PP de Lira paga 56% da campanha ao governo de JHC (PSDB) contra Renan em AL


A campanha ao Governo de Alagoas do candidato João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), está sendo bancada prioritariamente por outros partidos, e não pelo PSDB. JHC aparece empatado, dentro da margem de erro, com Renan Filho (MDB) nas mais recentes pesquisas.
Dos R$ 5,2 milhões que a campanha de JHC recebeu até esta sexta-feira (25), 56% foram repassados pelo diretório nacional do PP, comandado em Alagoas pelo deputado federal e candidato ao Senado Arthur Lira. Os partidos estão juntos na coligação Alagoas Gigante.
Arthur Lira e o senador Renan Calheiros (MDB) —pai do candidato rival de JHC ao governo— têm uma conhecida e acirrada rivalidade no estado e concorrem em chapas opostas em Alagoas. Ambos comandam os dois maiores grupos politicos no estado.
O segundo maior aporte, de R$ 1,5 milhão, foi feito pelo Cidadania —que faz parte da federação partidária com o PSDB. O PSDB de JHC repassou apenas, no último dia 22, R$ 600 mil para a campanha de seu candidato em Alagoas.

Além de JHC, a mulher dele (Marina JHC-PSDB), candidata ao Senado pelo partido, não recebeu recursos do PSDB e está tendo a campanha bancada basicamente pelo Cidadania, que repassou R$ 1,5 milhão. O segundo maior financiador é o seu pai, o empresário mato-grossense Mário Roberto Candia de Figueiredo, que doou R$ 100 mil.
A falta de recursos chama atenção porque os dois candidatos aparecem bem colocados nas pesquisas e têm chances reais de vitória em 4 de outubro.
No caso de JHC, o valor está abaixo de sete dos nove candidatos a governos estaduais do PSDB que receberam recursos do diretório nacional para campanha.
O caso se torna ainda mais curioso quando avaliado que apenas ele e Ciro Gomes, na disputa no Ceará, aparecem com chances reais de vitória no primeiro turno, segundo as pesquisas.
Valores repassados pelo PSDB nacional:
- Marconi Perillo (Goiás) - R$ 10 milhões
- Ciro Gomes (Ceará) - R$ 7,3 milhões
- Vicentinho Júnior (Tocantins) - R$ 4,19 milhões
- Paula Belmonte (Distrito Federal) - R$ 2,18 milhões
- Marcelo Maranata (Rio Grande do Sul) - R$ 2,17 milhões
- Tião Bocalom (Acre) - R$ 1,1 milhão
- JHC (Alagoas) - R$ 600 mil
- Emanuel Cacho (Sergipe) - R$ 165 mil
- Lúcia Santos (Piauí) - R$ 70 mil

Procurado, o diretório nacional do PSDB explicou que os recursos do partido para Alagoas "foram destinados à chapa proporcional do partido por decisão do próprio presidente do diretório estadual" —no caso, o próprio JHC. O diretório estadual confirmou a estratégia.
Acordo de aliança
Segundo apurou o UOL, o repasse do PP foi parte do acordo para aliança de JHC com Lira, que chegou a flertar com uma candidatura ao Senado até a véspera do registro da chapa. Uma das preocupações de JHC à época, para justificar não ser candidato ao governo, era justamente a falta de recursos para competir em todas as frentes em Alagoas contra uma estrutura forte do MDB.
Como forma de melhorar o cenário, Lira acertou a doação para dar força à campanha de JHC, deixando assim o dinheiro do PSDB para bancar campanhas proporcionais.
Ao UOL, Lira diz que os repasses a JHC foram feitos porque, além de estar coligado, o PP tem um fundo partidário maior e conseguiu atender os seus candidatos no estado com o teto permitido. "É natural que a gente, com mais recursos e já no limite dos nossos nomes, atenda a coligação. Tudo de forma legal e transparente", diz.
A diferença de recursos destinados aos partidos é realmente gritante: o PP teve direito a R$ 417 milhões de fundo eleitoral em 2026, quase três vezes mais que os R$ 147 milhões do PSDB.
Além disso, a campanha de Lira recebeu recursos máximos permitidos para disputa ao Senado em Alagoas, com R$ 3,8 milhões de aporte. O mesmo vale para o seu filho, Alvinho Lira (PP), candidato a deputado federal e que recebeu R$ 3,1 milhões do partido. Com isso, eles não podem mais receber dinheiro para campanhas.

A ajuda do PP é fundamental para o PSDB em Alagoas e tem o desafio de atingir o quociente eleitoral para eleger ao menos um deputado federal (são nove vagas em Alagoas). Hoje, nos cálculos dos analistas, o partido aparece com baixa possibilidade de ter um parlamentar eleito e luta para aumentar a votação.
Reportagem
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