Dirceu defende investigação sobre ministros do STF e pacto de Lula na crise

O ex-ministro defende ainda separar o papel que Alexandre de Moraes teve para contornar a tentativa de golpe. "Uma coisa é o apoio que a maioria da sociedade deu ao processo de julgamento dos golpistas e à condenação dos golpistas, apesar do peso que tinha a opinião pública bolsonarista. Outra coisa é você discutir o comportamento de qualquer cidadão brasileiro, seja ministro do Supremo, seja um de nós que já fomos processados e julgados nesse país."
Candidato a deputado federal por São Paulo, Dirceu está fazendo sua campanha de casa, por transmissões online e encontros virtuais. O ex-ministro acaba de tratar um câncer e foi aconselhado pelos médicos a evitar aglomerações, comícios, plenárias. O recolhimento é um preço pequeno a pagar, diz ele, que recebeu na última semana a notícia de que a doença estava debelada. No PT, sua candidatura é vista como uma das mais fortes no estado, com a expectativa de que ele seja um dos puxadores de votos da esquerda.
Antes de a crise no STF eclodir, ainda em junho passado, o ex-ministro petista José Dirceu já havia feito um pronunciamento no PT defendendo uma reforma do Judiciário, num movimento que deveria ser liderado pela Presidência da República, com os demais Poderes, e organizações como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Esta semana, a executiva nacional do partido seguiu na mesma linha, defendendo que se discuta, inclusive, a necessidade de mandatos para os magistrados das cortes superiores.
Para Dirceu, a crise no Supremo tem de ser separada da eleição, mas deve ser enfrentada pelo governo e pelos líderes políticos. E os envolvidos, magistrados ou não, precisam ser investigados. "Eu tenho autoridade moral para falar isso porque eu fui processado, condenado, cumpri pena, cumpri toda a pena, nunca me levantei contra o Supremo, contra o sistema de justiça brasileiro. Eu recorri, é um direito que eu tenho, posso fazer revisão criminal. Mas eu fiquei 40 meses preso, 40. Fui preso três vezes, o Supremo me soltou três vezes. Depois eu fui absolvido, arquivou", diz Dirceu, condenado no processo do mensalão.
Para o ex-ministro, a crise do STF terá reflexos na eleição, mas isso é, segundo ele, o menos preocupante. "Tem influência? Claro que tem, assim como outras questões. Eu não tenho preocupação em achar que a eleição está perdida, que o Lula vai perder. Essa é a eleição para nós ganharmos. Tem tudo para isso. Lógico que a conjuntura é difícil, econômica, eleitoral e agora institucional com a crise. Mas tem que separar. Essa questão do Supremo é gravíssima e vai mostrando que o Brasil precisa de uma reforma constitucional."
Dirceu diz que Lula fez uma revolução em seus dois primeiros mandatos (2003-2010) e que, nesta gestão, recebeu do governo Bolsonaro um legado de problemas sobre os quais o petista fez "o máximo que podia".
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