Conta para crianças ajuda a ensinar a lidar com dinheiro, mas não substitui educação financeira; veja opções
No Dia da Crianças, pais podem aproveitar a data para dar aos filhos o primeiro contato com uma conta bancária. Bancos oferecem produtos para menores de idade com recursos como Pix, cartão de débito, mesada programada e investimentos, mas as condições de uso variam entre as instituições.
As contas costumam ser abertas pelo pai ou pela mãe, pelo aplicativo do banco, e ficam vinculadas ao responsável. Em geral, não há tarifas de abertura ou manutenção. Os pais podem acompanhar saldo e extrato, receber notificações de movimentações e definir limites. As contas também permitem programar mesadas e separar dinheiro para objetivos.
Na maioria dos casos, não há cheque especial nem cartão de crédito, o que limita os gastos ao saldo disponível.
O QUE CADA BANCO OFERECE?
Banco do Brasil - BB Cash
- Quem pode ter? Crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
- Como abrir? Até 15 anos, pelo app, por pai ou mãe correntista. Aos 16 e 17, o responsável inicia o processo e o jovem conclui o cadastro. Também é possível abrir em agência.
- O que a criança pode fazer? Pix, saques, compras com débito, uso de carteiras digitais e recebimento de dinheiro pelo recurso "Pedir Dinheiro".
- Controle dos pais: Consulta ao extrato, mensagens sobre movimentações e controle de acesso em celulares e tablets.
- Mesada: Sim, recorrente ou programada.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito.
- Investimentos: Poupança, Cofrinho BB, fundo BB Cash, previdência privada e ações, conforme as condições do produto.
- Há tarifas? Não.
Bradesco - nextJoy
- Quem pode ter? Crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
- Como abrir? Pelo app Bradesco ou next, por responsável correntista.
- O que a criança pode fazer? Pix, pagamentos de boletos, transferências, saques, recargas de celular e compra de cartões-presente.
- Diferencial: Temas da Disney, missões, desafios e trilhas de educação financeira por faixa etária.
- Controle dos pais: Consulta a saldo e extrato, notificações e acompanhamento de gastos em tempo real.
- Mesada: Sim, recorrente.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito.
- Investimentos: Nenhum, por enquanto.
- Há tarifas? Não.
C6 Bank - C6 Yellow
- Quem pode ter? Crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
- Como abrir? Pelo app, por responsável que seja correntista.
- O que a criança pode fazer? Pix, saques na rede Banco24Horas e compras com débito.
- Controle dos pais: Extrato, notificações a cada movimentação e limites diários para Pix.
- Mesada: Sim, mensal, com valor definido pelo responsável.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito, sem cheque especial.
- Investimentos: CDB Liquidez Diária Yellow, que permite separar dinheiro para objetivos. O menor pode aplicar sem autorização prévia; os pais recebem avisos sobre aportes e resgates.
- Há tarifas? Não.
Itaú - Conta Filhos
- Quem pode ter? Filhos de clientes Itaú Personnalité, de 8 a 17 anos.
- Como abrir? O responsável inicia pelo app Personnalité, e o jovem conclui no próprio celular, com biometria e documentos. A análise leva até um dia útil; o adolescente precisa de celular e email próprios.
- O que a criança pode fazer? Pix, transferências, saques, recargas de celular e uso de Cofrinhos.
- Controle dos pais: Acompanhamento em tempo real, notificações e ajuste de limites.
- Mesada: Sim, programada.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito físico e virtual.
- Investimentos: Cofrinhos com rendimento de 100% do CDI e liquidez diária.
- Há tarifas? Conta gratuita. Aos 18 anos, o cliente passa para a conta Personnalité, gratuita até os 25 anos.
Santander - Conta para Menores
- Quem pode ter? Crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
- Como abrir? Pelo app Santander de pai ou mãe correntista.
- O que a criança pode fazer? Pix, transferências, pagamentos por aproximação e uso de carteiras digitais.
- Controle dos pais: Consulta a saldo e extrato, notificações em tempo real, definição de limites e bloqueio do app ou cartão.
- Diferencial: Cartão de crédito adicional a partir dos 8 anos. Jovens de 16 e 17 anos têm acesso a cursos da Open Academy e à plataforma Universia, voltada à inserção profissional.
- Tem cartão? Sim, de débito.
- Investimentos: "Minhas Reservas", para objetivos, e poupança. O saldo rende automaticamente.
- Há tarifas? Não.
XP - Conta Menor
- Quem pode ter? Menores de 18 anos.
- Como abrir? Pelo app, por meio do responsável legal. O vínculo termina aos 18 anos ou com a emancipação.
- O que a criança pode fazer? Pix, pagamentos e uso de cartão de débito digital.
- Controle dos pais: Consulta a saldo, extrato e movimentações.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito digital.
- Investimentos: Renda fixa e ações negociadas na B3, pela Conta de Investimento.
- Há tarifas? Não.
BTG Pactual - Conta Jovem
- Quem pode ter? Crianças e adolescentes a partir de 8 anos.
- Como abrir? O responsável precisa ser cliente do BTG Pactual.
- O que a criança pode fazer? Pix por texto, áudio ou imagem, consulta a saldo, pagamentos e divisão de contas pelo WhatsApp, além de compras e saques com débito.
- Controle dos pais: Histórico de transações, limites e notificações em tempo real pelo app BTG Banking. Até os 16 anos, só o responsável movimenta a Conta de Investimentos.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito.
