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Tuesday, November 3, 2026

Veja motivos que fazem conta de luz no Brasil ser mais cara do que a de outros países com o mesmo perfil de geração de energia

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Uma mini cidade na Zona Norte do Rio com mais de 400 apartamentos e 3 mil moradores. A estrutura é moderna, com tomadas, lâmpadas e elevadores inteligentes. Mas a conta de luz chega a R$ 40 mil por mês e é um dos itens que mais sobrecarregam o preço do condomínio.

“Ela vai refletir aí entre 20% até 40% do custo total do boleto. Isso nos impede de fazer novos investimentos”, afirma o síndico profissional Jorge Lima.

Entre os produtos e serviços que compõem o índice de inflação, a energia tem o terceiro maior peso. Só perde para a gasolina e planos de saúde. Mas por que, se quase 90% da nossa energia vem de fontes renováveis, principalmente das usinas hidrelétricas e com participação crescente da eólica e solar?

Um estudo do economista da Fundação Getúlio Vargas Daniel Duque, encomendado pelo Centro de Liderança Pública, mostra que mais de dois terços da fatura não têm relação com o custo da energia em si. Em 2025, a parcela referente à energia respondia por cerca de 30,4% da conta de luz. Ou seja, em uma conta de R$ 1 mil, apenas R$ 300 correspondem à energia elétrica. A distribuição, 26%; transmissão, 10%; encargos setoriais que mantêm programas sociais e subsídios, por exemplo, para a irrigação na agricultura: 15%; e tributos, 18%.

A exigência de leis que determinam a compra de parte da energia de termelétricas e hidrelétricas de pequeno porte e o sistema de bandeiras tarifárias, que encarece a luz quando a seca reduz a água nas hidrelétricas, também contam.

Veja motivos que fazem conta de luz no Brasil ser mais cara do que a de outros países com o mesmo perfil de geração de energia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Em um ranking de 138 países, o Brasil não está no topo com energia mais cara. Mas temos tarifa acima de países com o mesmo perfil renovável, como Canadá, Noruega e China, que conseguem converter o uso desses recursos em preços mais baixos.

“A gente também precisaria de uma maior coordenação, por exemplo, entre governo federal, estadual e municipais para, por exemplo, reduzir as perdas de transmissão e distribuição, que também são mais altas no Brasil do que em outros lugares do mundo”, afirma Daniel Duque, economista da FGV Ibre.

“Olha, eu estou agora em uma grande empresa de processamento de pescado. Sabe a temperatura aqui? - 25ºC na câmara fria. É claro que o preço da energia elétrica pesa, e muito, no orçamento do setor produtivo. A indústria passa a ter produtos mais caros e perde competitividade com outros países. Aqui nessa indústria, a energia é fundamental durante todo o processo, do barco do pescador até a mesa do consumidor final”, diz o repórter Helter Duarte.

A empresa existe há 82 anos e o custo da energia elétrica é um entrave cada vez maior para o crescimento. Para reduzir os custos, a fábrica investiu pesado em produção de energia solar, com duas usinas; trocou equipamentos por outros mais eficientes; e usa a inteligência artificial para gerir o consumo. A redução no custo chega a 30%.

“O cenário ideal seria uma política pública que trouxesse essa energia que a gente produz com bastante eficiência, uma energia limpa, barata. Teria como consequência produtos mais baratos na mesa do consumidor, mais emprego, mais investimento, mais trabalho e renda, e, consequentemente, um crescimento maior do nosso país”, afirma Cacio de Moura Rodrigues, gerente de Meio Ambiente da Frescatto.
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