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Wednesday, September 23, 2026

Fundo de Florestas tem futuro incerto com eleição um ano após Lula anunciar investimento

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São Paulo Um ano após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a maioria dos candidatos ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano nem sequer cita o mecanismo em planos de governo. O único a mencioná-lo é o próprio petista, que elenca o fundo como uma das prioridades da ação externa em um eventual quarto mandato.

"Existe um risco grande de o TFFF não ter continuidade em caso de uma transição de governo", diz Taciana Stec, especialista em políticas climáticas no Instituto Talanoa.

A leitura é de que o mecanismo ainda não tem estrutura de governança estabelecida para suportar mudanças de rumo na política ambiental brasileira.

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"É um tema muito distante dos planos de todos os outros candidatos, o TFFF ainda é muito conectado ao governo Lula e à atuação internacional do Brasil nos últimos quatro anos", afirma a especialista.

Estrada de terra vermelha reta atravessa floresta tropical densa e verde, estendendo-se até o horizonte sob céu parcialmente nublado.
Rodovia Transamazônica no trecho próximo a Terra Indígena Pirahã, no sul do Amazonas - Lalo de Almeida - 26.mar.26/Folhapress

Lula oficializou o investimento brasileiro no TFFF em 23 de setembro do ano passado, durante a Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). O país foi o primeiro investidor do mecanismo.

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Idealizado pelo Brasil, o fundo pretende arrecadar US$ 25 bilhões (R$ 127 bilhões) em recursos públicos e US$ 100 bilhões (R$ 511 bilhões) de fontes variadas, inclusive particulares, totalizando US$ 125 bilhões (R$ 638 bilhões).

O TFFF usará os US$ 125 bilhões para aplicar em uma carteira de investimentos diversificados de renda fixa, com rendimentos de 7% a 8% ao ano. Os financiadores devem ficar com uma fatia de cerca de 4% dos rendimentos, e os países que preservarem florestas receberão outros 4%. O fundo pagará US$ 4 (R$ 20,50) por hectare conservado e reduzirá o pagamento se houver desmatamento ou degradação por fogo.

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O aporte brasileiro, no valor de R$ 5 bilhões, está previsto no Projeto de Lei Orçamentária de 2027 que o governo apresentou ao Congresso Nacional. Os congressistas ainda precisam aprovar a verba, que deve ser repassada por meio do Fundo Clima.

Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula nesta eleição, não se posiciona de forma clara sobre o fundo. Em nota, a campanha afirma que o candidato "é um defensor do meio ambiente e de quem cuida da floresta em pé e dos rios limpos".

"O plano de governo tem como meta a criação de mecanismos efetivos de incentivo econômico à preservação, ampliando o pagamento por serviços ambientais e desenvolvendo instrumentos capazes de remunerar produtores, comunidades e proprietários rurais que conservam a vegetação nativa, recuperam áreas degradadas e protegem os recursos hídricos", diz a assessoria de Flávio.

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A reportagem voltou a questionar a campanha especificamente sobre o TFFF, mas não houve resposta.

Um representante da gestão Lula que pediu para não ser identificado diz que levar o fundo adiante é uma responsabilidade mundial, não só do Brasil. Apesar disso, afirma que uma eventual troca de governo pode levar a uma mudança no engajamento do país com o mecanismo.

O desmatamento da amazônia aumentou durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e atingiu 13 mil km2 entre agosto de 2020 e julho de 2021, o maior valor registrado desde 2006, segundo o sistema Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A destruição da floresta diminuiu no terceiro governo Lula. De agosto de 2024 a julho de 2025, foram desmatados 5.796 km2, o terceiro menor patamar da série histórica iniciada em 1988. Caso o desmatamento volte a subir nos próximos quatro anos, o Brasil se tornaria menos competitivo no TFFF.

Os investimentos anunciados até o momento somam US$ 7,3 bilhões (R$ 37,3 bilhões). O fundo precisa atingir US$ 10 bilhões (R$ 51,1 bilhões) até o final deste ano para começar a funcionar e manter o aporte da Noruega.

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"Se não alcançar a meta, o TFFF corre grande risco de desidratar no ano que vem", afirma Stec.

Há conversas em andamento sobre novos aportes com Dinamarca, Bélgica, Suécia, Suíça, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Japão e China, além de países do golfo Pérsico, segundo o representante do governo Lula.

Ele afirma que nações devem anunciar investimentos somente na COP31, a conferência do clima da ONU marcada para acontecer na Turquia em novembro, quando o mundo já conhecerá o próximo presidente do Brasil.

O integrante da gestão petista diz que a chance de anúncios na cúpula se deve à maior visibilidade do evento e não tem relação com uma espera pelo desfecho da eleição de outubro.

O representante afirma que a situação geopolítica atual é uma "infelicidade" para o TFFF, que foi apresentado na COP28 em novembro de 2023, antes do início da guerra entre os EUA e o Irã. Se o mecanismo tivesse começado a funcionar mais cedo, quando os países ainda não tinham preocupações tão agudas com investimentos em defesa militar, a situação poderia ser outra, diz.

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