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Saturday, October 3, 2026

Incêndio volta a atingir área de vegetação no Cacau Pirêra após dois dias

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Imagens feitas por moradores de Manaus e compartilhadas nas redes sociais mostram uma intensa labareda de fogo na região. As chamas podem ser vistas das margens do Rio Negro, na capital.

Devido ao fogo, a qualidade do ar em pontos da Zona Sul da capital é classificada como "ruim" pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). Até às 20h, o Centro da capital era o local mais afetado, com 61.3 µg/m3. Já no município de Iranduba, o nível de poluição era considerado moderado, com 31.1 µg/m3.

🔎 A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.

O g1 quesitonou o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) sobre o incêndio desta sexta-feira e se há relação com o incêndio da quarta-feira, mas até a atualização mais recente desta reportagem não obteve resposta.

Causas do incêndio são investigadas

Segundo o coronel do CBMAM Orleilson Muniz, equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Ambiental e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também foram acionadas para ajudar a identificar os responsáveis pelo incêndio iniciado na quarta-feira.

A analista ambiental do Ipaam Liliane Munhoz explicou que a equipe faz uma varredura na área com imagens aéreas e pontos já identificados para localizar propriedades e possíveis responsáveis pelos terrenos atingidos.

Segundo ela, o uso do fogo é proibido no estado durante o período de emergência climática. A fiscalização busca identificar os responsáveis para que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis.

"Então, o uso do fogo é proibido, por mínimo que seja, e o uso de maneira inadequada pode se tornar de maneira descontrolada, como é o caso que possivelmente aconteceu aqui, e a perda de controle causar essa queimada de grandes proporções", afirmou.

O comandante dos bombeiros afirmou ainda que a corporação pretende permanecer na área até que todos os focos sejam controlados.

De acordo com Orleilso Muniz, a maior parte dos incêndios registrados no estado tem origem humana.

"Afirmo que quase a totalidade desses incêndios têm causa humana. Portanto, estamos vivendo os efeitos mais gravosos do El Niño e nesse sentido é muito importante que nós não façamos fogo em hipótese alguma", afirmou.

O comandante também fez um alerta para o período de estiagem e pediu que a população não utilize fogo até o fim do período de maior risco.

"Vamos continuar aqui até fazer o controle total. Nós precisamos, nesse período do ano que ainda estaremos sobre os efeitos do El Nino, até meados de dezembro, não atear fogo em hipótese alguma. E a população tem uma parcela muito importante nesse sentido", orientou.

Incêndios assolam região há uma semana

Na última sexta (25), outro incêndio atingiu a região de Cacau Pirêra e destruiu cerca de 700 hectares de vegetação. O combate mobilizou 35 bombeiros e 15 viaturas, com uso de mais de 150 mil litros de água.

Os bombeiros não informaram se o incêndio da última sexta possui relação com os incêndios registrados nesta semana.

Durante o combate ao incêndio anterior, a equipe de análise do CBMAM identificou que árvores atingidas pelas chamas apresentavam sinais de terem sido cortadas antes do fogo.

Na ocasião, o comandante do CBMAM, coronel Muniz, afirmou à Rede Amazônica que a vegetação teria sido cortada e deixada para secar antes do início das chamas. Segundo ele, os indícios apontavam para uma ação intencional.

"Uma das coisas que chamou a atenção foi exatamente isso: todas as árvores queimadas apresentavam essa característica, elas foram previamente cortadas. Então é possível a gente observar que elas foram devidamente cortadas, foi esperado secar a vegetação cortada e a partir daí surgiu o incêndio. Isso nos leva a crer que o incêndio foi completamente intencional e criminoso", analisou.

Vegetação destruída após incêndio no distrito de Cacau Pirêra. — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica

Combate a incêndios no Amazonas

Segundo o CBMAM, entre 1º de junho e 30 de setembro, foram combatidos 17.178 focos de incêndios urbanos e florestais no Amazonas. Desse total, 3.798 ocorreram na capital e 13.380 no interior.

A corporação informou que cerca de mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, atuam nas ações de combate.

O CBMAM também informou que, entre maio de 2025 e maio de 2026, ampliou de 11 para 25 o número de municípios com bases permanentes da corporação. Além disso, o efetivo passou de 692 para 1.651 militares entre 2019 e 2026, após a realização de concurso público.

Em maio deste ano, o CBMAM iniciou a operação Amazonas+Verde, com ações de combate a incêndios florestais, enfrentamento a crimes ambientais, educação ambiental e ampliação da capacidade de resposta.

Segundo a corporação, as ações de educação ambiental alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto. O combate aos incêndios ocorre de forma imediata em 33 municípios do estado.

No lançamento da operação, foram entregues 20 novas viaturas, sendo 17 picapes equipadas com kits de combate a incêndio, além de 453 equipamentos para atuação operacional.

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