Universidades de Tomar e Autónoma de Lisboa criam consórcio

A Universidade Politécnica de Tomar (UPT) e a Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) criaram um consórcio para desenvolver cursos, projetos de investigação e intercâmbio académico, numa parceria que pretende reforçar o ensino superior e contribuir para o desenvolvimento regional.
“Queremos que esta parceria se traduza em projetos concretos, que afirmem o ensino superior como um real agente impulsionador do desenvolvimento territorial”, afirmou o reitor da UPT, João Freitas Coroado, citado numa nota da instituição.
O acordo prevê novos ciclos de estudos, unidades de investigação, intercâmbio de estudantes e docentes e serviços à comunidade, podendo ainda criar unidades orgânicas fora das sedes das duas instituições.
O consórcio terá sede no campus da UPT, em Tomar, procurando alargar a oferta formativa e a presença territorial do ensino superior.
A parceria dá continuidade a um programa de doutoramento conjunto e permitirá desenvolver novos cursos conferentes de grau, pós-graduações e projetos de investigação, reforçando as oportunidades de formação avançada na região.
O acordo surge numa nova fase da instituição de Tomar, que em 1 de agosto passou de Instituto Politécnico a Universidade Politécnica, na sequência da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.
Na abertura do ano letivo, João Coroado defendeu uma maior cooperação com os agentes económicos e sociais para reforçar a capacidade do Médio Tejo de atrair e fixar estudantes e profissionais qualificados.
O reitor alertou para a saída de jovens da região para frequentarem cursos superiores já disponíveis no território, considerando que isso enfraquece o desenvolvimento local.
“Não basta afirmar a importância da retenção de talento. É necessário criar condições, incentivos e promover escolhas que reforcem esse objetivo”, afirmou no discurso, a que a Lusa teve acesso.
O reitor criticou ainda as desigualdades no financiamento do ensino superior, defendendo mais recursos para as instituições de regiões com maiores necessidades de coesão territorial, de forma a combater a concentração de estudantes nos grandes centros urbanos.
“O Médio Tejo tem de ser um território de excelência para viver, estudar e trabalhar”, defendeu, apelando à colaboração com autarquias, associações empresariais e a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo.
A estratégia da UPT inclui investimentos no ensino e investigação, com destaque para o futuro complexo pedagógico da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, no Parque de Ciência e Tecnologia TagusValley.
O reitor anunciou ainda concursos em curso, no valor de cerca de 900 mil euros, para renovar equipamentos laboratoriais e melhorar as condições de formação e investigação.
Referiu também a cooperação com a Universidade Politécnica de Santarém e outras entidades do Oeste e Vale do Tejo, incluindo a associação IN.OVATE, dedicada à formação avançada e pós-graduações.
O presidente do Conselho de Administração do Grupo Autónoma, António de Lencastre Bernardo, considerou o consórcio um passo importante na cooperação entre o ensino superior privado e público.
“Esperamos que possa ter um impacto muito positivo nos nossos estudantes, gerar novos projetos de investigação, sem esquecer o contributo para as regiões em que estamos inseridos”, afirmou.
A liderança do consórcio será alternada entre as duas instituições, por mandatos de três anos.
Numa reunião recente com responsáveis das câmaras de Tomar e Abrantes, da CIM do Médio Tejo e deputados eleitos por Santarém, foram identificadas prioridades para a afirmação da UPT, a atração de estudantes e a ligação às necessidades da região.
O encontro deu início a reuniões para desenvolver uma estratégia conjunta para o futuro da universidade, que mantém escolas superiores em Tomar e Abrantes.
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