Escola periférica de Curitiba supera a média; há bons resultados em todas as áreas
Líder nacional do Ranking de Eficiência dos Estados - Folha (REE-F), com nota geral de 0,734, o Paraná cravou o primeiro lugar do país em Educação e o segundo em Infraestrutura (76,4% de atendimento por esgoto e 96,3% por água tratada).
O estado também figura no topo em saúde (3º) e segurança (5º), sustentado por um equilíbrio fiscal robusto.
Na educação, há vários exemplos positivos, como uma escola que abriga 680 alunos no Alto Boqueirão, bairro distante do centro de Curitiba, e que remonta à década de 1980, revelando o desgaste natural do tempo, que pede reparos.
"Mas ela é grande e bonita, né? Os banheiros estão novinhos", comenta Christian Ricardo dos Santos, diretor do colégio, enquanto percorre os corredores segurando uma placa que acaba de ganhar da Secretaria da Educação do Paraná.
A homenagem é um reconhecimento ao Colégio Estadual Cívico-Militar Milton Carneiro, uma "escola ouro" em razão da nota obtida no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2025, divulgado pelo Ministério da Educação.
Os alunos, a maioria moradores das comunidades pobres da Vila Pantanal e da Vila Nova, obtiveram nota 5,6 nos anos finais do ensino fundamental e 5,2 no ensino médio, acima da média nacional (5,0 e 4,3, respectivamente).
O desempenho do Paraná no Ideb, o mais alto entre as redes estaduais, é atribuído pela secretaria a um conjunto de fatores, incluindo aulas adicionais de matemática e português.
"A gente chama de recomposição de aprendizagem, que são quatro aulas a mais por semana no terceiro ano do ensino médio —duas de português e duas de matemática—, para recuperar o que o aluno não aprendeu nos anos anteriores", diz o secretário da Educação, Roni Miranda.
"Não é aquele reforço escolar tradicional, que acontecia em turno diferente e não tinha adesão. Colocamos no mesmo turno, dentro da grade de 30 horas semanais. E são aulas para todos: o aluno que vai bem é monitor para ajudar os colegas", explica.
Termômetro da educação pública do país, o Ideb considera as notas do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), um dos indicadores do REE-F. O Paraná também se destaca na taxa de matriculados e na baixa evasão do ensino médio.
Segundo Miranda, não há uma "bala de prata". "É um conjunto de ações. Ensino médio é um desafio para toda a educação brasileira", afirma.
No caso paranaense, ele cita o controle de faltas, a busca ativa e a oferta de três refeições por turno. "Quando chega, o aluno lancha. Perto das 10h tem um buffet, praticamente um almoço, com arroz, feijão, carne e salada; na saída, leva outro lanche", diz Miranda.
"No começo, achavam que o buffet causaria desperdício ou algazarra, mas o processo se naturaliza. Tem até economia, porque o estudante só pega o que vai comer", conta.
O diretor da escola no Alto Boqueirão concorda. "A comunidade é carente e tem aluno que vem esperando a merenda", diz Christian.
A realidade socioeconômica interfere na permanência dos jovens. "Quase 80% são da Vila Pantanal e da Vila Nova, vivendo em casas precárias que sofrem com alagamentos. Se deixar a busca ativa de lado, a gente perde", avalia o diretor.
"Às vezes o pai consegue uma diária de servente e, se levar o filho para ajudar, ganha dobrado. Ou uma empresa avisa que vai dar papelão e eles vão lá ajudar. Boa parte dos pais trabalha com reciclagem", conta Christian.
Ele destaca que o Pé de Meia, programa do governo federal de incentivo à permanência escolar, também gera impacto. No balanço divulgado em abril pelo Ministério da Educação, quando o programa completou dois anos, 202.444 estudantes paranaenses já tinham sido beneficiados, recebendo R$ 200 mensais por frequência e R$ 1.000 por ano concluído.
Sobre a frequência, Miranda explica que há acompanhamento constante. Com três faltas seguidas ou sete alternadas em três meses, a escola liga para a família. "O aluno não desiste de um dia para o outro, ele começa a dar sinais."
A oferta de cursos técnicos na carga horária do ensino médio também combate o abandono. Quase 40% dos alunos da rede estadual estão matriculados no ensino técnico. Os cursos variam conforme a região: gestão portuária no litoral, hotelaria em Foz, indústria e tecnologia em Curitiba, e saúde e educação em todo o estado.
O Paraná também é destaque no REE-F em áreas como saneamento, saúde, segurança e infraestrutura. A gestão Ratinho Junior (PSD) atribui o resultado ao investimento público, viabilizado por uma dívida negativa (capacidade de quitar débitos e manter saldo positivo).
Até setembro de 2026, foram empenhados R$ 7,77 bilhões para investimentos, a maior parte em obras estruturantes de rodovias e municípios. O governo destaca ainda parcerias privadas pelo Paraná Competitivo, criado na gestão Beto Richa (PSDB).
Em troca de investimentos, o estado concede renúncias fiscais. Segundo a Secretaria da Fazenda, cada R$ 1 investido gera R$ 3,79 no PIB estadual.
Na área de saneamento, a estatal Sanepar atende 343 dos 399 municípios do Paraná e planeja antecipar a meta do Marco Legal do Saneamento Básico de 2033 para 2029.
Atualmente, 82,9% da população atendida conta com rede coletora de esgoto, e a meta é atingir 90% até 2029, com investimentos superiores a R$ 13 bilhões. Trinta e seis cidades, como Maringá, Cascavel, Pinhais, Londrina e Curitiba, já ultrapassaram essa marca.
Contudo, municípios menores enfrentam desafios ligados a desigualdades regionais, alto custo de infraestrutura e exigências ambientais.
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