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Monday, October 19, 2026

7h. França. Ministro pede a demissão mas Macron recusa

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Notícias às 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Começamos com os protestos contra a crise na habitação, em Lisboa e no Porto. Os manifestantes voltaram a passar a noite acampados, apesar de a PSP ter pedido para desmobilizarem. Os movimentos garantem que estão dispostos a continuar o protesto até ao fim do ano.

A partir da meia-noite e meia, as manifestações são consideradas ilegais, à luz da lei, e por isso, tanto em Lisboa como no Porto, a PSP falou com os manifestantes para apelar a uma desmobilização sem recurso à força. Os manifestantes recusaram, mantiveram o acampamento em Lisboa, no Rossio, e também no Porto, na Praça Dom João I. Avisam mesmo que os protestos podem prolongar-se durante meses. O repórter Carlos Pedro está precisamente no Rossio. Carlos, as tendas continuam no local?

Precisamente, Carla. Ainda são às dezenas as tendas e os manifestantes que continuam aqui na Praça do Rossio, que virou palco, pela segunda noite consecutiva, de uma acampada. Ontem, com a particularidade de terem, como disseste, conversado com as autoridades. Estes manifestantes foram avisados de que a polícia, mais tarde ou mais cedo, terá de fazer cumprir a lei. Por isso, o subintendente Resende Silva apelou a uma mobilização voluntária.

Esta situação não se vai poder manter, porque vai conflituar com outras atividades da própria cidade. Nós vamos ter que atuar. Pode não ser hoje, mas peço-vos isso, porque não é interesse de ninguém que haja esse tipo de atuação.

O pedido das autoridades pela voz do subintendente Resende Silva, que procurou ainda descansar estes jovens. São sobretudo jovens que fazem a parte desta manifestação, desta acampada. Diz o subintendente que a PSP não vai atuar de forma repressiva.

Não vamos reprimir nada. Isso que fique muito claro. Não se trata de reprimir, trata-se de cumprir a lei e nós vamos ter que cumprir a lei. Neste momento, não houve repressão. Vocês já estão acampados e não houve repressão nenhuma. Entendam isso. Não há vontade nenhuma da nossa parte.

Não há vontade de reprimir, não vai haver essa repressão, pela voz do subintendente Resende Silva. Já antes disso, antes sequer do primeiro dia de protestos e de acampamento, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, admitiu que era uma possibilidade a questão das tendas nesta manifestação, mas não todos os dias e em todos os sítios da cidade. O certo é que a noite foi, de facto, calma e a acampada permanece aqui na Praça do Rossio, com tendas e cartazes. Cartazes que variam nos seus apelos, mas são sobretudo dirigidos contra o governo e contra o primeiro-ministro Luís Montenegro. Dizer ainda que a dinâmica para hoje deverá ser muito diferente do que se viu ontem. Nós ontem, à conversa com alguns manifestantes, percebemos que alguns hoje vão ter de abandonar o local momentaneamente para irem ou trabalhar ou estudar, mas depois voltam ao final do dia. Por agora, mantém-se tudo igual na Praça do Rossio. Dar também conta da presença de três elementos, três observadores da Amnistia Internacional aqui esta manhã.

Reportagem direto do Carlos Pedro, no Rossio, em Lisboa, onde os manifestantes chegaram a fazer um cordão humano de forma a proteger as tendas esta noite.

No Porto, a noite foi semelhante. Apesar dos apelos da polícia, os manifestantes decidiram não abandonar a Praça Dom João I e avisam que pensam ficar até ao fim do ano.

Em declarações à Rádio Observador, uma porta-voz dos manifestantes, Maria João Calixto, fala num protesto duro, mas necessário para chamar a atenção para os problemas da habitação.

Nós entregámos o pré-aviso para ficarmos aqui desde o dia 21 de outubro até dia 31 de dezembro de 2026.

E não temem que, em mais de dois meses, este movimento desmobilize um pouco? Acha que consegue manter tanta gente na praça durante este tempo todo?

O nosso objetivo não é ficar aqui até 31 de dezembro. Era conseguir encontrar soluções e haver aqui um entendimento em que não fosse necessário estar aqui até 31 de dezembro. É muito duro estar aqui, é muito duro dormir aqui.

Mas ainda assim, Maria João Calixto diz que o protesto é para continuar. Declarações à jornalista Laura Figueiredo, que tem estado a acompanhar as manifestações pela habitação que decorrem no Porto. O presidente da Câmara Municipal mantém, entretanto, o convite aos manifestantes para um encontro na sede da autarquia. Pedro Duarte voltou ontem a recusar deslocar-se à Praça Dom João I. Diz que espera uma resposta dos manifestantes para um diálogo na Câmara, que diz ter sempre as portas abertas.

O líder do PS recorda que já tem várias propostas para resolver a crise da habitação e que, em breve, vai apresentar ainda outras. José Luís Carneiro entende que se o governo quiser, o próximo orçamento de Estado já pode incluir a garantia pública de segurança no arrendamento habitacional, uma medida defendida pelos socialistas.

E que foi apresentada no mês passado. O líder socialista recorda-a, num artigo assinado hoje no jornal Público. A garantia pública coloca o Estado a pagar ao senhorio, em caso de incumprimento, e a cobrar o Estado depois ao inquilino. Sem clarificar se vai apresentar esta medida durante a discussão do orçamento, José Luís Carneiro entende que o mecanismo podia estar já em vigor no próximo ano, porque serve ao mesmo tempo inquilinos e proprietários. O líder socialista recorda também todas as medidas já enviadas ao governo para resolver o problema da habitação, para dizer que nunca teve uma resposta do primeiro-ministro.

