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Monday, September 21, 2026

BK’ revisita a própria discografia e revela histórias por trás dos álbuns

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Rapper falou à Rolling Stone Brasil sobre a criação de Castelos & Ruínas, Gigantes, O Líder em Movimento, Ícaros e DLRE

Karla Sthefany

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BK' - Foto: Reprodução/YouTube
BK' - Foto: Reprodução/YouTube

Ao longo de cinco álbuns, BK’ transformou diferentes momentos da própria trajetória em música. De Castelos & Ruínas, marcado pela vontade de rimar e encontrar um caminho, a DLRE — Diamantes, Lágrimas Justas para Esquecer, construído a partir da ideia de seguir em frente, o rapper passou por diferentes fases criativas e estéticas.

Em conversa com a Rolling Stone Brasil, BK’ revisitou cada um dos projetos e explicou o que estava vivendo, pensando e buscando no momento em que foram criados.

Castelos & Ruínas: a vontade de falar

Primeiro álbum solo de BK’, Castelos & Ruínas nasceu de uma necessidade de colocar ideias para fora. O projeto chegou a ser planejado para 2015, mas acabou adiado até que o rapper sentisse que estava pronto.

“Castelos e Ruínas foi o meu disco que eu levei 26 anos para fazer”, explica. Algumas músicas saíram durante o processo e “Próximo Nascer do Sol” entrou como a última faixa.

Na época, BK’ sentia vontade de apresentar sua visão e falar sobre o que estava vivendo. Para ele, o “castelo” do título não estava necessariamente relacionado a dinheiro, mas à procura por um caminho que fizesse sentido na vida pessoal e profissional.

O álbum também representava liberdade criativa. Sem a pressão dos trabalhos seguintes, o rapper define o disco como movido pela “pureza” e pela vontade de fazer algo inspirador.

Gigantes: deixando a criatividade ir além da rima

Em Gigantes, BK’ quis mostrar um lado diferente daquele já conhecido pelo público. Se antes estava mais concentrado em suas próprias experiências, passou a incorporar também vivências de pessoas próximas.

“Gigantes é onde eu consigo mostrar mais habilidades sem ser o que a gente tá acostumado a ser a habilidade de um MC”, afirma.

O disco também marcou uma aproximação maior com outras linguagens artísticas, especialmente as artes plásticas. Para o rapper, foi o momento em que conseguiu deixar a criatividade ir além das habilidades tradicionais de um rimador.

O Líder em Movimento: um manual de sobrevivência

O Líder em Movimento surgiu a partir de um conceito mais definido. BK’ criou um personagem para abordar questões relacionadas à vivência preta, liderança e identidade.

“Ele é um estudo para mim, ele é um manual para mim também”, explica.

A gravação aconteceu durante um período complicado. Para se concentrar no trabalho, BK’ e sua equipe ficaram uma semana fora do Rio de Janeiro. A pandemia, porém, interrompeu parte dos planos e o álbum não teve videoclipe ou show de lançamento naquele primeiro momento.

Ainda assim, o rapper considera o disco fundamental para sua trajetória e para as escolhas criativas que vieram depois.

Ícaros: olhar para a própria trajetória

Depois da pandemia, BK’ queria voltar com um trabalho mais ambicioso. Em Ícaros, passou a usar a própria discografia como fonte de inspiração, revisitando elementos de Castelos & Ruínas, Gigantes e O Líder em Movimento.

“Ícaros é onde eu uso a minha própria trajetória de inspiração”, conta.

O álbum também trouxe uma preocupação diferente: criar um trabalho que o público pudesse compreender logo nos primeiros contatos. Os corais acabaram se tornando uma das principais marcas estéticas daquela era.

DLRE: samples, mudanças e o “monstro”

Em DLRE — Diamantes, Lágrimas Justas para Esquecer, BK’ decidiu buscar novamente um elemento que marcasse o disco. A escolha foi o sample, inspirado pela maneira como o recurso é utilizado no rap.

O rapper também passou a trabalhar com mais cuidado com direitos autorais depois de enfrentar problemas relacionados ao uso de samples em projetos anteriores.

Conceitualmente, o álbum nasceu da ideia de abandonar algumas coisas para conseguir seguir em frente. Embora as love songs estejam entre os destaques do projeto, BK’ explica que o disco também fala sobre relações de amizade, trabalho e outros momentos de mudança.

A estética ganhou força com a criação do “monstro”, associado ao tempo e à sensação de correria. A ideia levou BK’ e sua equipe até a Etiópia, onde gravaram um filme visual para o projeto. As hienas aparecem como representação do monstro, enquanto a viagem também dialoga com o nome Bebe Bikila, referência ao corredor etíope Abebe Bikila.

Para BK’, DLRE conseguiu unir música, estética e show em uma experiência mais próxima do conceito 360 que busca oferecer em seus trabalhos.

Uma carreira em movimento

Ao revisitar a discografia, BK’ enxerga uma continuidade entre os trabalhos: cada álbum parte de uma fase anterior para buscar novas possibilidades.

E o movimento não terminou em DLRE. O rapper conta que está sempre pensando no próximo projeto e, enquanto finaliza um disco, já começa a imaginar o seguinte.

LEIA MAIS: BK’ transforma seu primeiro álbum, ‘Castelos & Ruínas’, em espetáculo de estádio em show em SP

Karla Sthefany

Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]

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