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Thursday, September 3, 2026

As reações no mundo político e jurídico aos diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro

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Os diálogos, extraídos do celular de Vorcaro, indicam que o banqueiro discutiu com o ministro informações sobre Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master, e a estratégia que deveria adotar para frustrar o cumprimento da ordem de prisão preventiva expedida contra ele.

Mensagens mostram ainda que Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo.

As mensagens, que integram investigação da Polícia Federal (PF), foram reveladas primeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (1/9) e tiveram o sigilo suspenso por ordem do ministro do Supremo André Mendonça.

O jornal O Estado de S. Paulo também trouxe a revelação de que Moraes foi responsável por editar a última versão do contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane, segundo metadados do documento extraído do celular de Vorcaro.

Em nota divulgada nesta terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que, diante da abrangência do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo Banco Master, seu setor de compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes sobre a eventual existência de impedimentos legais para a celebração do contrato.

Não é possível saber as respostas de Moraes às mensagens de Vorcaro, já que elas eram enviadas de forma a evitar que ficassem registradas. O banqueiro escrevia os textos no bloco de notas do celular, tirava um print, e mandava como imagem de visualização única para Moraes.

A PF, porém, conseguiu recuperar esses prints de Vorcaro e associou os horários em que os prints foram feitos com a hora das mensagens de visualização única enviadas ao ministro.

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  • Renan Santos.

  • Dois homens aparecem lado a lado durante um debate. Renan Santos, à direita, de terno escuro e óculos, leva o dedo indicador à boca em um gesto de silêncio, enquanto Augusto Cury, à esquerda, de terno azul e gravata amarela, olha em sua direção. Eles estão diante de um fundo escuro iluminado em tons azulados.

  • Imagem mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

  • central pix em tela de celular

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Com as revelações, políticos da direita alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram rápidos em reagir ao contato de Moraes e Vorcaro.

O ministro do STF sempre foi muito criticado por esse campo político por ter liderado o processo da tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023 que levou à prisão Bolsonaro.

Pedidos de 'impeachment' e 'prisão'

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Logo após a queda do sigilo dos documentos, o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou no Senado que "Alexandre de Moraes não tem mais condições de permanecer no cargo".

Flávio chamou as revelações de "muito graves" e opinou que o ministro deve renunciar ao cargo.

"Se ele edita os contratos da esposa que estava oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantias de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o Procurador-Geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes. Então, são muitas acusações graves e que espero de verdade que ele esclareça", disse Flávio.

"Ele mais uma vez está trazendo um problema para toda a Corte, que não é dela. Então, ele tem que dar as explicações que caibam a ele e a esposa dele", enfatizou Flávio, que concluiu pedindo para "aguardar o andamento das investigações".

Também candidato à Presidência, o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) chamou Moraes de "projetinho de ditador" e declarou que ele "merece cadeia". "Impeachment é pouco. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro", disse Zema.

Já o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu, ao comentar o caso a jornalistas num evento no Rio Grande do Sul, que o mandato de ministros do STF deveria durar oito anos.

"Eu tenho o respeito de vários ministros do Supremo, mas sou o único que fala isso", afirmou.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das vozes da direita mais atuantes nas redes sociais, também pediu uma investigação e a prisão de Moraes.

"André Mendonça, está em suas mãos fazer história nesse país. Vai em frente que estamos com você", escreveu no X.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, disse que já pediu o impeachment de Moraes e ameaçou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), caso ele engavete o requerimento.

"Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela", disse.

Já a senadora Damares Alves (PL-DF), ex-ministra de Bolsonaro, disse que Moraes precisa pedir afastamento do cargo que ocupa até que as investigações sejam concluídas.

"Precisa preservar a instituição que representa. As pessoas passam, as instituições são permanentes e só são fortes enquanto o povo acredita nelas", declarou.

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