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Thursday, October 29, 2026

'Ridículo', 'ofensa', 'olhar para frente': a reação após Flávio fugir, se dizer 'presidente eleito', apagar e falar que é 'líder do Brasil'

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🔎Após divulgar a primeira carta, em formato de imagens, em uma rede social, Flávio divulgou uma nova carta, também em imagens, em que substituiu as expressões "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito" por "líder do Brasil" e "líder".

Depois, Flávio Bolsonaro apagou a primeira versão da carta e publicou outra, na qual retirou as expressões "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito" e passou a se definir como "líder do Brasil" e "líder".

Primeira versão da carta postada por Flávio em uma rede social se chamava de 'presidente eleito' — Foto: Reprodução/X

Reação no Senado

No plenário do Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) classificou a contestação como "ridícula" e afirmou que o resultado eleitoral já foi reconhecido por aliados do candidato derrotado.

"A gente precisa, de uma vez por todas, encerrar no Brasil esse circuito ridículo. [...] É ridículo, o candidato a presidente derrotado, o partido reconheceu, o irmão dele estará aqui com a gente em fevereiro, eleito senador. Os governadores ligados ao candidato derrotado reconheceram. Isso não faz sentido. Causa um prejuízo imenso para o Brasil este tipo de situação", afirmou.
"Sabemos que o presidente eleito pela quarta vez foi Lula", acrescentou.

Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, afirmou que a iniciativa representa uma "ofensa" ao processo eleitoral.

"O derrotado nas eleições foge do país, em um processo que mais se assemelha a uma extração, vai para uma potência estrangeira e, de lá, passa a buscar que essa potência estrangeira não reconheça o resultado das eleições do último domingo", afirmou.
"Eu achava que eles já tinham ultrapassado todos os limites. Mas isso é uma ofensa a tudo que foi construído neste país nos últimos 30, 40 anos", completou.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro e líder da oposição no Senado, afirmou que acredita ter "havido algum problema na confecção" do texto.

Aliados de Flávio Bolsonaro se disseram surpresos com a carta e veem caminho para Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal (DF), assumir um protagonismo na oposição. Eles classificaram como “sem pé nem cabeça” a autoproclamação de Flávio como “verdadeiro presidente do Brasil”.

Uma importante liderança no Senado se queixou de a carta ter sido encaminhada para a imprensa e publicada nas redes de Flávio antes de uma conversa com as bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado.

Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA — Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters

Partidos defendem eleição

Em nota, os partidos PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT afirmaram que "o Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático".

"O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições", afirmaram os partidos.

"A contestação do resultado não se sustenta. A prorrogação do horário de votação foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país", disseram as siglas.

Em nota, o União Brasil defendeu o reconhecimento do resultado da eleição e afirmou que "é hora de encerrar a disputa".

"A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado", declarou a legenda.

"Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país. A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós", afirmou o presidente nacional do partido, Antonio Rueda.

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, também classificou como "incompreensível" o comportamento de Flávio Bolsonaro, derrotado nas urnas.

"O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos. E ele deve se dar em território nacional, fiscalizando os atos do governo e cobrando os compromissos por ele assumidos com a população [...] Mas tudo isso tem que ser feito dentro das regras da democracia, com respeito às instituições e ao processo eleitoral".

O MDB também divulgou uma manifestação em defesa do resultado.

"O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo", afirmou o partido.

Também em posicionamento divulgado após a carta, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou compreender a "indignação" de Flávio Bolsonaro, mas defendeu o reconhecimento do resultado.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou.

Segundo o governador, a oposição deve atuar "dentro das instituições".

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