- Investimentos: CDB com rendimento de 100% do CDI.
- Há tarifas? Não.
Inter - Conta Kids e Conta Inter You
- Quem pode ter? Conta Kids, de 0 a 12 anos; Conta Inter You, de 13 a 17 anos.
- Como abrir? Pelo app, com participação do pai ou da mãe que conste no documento do menor. O responsável não precisa ser cliente do Inter.
- O que a criança pode fazer? Pix, recebimento de transferências, pagamentos, saques e compras com débito. A Inter You também oferece cashback, recargas, cartões-presente e cartão virtual.
- Controle dos pais: Consulta a movimentações, notificações por email e ajuste de limites.
- Mesada: Não há função específica, mas é possível programar transferências pelo Pix agendado.
- Tem cartão? Sim, cartão de débito em nome do titular.
- Investimentos: CDB, poupança, CDB Mais Limite e Poupança Mais Limite.
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Há tarifas? Não há taxa de manuteção; os quatro primeiros saques são gratuitos, custando R$ 6,40 por operação a partir do quinto.
Nubank - Conta para menores
- Quem pode ter? Crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.
- Como abrir? Pai, mãe ou responsável legal que seja cliente do Nubank solicita a abertura pelo aplicativo. O menor precisa ter CPF, email e documento de identificação próprios.
- O que a criança pode fazer? Enviar e receber Pix, fazer recargas de celular, comprar cartões-presente e guardar dinheiro nas Caixinhas por objetivos.
- Controle dos pais: Pelo "Controle Parental", o responsável pode acompanhar saldo, movimentações via Pix, gastos no cartão e movimentações nas Caixinhas. Também recebe notificações em tempo real.
- Mesada: É possível programar transferências semanais, quinzenais ou mensais.
- Tem cartão? Débito. Para adolescentes de 16 e 17 anos elegíveis, há opção de cartão de crédito com limite garantido pelo dinheiro guardado em uma Caixinha específica. Se a fatura não for paga no vencimento, o valor é usado automaticamente para quitá-la.
- Investimentos: Caixinhas permitem separar dinheiro por objetivos, com rendimento de 100% do CDI.
- Há tarifas? Não.
Folha Mercado
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Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, diz que é preciso não confundir a ferramenta com a educação financeira em si. Segundo ele, os recursos da conta podem apoiar o aprendizado ao permitir que a criança vivencie situações de escolha, planejamento, consumo e organização do dinheiro.
"Se os pais simplesmente colocam dinheiro na conta e deixam a criança gastar, estamos diante de uma experiência de consumo", afirma.
EXISTE IDADE CERTA PARA TER CONTA?
Para Domingos, não há idade universal para abrir uma conta. A decisão depende da maturidade da criança e da capacidade de compreender o dinheiro e as consequências das próprias escolhas. A educação financeira, porém, pode começar por volta dos três anos, quando o pequeno passa a perceber o uso do dinheiro pelos adultos e manifesta desejos de consumo.
O planejador financeiro Diego Endrigo, CFP pela Planejar, diz que a demanda por orientação sobre dinheiro costuma surgir por volta dos nove ou dez anos, quando as crianças passam a ter acesso a cartões adicionais ou contas pré-pagas, como as usadas na cantina da escola.
QUANTO OS PAIS DEVEM CONTROLAR?
A participação dos pais é fundamental, sobretudo no início, diz Domingos. Acompanhar os gastos, conversar sobre escolhas e estabelecer combinados ajuda a criança a entender como usar o dinheiro. O controle excessivo, porém, pode impedir o desenvolvimento da autonomia.
Se a criança gasta toda a mesada e fica sem dinheiro para outro desejo, a experiência pode servir de aprendizado. Cabe aos pais ajudá-la a entender o que aconteceu, em vez de simplesmente impedir o gasto, afirma o especialista.
Endrigo diz que o dinheiro também pode ser apresentado como resultado do tempo dedicado ao trabalho, ou seja, cada compra consome uma parte dos recursos acumulados com esse esforço.
MESADA FIXA OU CONFORME A NECESSIDADE?
Endrigo diz que prefere a mesada fixa, que dá previsibilidade à criança e ensina a importância de guardar parte do dinheiro para o mês seguinte. Outra opção, segundo ele, é combinar um valor fixo com uma parcela variável, vinculada a tarefas em casa ou na escola.
COMO COMEÇAR A INVESTIR PARA OS FILHOS?
Um caminho é dividir os investimentos da criança em três objetivos: reserva de emergência, construção de patrimônio e planejamento de longo prazo, segundo o especialista.
Para a reserva de emergência, ele indica o Tesouro Selic, título público com liquidez diária. Para objetivos de médio prazo, sugere o Tesouro Prefixado, que permite fixar uma taxa de juros até o vencimento, mas pode sofrer oscilações de preço se vendido antecipadamente.
Já para o longo prazo, como a aposentadoria, recomenda o Tesouro IPCA+, que rende a inflação do período mais uma taxa prefixada.
E O EXEMPLO DOS PAIS?
Domingos afirma que o exemplo dos pais é fundamental para a educação financeira. Não adianta falar sobre planejamento e consumo consciente se a criança observa em casa gastos sem limites.
Endrigo alerta ainda que pais que tratam o dinheiro apenas como algo a ser guardado, sem ensinar como usá-lo, podem transmitir aos filhos uma relação excessivamente restritiva com os gastos. A família deve ensinar a usar o dinheiro de forma consciente, equilibrando a preservação do patrimônio com a realização de desejos e planos.
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