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Monday, November 2, 2026

Vídeo mostra Fernando Sastre admitir que bebeu antes de dirigir Porsche; confissão reduziu pena em 1 ano e meio

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Ao admitir pela primeira vez que havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir o Porsche que atingiu o carro da vítima em 31 de março de 2024, Sastre obteve uma redução de cerca de um ano e meio na condenação que receberia, que seria de mais de 18 anos.

Confissão reduz pena em 1 ano e meio

Fernando Sastre Filho durante seu interrogatório no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. — Foto: Reprodução

A admissão de que havia ingerido álcool antes de dirigir levou a juíza Melanie Liesenberg a reconhecer parcialmente a atenuante da confissão espontânea após a decisão majoritária dos jurados pela condenação. Sem o benefício, a pena seria de aproximadamente 18 anos, 6 meses e 28 dias de prisão.

Com a redução de 1/12, a condenação foi fixada em 17 anos, 1 mês e 10 dias pelos crimes de homicídio qualificado por perigo comum, na modalidade de dolo eventual, pela morte de Ornaldo, e lesão corporal gravíssima contra Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo de Sastre que ocupava o banco do passageiro do Porsche no momento da colisão.

No interrogatório realizado na quinta-feira (30), segundo e último dia do júri, Sastre abandonou a versão que sustentava desde o acidente que provocou em 31 de março de 2024, de que havia bebido apenas água. E reconheceu que havia consumido bebida alcoólica antes de assumir a direção do carro.

Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo

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Vídeos do julgamento obtidos pela equipe de reportagem mostram o empresário emocionado durante o interrogatório, que durou cerca de uma hora e dez minutos.

No início da fala aos jurados, ele afirmou: "Eu poderia inventar mil desculpas, mas estou aqui entregue a esse plenário, eu acredito na Justiça. Hoje quero dizer a verdade."

Em seguida, fez a admissão que manteve em segredo desde o acidente: "Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica."

O empresário Fernando Sastre, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana. — Foto: Reprodução

Ao detalhar o que consumiu antes de assumir a direção do Porsche, declarou: "Eu bebi dois drinks."

Questionado sobre por que havia escondido essa informação durante a investigação e o processo, respondeu: "Não tem justificativa para isso que eu fiz. Eu me arrependo profundamente de não ter contado a verdade desde o início."

Em outro momento, afirmou: "Eu me desculpo a todos aqueles que eu ofendi por não ter dito a verdade. E que hoje eu quero sim dizer a verdade."

Fernando Sastre Filho confessou ter bebido e dirigido. — Foto: Reprodução

Sastre também pediu desculpas à família do motorista de aplicativo: "Eu imagino toda dor e sofrimento que eles estão sentindo. O seu Ornaldo tinha quase a mesma idade do meu pai. Posso imaginar o que eles estão sentindo e toda a devastação."

A juíza considerou que essas declarações justificaram a aplicação da atenuante da confissão, mas ressaltou que ela foi apenas parcial porque Sastre admitiu ter consumido álcool e provocado a colisão, mas continuou negando ter assumido o risco de matar.

Mudança de versão

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Marcus sofreu ferimentos graves no acidente. Ele perdeu o baço, fraturou cinco costelas e ficou cerca de dez dias internado, parte desse período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital.

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O processo reúne ainda um vídeo gravado por amigos pouco antes da batida. Nas imagens, Fernando aparece conversando com fala considerada pastosa, característica associada à embriaguez (assista acima). No mesmo registro, sua então namorada é ouvida pedindo para que ele não dirigisse o Porsche.

Testemunhas que chegaram ao local logo após a colisão e prestaram depoimento à polícia e ao Tribunal do Júri também relataram que o empresário apresentava sinais de embriaguez. Algumas disseram que ele cambaleava após sair do veículo.

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Imagens de câmeras corporais registraram bombeiros comentando, ainda no local da ocorrência, que o empresário aparentava estar alcoolizado (veja vídeo acima). Mesmo assim, ele foi liberado por policiais militares e não passou pelo teste do bafômetro para confirmar se havia bebido e dirigido.

MP quer aumentar a pena

Promotores Rodolfo Morais e Lucas Schaefer. — Foto: Kleber Tomaz/g1

A batida aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a acusação, Sastre dirigia embriagado e em alta velocidade quando atingiu a traseira do Renault Sandero conduzido por Ornaldo.

A promotora Monique Ratton foi responsável por pedir a prisão preventiva de Sastre durante a fase de investigação, medida posteriormente acolhida pela Justiça.

Preso preventivamente desde 6 de maio de 2024, Sastre já cumpriu cerca de dois anos e cinco meses de prisão, período que será abatido da condenação. Mantida a sentença e desconsiderados eventuais benefícios previstos na legislação, restariam aproximadamente 14 anos e 8 meses de pena, com término estimado, em tese, por volta de 2041.

Namorada foi expulsa do plenário

Giovanna, namorada de Sastre (no detalhe), é expulsa do plenário do júri por juíza por mau comportamento. — Foto: Reprodução

O julgamento também foi marcado por episódios envolvendo a então namorada de Sastre, Giovana Pinheiro Silva.

Segundo o Ministério Público, Giovana foi expulsa do plenário pela juíza após fazer comentários e expressões de deboche durante depoimentos de testemunhas de acusação. A magistrada aplicou multa equivalente a 10 salários mínimos, cerca de R$ 16,4 mil.

O Ministério Público informou ainda que pretende responsabilizá-la por falso testemunho e solicitará a abertura de investigação pela Polícia Civil para apurar eventual prática de fraude processual.

Para os promotores, ela ajudou a sustentar durante a investigação e o processo a versão de que Sastre não havia consumido bebida alcoólica antes do acidente, informação posteriormente desmentida pelo próprio empresário em seu interrogatório.

Defesa vai recorrer

Traseira do Renault Sandero branco ficou destruída após ser atingida pelo Porsche azul — Foto: Rômulo D'Ávila/TV Globo

A defesa de Sastre e de Giovana informou que recorrerá da condenação e que não concordou com a aplicação da multa.

Em nota, o advogado Jonas Marzagão afirmou:

"A defesa de Fernando Sastre informa que recebeu a decisão do Tribunal do Júri com serenidade, mas discorda frontalmente dos fundamentos e do resultado do julgamento. Reafirmamos nosso respeito à instituição do Júri, porém ressaltamos que a decisão contraria as provas dos autos. Informamos que interporemos o recurso cabível para reverter o julgamento perante o Tribunal de Justiça."

Além de Marzagão, atuam na defesa os advogados Eliseu Soares Neto, João Victor Gonçalves e Eugênio Malavasi.

Durante o julgamento, a defesa sustentou que o caso deveria ser desclassificado para homicídio culposo na direção de veículo automotor, hipótese em que não há intenção nem assunção do risco de matar. Se essa tese tivesse sido acolhida, a pena poderia variar de 2 a 4 anos de prisão.

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