Destaque também para as manifestações em França. O ministro do Interior pediu demissão, mas Emmanuel Macron recusou.

O pedido foi apresentado nas últimas horas por Laurent Núñez. Perante a necessidade de manter o comando contínuo das forças de segurança, o presidente francês recusou. É o que pode ler-se num comunicado do Palácio do Eliseu. Emmanuel Macron pediu também ao ministro do Interior para que implemente o mais rapidamente possível novas formas de ação contra os manifestantes. Pela segunda noite consecutiva, Paris voltou a ser alvo de protestos violentos e de uma nova onda de assaltos. Os manifestantes voltaram a atacar o pequeno comércio, centros comerciais e lojas de luxo. A imprensa francesa fala em saqueadores. Até o início da noite, pelo menos 550 pessoas tinham sido detidas, sendo que as autoridades admitem que o número oficial deve subir nas próximas horas. Ontem à noite, o presidente francês falou ao país. Emmanuel Macron avisou que será implacável com os saqueadores. Garantiu também o apoio total aos comerciantes afetados.

Quero expressar o nosso apoio aos inúmeros comerciantes que sofreram as consequências desta violência e que estão hoje desorientados. Alguns chegaram mesmo a defender as próprias lojas e montras dos ataques dos delinquentes. Quero garantir-lhes que não vão ficar sozinhos perante estas dificuldades. O governo vai dar-lhes respostas e, já amanhã, o primeiro-ministro vai presidir a uma reunião de um gabinete de crise para mobilizar a ajuda o mais rapidamente possível, acompanhar as medidas adotadas e apoiar todos aqueles que estão a atravessar momentos tão difíceis.

O presidente francês numa declaração ao país ontem à noite. Está agora conosco, em directo, Carlos Pereira, que é director do LusoJornal em França. Carlos Pereira, bom dia. A julgar pelo que aconteceu esta noite e também já com o pedido de demissão do ministro do Interior que conhecemos, a declaração de Macron teve muito poucos efeitos práticos.

Sim, o que disse Macron ontem resumiu a situação. Veio falar ao país para dizer o que se estava a passar no país, o que toda a gente já sabia. Dizer que a Justiça ia ser mais célere e ia punir os que estavam a roubar agora. Esse é um discurso que já ninguém espera. A Justiça não é célere, a Justiça não funciona bem e o Estado foi completamente ultrapassado durante este último fim de semana. O que se veio a passar, a violência que aconteceu, mostra que o Estado não estava preparado, a polícia não tinha antecipado esta situação, ou pelo menos antecipou mal, e que ficou surpreendida. De facto, o que aconteceu foi violento e ultrapassou todas as outras manifestações que já aconteceram até aqui.

Sim, e por várias cidades francesas. Esta manhã ficámos a saber que há uma reunião de urgência do governo. Carlos, o que é que pode sair desse encontro?

Ajudar os comerciantes. Se há um balanço dos dois mandatos Macron, é que ele conseguiu aguentar o Covid, ajudando as empresas a ficarem de pé. O que hoje os comerciantes nos dizem, ou o que tenho ouvido esta manhã, é que esperam que ele aqui também faça a mesma coisa. Isto é, há muitos comércios que foram roubados, vandalizados.

Foram saqueados.

Espera-se que o governo agora ajude estas empresas a não fecharem, porque muitas delas têm tendência a fechar.

Estamos a falar aqui de apoios económicos para os lesados das manifestações, mas não há nenhuma forma de conseguir controlar este tipo de protestos tão violentos.

Esse é o problema. E o problema também é que a reivindicação inicial, dos estudantes e do nível de vida, que é difícil, ontem já ninguém falou e hoje de manhã já ninguém fala. Isso passou para um segundo plano e o que ficou nestas manifestações é, de facto, estes atos de violência que já estão a acontecer há vários anos. Isto acontece em fim de manifestações, etc. E aqui viu-se de uma forma muito mais grave, muito mais agressiva, logo no início da própria manifestação. É isso que fica de resultado de uma jornada que devia ser uma jornada de protesto e de pedir mais meios. As escolas necessitam de mais meios, os estudantes estavam a manifestar. O nível de vida é difícil devido ao aumento do combustível, etc. Isso tudo, ontem e hoje, ninguém está a falar.

Não é disso que se fala, de facto. Carlos Pereira, muito obrigada pelo relato de França. O Carlos Pereira é director do LusoJornal, com mais uma noite de violência em várias cidades francesas e também com a notícia desta manhã, o ministro do Interior pediu a demissão, um pedido que foi recusado pelo presidente francês.

São agora 7h10, Carla, que outras notícias marcam esta manhã de segunda-feira?

José Sócrates e Carlos Santos Silva começam hoje a ser julgados por branqueamento de capitais. O antigo primeiro-ministro fala num absurdo. Este julgamento resulta da decisão instrutória da Operação Marquês, em 2021. De acordo com a acusação, os arguidos terão usado contas bancárias de uma sociedade controlada por Carlos Santos Silva, da mulher do empresário e de um turista de José Sócrates, para que entrassem na esfera do antigo primeiro-ministro, verbas com origem ilícita. O ministro das Infraestruturas desafia o PS e os restantes partidos a debaterem a privatização total da TAP, sem dogmatismos ideológicos. Num artigo assinado hoje no Público, Miguel Pinto Luz afirma que a TAP nunca valeu tanto como agora, mas que o futuro da empresa não termina com a venda de 49,9% do capital. O governo volta hoje a reunir-se com as três federações sindicais da administração pública. É a segunda ronda de negociações sobre a atualização geral dos salários dos funcionários para o próximo ano. Os sindicatos pedem um aumento superior ao que está previsto para fazer face às perspectivas de aceleração da taxa de inflação.

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