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Friday, October 30, 2026

Queens of the Stone Age fala sobre novo álbum, Lolla e saúde de Josh Homme

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Guitarrista Troy van Leeuwen detalha processo por trás do disco ‘Perfecth’ e comenta retorno ao Brasil após quase uma década longe do país

Pedro Hollanda (@phollanda21)

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Queens of the Stone Age em 2026 (Foto: Andreas Neumann)
Queens of the Stone Age em 2026 (Foto: Andreas Neumann)

Os últimos anos foram tensos para o Queens of the Stone Age. A banda precisou cancelar boa parte de uma turnê em 2024 porque o vocalista e guitarrista Josh Homme precisou passar por uma cirurgia de emergência misteriosa um ano após revelar um diagnóstico de câncer — que já o havia tirado do The Town 2023, em São Paulo. Não foi a primeira vez que o músico flertou com a morte, mas felizmente ele conseguiu superar a doença.

Agora, o grupo retorna com Perfecth (2026), seu nono álbum de estúdio, que sai nesta sexta-feira, 30. Além disso, o Queens of the Stone Age foi anunciado como um dos headliners do Lollapalooza Brasil 2027, quase nove anos após sua última passagem pelo país. Ingressos para o festival estão disponíveis via Ticketmaster.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o guitarrista Troy van Leeuwen explicou como o nome Perfecth vai além de uma simples piada sobre imperfeição: reflete a postura da banda com relação ao som do álbum e deixar as arestas sem aparar. O importante era capturar a faísca entre os integrantes:

“Quando você entra numa sala com seus amigos para fazer música, com certeza acontecem erros e às vezes isso é até legal, porque você nunca sabe. Para mim, pessoalmente, como músico, se eu cometer um erro, eu vou repeti-lo e incorporá-lo à música. Então, é uma daquelas coisas em que, sim, quando você está lá na sala tentando criar algo, você está tentando aproveitar a magia entre os músicos.”

Menos polimento, mais violões

Além da vibe mais descompromissada, Perfecth também destoa do resto da discografia do QOTSA pelo seu estilo sonoro. A banda ficou famosa por seu hard rock bem pesado, mas no álbum explora seu lado mais acústico, algo descrito pelo guitarrista como uma faceta sempre presente no som da banda, embora apenas em momentos pontuais:

“Existe uma espécie de fio condutor ao longo dos últimos 25 anos, desde, por exemplo, as músicas do Lullabies to Paralyze (2005), como ‘Long Slow Goodbye’ e ‘I Never Came’, e depois, em Era Vulgaris (2007), temos ‘Suture Up Your Future’ e ‘River in the Road’. Definitivamente há algumas pistas que foram deixadas ao longo do caminho. Para mim, este disco expressa muito daquele tipo de música que acaba sendo meio esquecida, mas é uma parte muito importante do nosso som e de como nos sentimos.”

Isso deu a oportunidade a Troy de explorar uma faceta menos celebrada do seu estilo. Apesar do público associar afinações graves e riffs distorcidos ao grupo, Van Leeuwen sempre trabalhou com texturas, tocando guitarras de 12 cordas e pedal steel tanto em estúdio quanto ao vivo. Quando notou como uma abordagem mais minimalista seria ideal para esse conjunto de canções, o músico tentou servir da melhor maneira possível:

“Acho que a simplicidade de uma boa música neste álbum é o que se destaca, sem tentar sobrecarregá-la com letras rebuscadas ou dizer as coisas de forma mais direta e simples. Acho que, neste disco, isso precisava ser mais expresso. Então, a atmosfera, talvez algo que eu faria, é bem sutil. Pessoalmente, eu só tento servir à música e acho que é disso que se trata este disco: a simplicidade da beleza, as imperfeições e as coisas que não são polidas.”

O primeiro single, “Easy Street”, que conta com a participação da cantora country americana Nikki Lane, funciona como cartão de visitas dessa nova fase. Trata-se de uma mistura deliciosa de glam rock, folk e um quê de música tradicional mexicana, dada a semelhança da melodia às canções tradicionais de mariachi. A letra encontra Homme explorando seus momentos mais autodestrutivos:

“Drinking don’t help, but it sure blocks out the help
Don’t ruin the vibe, I do all that by myself
Sorry for your loss, but you lost”

[“Beber não ajuda, mas bloqueia a ajuda
Não arruine a vibe, já faço isso sozinho
Desculpe sua perda, mas você perdeu”]

Reaproveitamento de material

Essa guinada acústica do Queens of the Stone Age já havia começado no EP ao vivo Alive in the Catacombs (2025), no qual a banda reinterpreta canções do seu catálogo num formato acústico. Serviu de transição entre o álbum In Times New Roman… (2023) – descrito por Troy van Leeuwen como “pesado, brutal e raivoso” – e esse novo disco.

O músico ressaltou até como diversas músicas presentes em Perfecth já existiam de uma forma ou outra, mas não tinham espaço em álbuns anteriores da banda. O single “Insignificant Other” – uma quase balada de letra amargurada e cheia dos famosos riffs tortos de Homme – e a épica faixa de encerramento, “Run Away From The Mob”, surgiram durante as sessões de In Times New Roman… Contudo, o grande destaque do trabalho é uma canção que apareceu num trabalho de outro artista.

