar a combater a Ucrânia e pelo meio inclusivamente sugere que parte do dinheiro dos ativos russos congelados na Europa deviam passar para os Estados Unidos e tinha que se ter um grau de ingenuidade que nem os senhores da Lufthansa têm em relação ao aeroporto de Lisboa. Tinha que se ter um grau de ingenuidade monumental para achar que o passo seguinte não era os Estados Unidos descongelarem ativos russos para fazerem negociações do seu interesse direto com a Rússia. E portanto, isto é uma traição. Isto é muito pior do que aconteceu na Sala Oval da outra vez. Isto é os Estados Unidos atraírem a Europa, a Ucrânia, a sua história descaradamente e por causa de umas midterms, que aliás é normal terem um mau resultado para o presidente. Isto torna a situação dos europeus em relação aos Estados Unidos verdadeiramente grave. E há outra coisa, e termino aqui que já foi longo, desculpa. Já vou dar a nota, mas há um aviso que os europeus precisam de ter, é que foi dito por um congressista democrata esta semana uma coisa que também não passou necessariamente muito visível, e diz isto como um amigo. Diz: "Atenção aliados, não imaginem que quando o presidente Trump se for embora e houver uma administração democrata, isto muda tudo, porque a dimensão protecionista, a dimensão de responder primeiro aos interesses dos americanos, de ser menos favorável ao comércio internacional, essa agenda toda é de reduzir o empenho americano na defesa da Europa." Essa agenda toda permanece. Aliás, tem graça que diz dita com bons modos, mas vamos mudar. E aqui em Bruxelas o que se diz é: vamos voltar a Biden. Dito com bons modos, com ar simpático, aliado, num sítio certíssimo no caso da Ucrânia, mas não vamos ter uma administração um dia democrata que de repente reverte isto tudo. E portanto, os europeus têm que pensar a sério, independentemente desta administração Trump ser esta coisa terrível que é, a nossa relação com os Estados Unidos está diferente e nós temos que nos reorganizar. Para esta jogada do presidente Trump, não sei se vou inaugurar, nunca ouvi todos, mas vai o meu menos um, porque acho que isto é fora da tabela já.

Menos um, confesso que ainda não me tinha apercebido. Pode já ter acontecido. Eunice, nestes últimos dois, três minutos, já falaste do presidente da Câmara do Porto, queres também trazer aqui a presidente da Câmara de Lisboa, mas por causa de outro tema da polémica do Sistema Volta.

Sim, correndo o risco de me tornar repetitiva, porque já trouxe aqui este tema até também no Vencedor com o Henrique Bornet.

Pois deixa-me só contar uma história no fim.

Sim, se tivermos tempo.

Esta semana não resisto, porque Carlos Moedas foi queixar-se em Bruxelas do Sistema Volta, considerando, já o tinha relacionado com a pobreza, agora relaciona também com o consumo de droga, mas por outro lado não tem tempo para reunir com o presidente da empresa gestora do sistema, com Leonardo Matias, presidente do Conselho de Administração da ESE, que lhe pediu uma reunião, mas a resposta que teve foi que o presidente não tem agenda para essa reunião. Acho lamentável que o presidente da Câmara que se queixa do sistema não consiga reunir com a empresa que, a pedido da ministra, apresentou algumas propostas de mudança e que tudo isto mostra, como aliás tínhamos um texto já nos pressa semana passada com presidentes de juntas de Lisboa a explicar, o que se passa em Lisboa é que o sistema de recolha de lixo, que foi um dos temas preferenciais da campanha autárquica de há um ano, não só não melhorou como em alguns sítios está pior. E isso é que é o grande problema de Lisboa. Não é aquilo que o Volta poderá ter tornado mais visível, que é a pobreza e o consumo de droga. E com isto tudo, para tentar ainda dar tempo à história do Henrique, dou um 14 a Leonardo Matias por ter feito o que eu acho que deve ser feito, que é pedir uma reunião para discutir, e um 14 também a Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, que no mesmo encontro em que esteve Moedas, um encontro do Comitê das Regiões, disse aquilo que é óbvio: ela não tem problemas com o Sistema Volta, porque não é o Sistema Volta que cria pobreza nem dependência de drogas, só os pode, quando muito, tornar visíveis em sítios que têm outros problemas para resolver.

Henrique, consegues contar a história em 20 segundos?

Em 20 segundos. Aeroporto de Lisboa, começo desta semana, estava eu a encaminhar-me para o check-in e de repente vejo uma senhora que imaginei que fosse uma funcionária da limpeza, com um saco enorme cheio de garrafas e que estendia a mão a cada pessoa que passava com uma garrafa na mão a caminho do check-in, não é do check-in, da segurança, onde já não se pode passar com garrafas, estendia a mão para lhes receber as garrafas, juntava umas quantas, quando elas vinham com líquido ia despejar não sei onde e voltava. E eu entretanto estava a fazer uma chamada, portanto estive ali a ver e de repente dei por mim e percebi que a senhora não era nada empregada, nem funcionária de nenhuma empresa de limpezas, era uma mulher inteligente, uma empreendedora, que percebeu que ali há imensa gente que passa com garrafas e que portanto se ela puser aquele arco consegue ir buscar. Portanto, a senhora é uma empreendedora e eu não tenho problema com isso, gosto muito de empreendedores. E não estava a revoltar o lixo, mas tenho um problema de segurança. Eu estava numa chamada durante uma hora e a senhora esteve ali uma hora. A senhora por acaso, eu acho que era uma empreendedora, mas quer dizer que se pode estar uma hora no aeroporto de Lisboa, manifestamente não fazendo parte, parecendo que é uma funcionária da limpeza, e não há uma pessoa da segurança que apareça para resolver o problema. Fiquei confesso um bocadinho mais preocupado e aqui o problema não é o Volta.

Claro. Henrique Bornet, Eunice Lourenço, obrigado por terem vindo. Este é o Vencedor e está de regresso amanhã, depois das 10h30. Bom fim de semana.

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