De guardião do caixa a estrategista: o que o mercado passou a cobrar do executivo de finanças
RESUMO | As maiores empresas de capital aberto do mundo nomearam 316 novos CFOs em 2025, o maior número em sete anos, segundo a Russell Reynolds Associates. O cargo ficou mais estratégico e passou a incluir transformação digital, inteligência artificial e, no Brasil, a reforma tributária. Como 64% dos CFOs do S&P 500 foram promovidos internamente, o próximo diretor financeiro costuma já estar na empresa.
As maiores empresas de capital aberto do mundo nomearam 316 novos CFOs em 2025, o maior número em sete anos e 10% acima de 2024. O levantamento é da consultoria de recrutamento executivo Russell Reynolds Associates, que acompanha 12 índices de ações, entre eles o S&P 500, o FTSE 100 e o Nikkei 225. Só no S&P 500 foram 106 nomeações, um recorde.
A rotatividade vem acompanhada de mandatos curtos. Nas empresas do S&P 500, o diretor financeiro fica em média 4,7 anos no cargo, menos que os 5,2 anos da média da alta liderança, segundo a Spencer Stuart.
Para quem ocupa hoje uma gerência, uma controladoria ou uma diretoria de área, o dado mais relevante está em outra linha da mesma pesquisa. 64% dos CFOs do S&P 500 foram promovidos internamente. Na maior parte das vezes, o próximo diretor financeiro já trabalha na empresa — a dúvida é se estará pronto quando a vaga abrir.
O papel do CFO saiu do fechamento e foi para a estratégia
O cargo que essa geração vai herdar é mais amplo do que o de dez anos atrás. A pesquisa DNA of the CFO 2026, da EY, ouviu 1.610 líderes financeiros em 28 países. Seis em cada dez afirmam que cabe ao CFO definir como o negócio cria valor.
A prática ainda não acompanha o discurso. Os mesmos executivos dizem dedicar 47% da própria capacidade a tarefas operacionais, como regulação, relatórios e controles. Apenas 25% lideram decisões de investimento com retorno incerto ou de longo prazo, justamente as que mais pesam no valor da companhia.
A própria EY aponta o caminho para fechar essa distância. Entre os entrevistados, 68% reconhecem que precisam desenvolver novas habilidades e estilos de liderança.
Tecnologia virou tema de diretoria financeira
A transformação digital lidera a lista de prioridades dos diretores financeiros para 2026. Na pesquisa CFO Signals do quarto trimestre de 2025, da Deloitte, feita com 200 CFOs de empresas norte-americanas com faturamento acima de US$ 1 bilhão, metade colocou a digitalização da área financeira no topo da agenda.
A inteligência artificial concentra a expectativa. 87% dos executivos consideram a tecnologia extremamente ou muito importante para as operações financeiras em 2026, e 54% planejam integrar agentes de IA aos seus departamentos.
A distância entre plano e execução, porém, é grande. Na pesquisa da EY, só 21% descrevem a preparação da área para a IA como avançada, e 61% citam a qualidade dos dados como principal barreira ao investimento. O CFO passou a responder por uma tecnologia que ele precisa entender o suficiente para questionar.
No Brasil, a conta inclui a reforma tributária
O executivo brasileiro tem uma camada extra. Regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, a reforma tributária sobre o consumo começou a fase de testes da CBS e do IBS em 2026, com transição prevista até 2033.
Durante esse período, as empresas vão conviver com dois sistemas de impostos. Preço, margem, contratos com fornecedores e capital de giro precisam ser recalculados, e quem responde por essas decisões diante do conselho é a diretoria financeira.
A agenda de sustentabilidade segue a mesma lógica. A Resolução CVM 193 adotou no país os padrões internacionais do ISSB para relatórios de riscos climáticos e de sustentabilidade, com obrigatoriedade para companhias abertas a partir dos exercícios iniciados em 2026. O que antes cabia ao marketing entrou no balanço.
O que é o MBA Executivo em Finanças, da Saint Paul?
É um MBA da Saint Paul Escola de Negócios para profissionais que buscam posições estratégicas em finanças. O programa combina base teórica e aplicação prática, com foco em decisões que impactam o crescimento e a sustentabilidade do negócio.
O MBA Executivo em Finanças é voltado a quem já ocupa cargos de liderança?
Sim. O curso é desenhado para executivos financeiros de diversos setores com graduação completa. A turma reúne 19,7% de C-levels, 37,3% de gerentes e 21,1% de supervisores, coordenadores e heads.
O MBA Executivo em Finanças aborda a reforma tributária?
Sim. A grade inclui o módulo "Reforma tributária e Gestão de Tributos", ao lado de temas como análise de demonstrativos financeiros, cenário macroeconômico e gestão de tesourarias.
O programa trata de tecnologia e dados aplicados às finanças?
Sim. O MBA tem o módulo "Data Science para líderes" e aborda o mercado financeiro e de capitais do modelo clássico às fintechs. A proposta é preparar o executivo para decisões em um cenário de transformação digital.
Como funcionam as aulas do MBA Executivo em Finanças?
São 496 horas de formação, com aulas aos sábados, a cada três semanas, das 9h às 16h30. As aulas são presenciais, com transmissão ao vivo, e exigem frequência mínima de 75%.
Que suporte os alunos têm durante o MBA?
Os alunos contam com tutoria especializada e acesso à plataforma de aprendizagem LIT, com conteúdos e certificações em outras áreas de negócios. O programa também oferece networking com executivos de diferentes setores.
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