Porsche vendeu a Bugatti que o Grupo Volkswagen pagou

A Bugatti, o construtor mais sofisticado e com maior notoriedade do Grupo Volkswagen, já estava envolvido numa joint venture com a Rimac, um pequeno construtor especializado em veículos eléctricos superdesportivos, de quem a VW precisava para desenvolver uma versão eléctrica do Bugatti. Simultaneamente, o já mencionado know-how da Rimac já tinha servido para ajudar a Porsche a recuperar do enorme atraso que possuía em termos de tecnologia eléctrica, ajudando-a a aceder a sistemas a 800V (para carregamentos mais rápidos), a baterias que pudessem alimentar motores mais potentes e uma transmissão com duas velocidades, como a que a Porsche usa no eixo traseiro do Taycan.
Além dos 45% que o Grupo VW detinha na Bugatti Rimac (com a Rimac a deter os restantes 55%), o consórcio alemão possuía ainda 20,6% no Rimac Group, de onde vinha a tecnologia que permitia fazer avançar os eléctricos do grupo, como fez com os Porsche Taycan, Macan e Cayenne. Mais curioso ainda é o facto do Grupo VW ter adquirido a Bugatti em 1998, quando não detinha rigorosamente nenhuma percentagem da Porsche, para colocar os 45% da Bugatti Rimac e os 20,6% da Rimac Group directamente nas mãos do fabricante do desportivo 911, que nos dias que correm vende na maioria dos casos SUV pesados e grandes, como o Macan e o Cayenne.
VW paga às famílias Piech e Porsche 1 milhão de euros por semana
Para quem está mais fora do mundo automóvel, há uns “milagres” da gestão do Grupo VW e da Porsche que importa conhecer, como o facto da primeira deter 75% da segunda, bem como a família Porsche/Piech deter 31,9% do capital do consórcio VW, mas 53,3% dos direitos de voto, efectivamente mandado na empresa. E já que estamos em números de magia, podemos fazer marcha-atrás a 2008, quando a família Porsche/piech gastou uma fortuna a adquirir acções do Grupo VW que pretendia controlar, reunindo um grupo de cinco bancos alemães para financiar a operação. Com a Porsche muito endividada com a operação “takeover” e acumulando mais de 10 mil milhões em dívida, os bancos assustaram-se e fugiram do negócio, deixando a Porsche na falência. Quem a salvou foi o Grupo VW, a vítima do takeover, por troca de 49,9% do capital da Porsche, que depois evoluiu para os 75% actuais, quando poderia ter ficado com tudo o que pertencia a uma empresa falida.
Milionária família Porsche com dificuldade em pagar dívida devido aos resultados da VW
É bom recordar que o VW Group comprou a Bugatti por 50 milhões de dólares a um grupo de investidores italianos liderados pelo empresário Romano Artioli, que a fez renascer. A aquisição aconteceu após a renascida Bugatti ter lançado o EB110, um superdesportivo que faria as delícias de Ettore Bugatti, o fundador da marca em 1909, mas numa altura em que a Bugatti vendia menos carros do que canetas, relógios e óculos de luxo, negócio que estava a cargo de Renata Kettmeir, a simpática esposa de Artioli que tivemos oportunidade de conhecer e que controlava tudo o que era cultura e design da Bugatti.
Mas de 1998 até ao início da comercialização do Bugatti Veyron, em 2005, e do Chiron em 2016, a Bugatti necessitou de investimentos impressionantes. Os analistas estimam que o Veyron implicou investimentos que levou a marca a perder 6,25 milhões de euros por cada modelo vendido, com o Chiron a ser financeiramente mais equilibrado, tanto mais que reutilizou a mesma mecânica, o W16 com oito litros de cilindrada e quatro turbos.
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