Manifestantes de esquerda tentam 'retomar' verde e amarelo em Copacabana


O verde e amarelo vestiu boa parte dos manifestantes que ocuparam a orla de Copacabana, na zona sul do Rio, neste domingo (18). No Ato Musical pela Democracia, participantes defenderam o uso da camisa da seleção brasileira e das cores da bandeira como símbolos nacionais, embora alguns ainda relatem desconforto com a associação ao bolsonarismo.
Foi o caso da chefe de cozinha Renata Soares, de 41 anos, que veio de Niterói. Ela aderiu às cores para participar da manifestação, mas disse que a mudança não é simples.
"Eu vim hoje de verde e amarelo pelo movimento, mas confesso que é difícil usar essa camisa hoje em dia", afirmou.

Renata atribui essa resistência à apropriação política de uma peça que antes usava com orgulho. Apesar do incômodo, defende que as pessoas possam vestir a camisa sem que isso determine sua posição política.
"Sou a favor de a gente voltar a usar o que quiser, na verdade. Não ter medo de usar uma coisa e ser talvez confundido."
Para o administrador de empresas Gustavo Santos, que saiu de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a presença das cores entre manifestantes de esquerda representa uma retomada.
"É um símbolo patriótico. Apesar de ser uma camiseta da CBF, é um símbolo que de fato representa o Brasil", disse. "A gente se apropriou disso novamente."
Também morador de Duque de Caxias, o professor de inglês Wallace Costa relaciona o uso do verde e amarelo à defesa da soberania e da democracia. Para ele, a esquerda precisa incorporar as cores às suas manifestações.

"É muito importante a esquerda passar a adotar também o verde e amarelo porque são as cores da nossa bandeira", afirmou. "A nossa bandeira é o grande símbolo democrático que a gente tem aqui no Brasil. A gente não pode perder isso."
Aos 71 anos, o servidor público aposentado Rutônio Santana, morador da Tijuca, na Zona Norte, disse que sempre se identificou com a esquerda. Sua escolha de roupa para o ato, porém, tinha como objetivo defender que os símbolos nacionais ultrapassam as divisões políticas.
"O verde e amarelo é a cor do Brasil, é a nossa cor, é a nossa pátria, é a nossa bandeira."

Ele rejeita a ideia de que a esquerda tenha errado ao usar outras cores, como o vermelho, associado ao PT. Em sua avaliação, houve uma tentativa da extrema direita de ocupar os símbolos do país como se fossem exclusivos de um grupo.
"A gente veio de verde e amarelo hoje também para mostrar que nossos símbolos são da nação brasileira, não de quem acha que se apoderou e que é dono disso. Usas as cores para jogar contra um lado político é puro oportunismo", completa.
O verde e amarelo já havia mobilizado apoiadores de Lula nas redes sociais na véspera do ato em Copacabana. No sábado (17), eleitores publicaram fotos com a camisa da seleção brasileira ou roupas nas cores da bandeira, fazendo o "L" com as mãos. A iniciativa foi convocada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), com o mote "O verde e amarelo é nosso", e recebeu a adesão de Lula, Janja, Geraldo Alckmin e das deputadas federais eleitas Erika Hilton (PSOL-SP), Ana Elisa (PT-MG), entre vários outros.
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