“Sunday” é uma regravação de uma composição feita por Josh Homme e Iggy Pop para o álbum Post Pop Depression (2016). Em Perfecth, o Queens of the Stone Age ressalta a vibe disco music da faixa, com um arranjo que em momentos soa como uma versão perversa de “I Was Made for Lovin’ You”, do Kiss.

A ideia de fazer cover de “Sunday” partiu do exemplo estabelecido anteriormente por David Bowie, de acordo com Van Leeuwen:

“Sou um grande fã do Iggy e também um grande fã do Bowie. Acho que todos nós entendemos que, quando o Bowie fazia covers de ‘China Girl’ ou ‘Tonight’ ou qualquer uma das muitas músicas que ele gravava do Iggy, para mim, era sobre apresentar ao mundo algo que talvez eles nunca tivessem ouvido antes. Fazer um cover do Iggy é muito difícil, mas acho que chegamos num ponto em que, tipo, é french disco. Demos o nosso toque pessoal e só quero que as pessoas ouçam essa música, sinceramente.”

Entretanto, não é como se o QOTSA tivesse abandonado completamente seu lado pesado. “Where the Goth Girls At?” é um exemplar clássico de como a banda consegue soar pesada e dançante ao mesmo tempo, criando um ambiente lúrido na sua música. “Phantom Limb” por sua vez tem violões ao invés de guitarras, mas tem a mesma intensidade dos grandes rocks do grupo.

Perfecth no fim das contas mostra o Queens brincando com a dinâmica normal de seus álbuns. Enquanto em lançamentos anteriores o foco era em hard rock com uma ou duas músicas mais quietas, tal qual Van Leeuwen apontou, agora os papéis estão invertidos.

Retorno ao Brasil

A última vez que o Queens of the Stone Age veio ao Brasil foi em 2018, quando serviu de atração de abertura na turnê do Foo Fighters por estádios no país. De acordo com Troy Van Leeuwen, o grupo está tão ansioso por esse retorno quanto os fãs:

“Sinto que já passou da hora de voltar. Eu realmente adoro o público da América do Sul. A gente não vai para lá com frequência suficiente. Então é muito bom poder dizer: ‘Ok, vamos fazer o que tínhamos que fazer e aproveitar ao máximo enquanto estivermos lá’. E sim, nós tentamos ir a tantos lugares interessantes quanto possível, principalmente. Eu acho a América do Sul incrivelmente interessante.”

Perguntado se tem memórias de shows no Brasil, Troy lembrou especificamente da performance do QOTSA no festival SWU em 2010. O grupo já havia tocado no país em 2001, quando se apresentou no Rock in Rio e chamou mais atenção por conta do baixista Nick Olivieri decidir subir ao palco nu do que pelo show em si. Contudo, Van Leeuwen ainda não fazia parte da formação. Ele só entraria no final de 2002, durante a turnê do álbum Songs For The Deaf (2002). Por isso, o evento realizado na cidade de Itu foi a primeira vez dele se apresentando para o público brasileiro. O guitarrista se recordou principalmente da energia da plateia:

“O que eu percebi é que o público é muito receptivo e sedento pela nossa música. E dá uma sensação de conexão com o público, como se tudo estivesse prestes a explodir. É por isso que fazemos isso.”

Saúde de Josh Homme

Não era para o Queens of the Stone Age ter passado quase nove anos afastado do Brasil. Como citado, a banda foi anunciada como parte da programação do festival The Town 2023, em São Paulo, mas precisou cancelar o show dias antes do evento, citando “orientações médicas”. Em junho daquele ano, Josh Homme já havia revelado um diagnóstico de câncer, mas assegurou ao público que estava fora de perigo. Como a banda só perdeu essa data no Brasil e continuou em frente com a turnê The End is Nero, todo mundo pensou estar tudo bem.

Entretanto, em julho de 2024, o resto da turnê precisou ser cancelada porque o vocalista e guitarrista precisou passar por uma cirurgia de emergência. Van Leeuwen não quis entrar em muitos detalhes sobre a condição de Homme, mas afirmou que o músico passou por uma série de operações complicadas para salvar sua vida neste período.

Desde então, ver o colega de longa data – Van Leeuwen faz parte do Queens of the Stone Age desde 2002, então completará 25 anos de banda em 2027 – enfrentar essa batalha o fez valorizar sua própria vida. Após anos de excessos associados à vida no rock, a banda parece ter compreendido o avanço do tempo e começado a se cuidar:

“Agora, há um foco real em sermos os mais saudáveis ​​possível. Não apenas para estarmos presentes para a nossa arte e o nosso público, mas também para os nossos amigos, entes queridos e família. É assim que vejo tudo agora. É importante olhar para si mesmo no espelho e dizer: ‘Ok, eu gosto desse cara e vou garantir que ele esteja bem’. Então, sim, acho que é mais ou menos aí que todos nós estamos agora.”

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Pedro Hollanda (@phollanda21)

Pedro Hollanda é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso e cursou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Apaixonado por música, já editou blogs de resenhas musicais e contribuiu para sites como IgorMiranda.com.br, Scream & Yell e Rock'n'Beats.

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