Crise no STF vai definir eleição entre Lula e Flávio, diz Cristiano Noronha
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) vai ser decisiva para a eleição presidencial, e os próximos desdobramentos envolvendo ministros da Corte podem ampliar o desgaste do presidente Lula (PT) e alterar a correlação de forças entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação é do cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice.
“A eleição vai ser definida por essa crise no Supremo Tribunal Federal e, a depender de quem ela acabar tragando, pode acabar beneficiando mais um candidato ou o outro”, afirma Noronha.
A avaliação ocorre às vésperas de uma nova etapa da crise, com a previsão de que o plenário do STF analise na próxima terça-feira (15), às 10h, se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Para Noronha, qualquer que seja a decisão, haverá consequências políticas negativas para o governo Lula.
O cientista político aponta quatro cenários possíveis para a sessão. O primeiro seria um pedido de vista, que adiaria a decisão e prolongaria o desgaste da Corte. “Obviamente que isso não seria bom, porque adiaria esse desgaste da Suprema Corte”, diz.
Segundo Noronha, uma parte significativa dos eleitores associa o governo Lula ao Supremo, o que faz com que a crise institucional tenha potencial para atingir diretamente o presidente.
O segundo cenário seria a abertura de um inquérito contra Moraes. Para Noronha, a hipótese seria inédita na história do tribunal. “A abertura de um inquérito contra o ministro tem um potencial para produzir revelações também desgastantes para o governo”, avalia.
Leia Mais
Datafolha: maioria dos eleitores aponta que crise no STF não muda voto Lula: Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico Defesa de Flávio tentou 4 vezes tirar Dark Horse de Dino e levar a Mendonça
O terceiro cenário envolveria, além de Moraes, o ministro André Mendonça. De acordo com Noronha, já existe um pedido nesse sentido apresentado pelo próprio Moraes. Uma eventual investigação dos dois ministros poderia elevar ainda mais a tensão dentro da Corte. “No embate com esses dois ministros, o resultado e as consequências disso são imprevisíveis”, pontua.
O quarto cenário seria o arquivamento do pedido de investigação contra Moraes. Apesar de representar uma saída para o episódio, a decisão também poderia gerar desgaste para Lula, segundo o cientista político.
“Talvez o pior cenário para o governo seria simplesmente um arquivamento, quer dizer, não investigar nada, não fazer nada. E aí vai passar uma sensação muito ruim de ‘operação abafa’ e com a participação também do Palácio do Planalto”, avalia Noronha.
Para o analista, os quatro desfechos têm em comum a capacidade de manter a crise no centro do debate político e aumentar a insatisfação dos eleitores. “Todos esses cenários acabam causando uma tensão e um incômodo na população. Isso, em geral, é sempre ruim para o incumbente”, explica.
Flávio Bolsonaro
Enquanto Lula enfrenta os efeitos políticos da crise, Flávio Bolsonaro aparece, por enquanto, como um dos beneficiários do desgaste. Noronha cita pesquisas recentes que mostram o senador à frente do presidente em algumas simulações de segundo turno.
“Flávio Bolsonaro foi beneficiado desse desgaste dos últimos dias, nas últimas semanas em que a gente tem visto o resultado das pesquisas, em que algumas delas mostram, inclusive, que Flávio superou o presidente Lula nas simulações de segundo turno”, destaca.
O senador, porém, também está sujeito aos efeitos de investigações no Supremo. “Flávio também não respira totalmente aliviado. Até porque tem um inquérito aberto de investigação no Supremo Tribunal Federal, autorizado pelo ministro André Mendonça, de investigação sobre os recursos do Dark Horse [filme sobre o ex-presidente Bolsonaro]”, comenta.
Por isso, Noronha considera que a vantagem atual do senador não significa que o cenário esteja definido. “Momentaneamente, a situação é mais favorável para o Flávio Bolsonaro, mas não significa que essa situação vai continuar daqui até o final.”
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.