Adriane Galisteu apresenta mesacast sobre menopausa após 'experiência intensa': 'Fogo é o que a gente vive'

Adriane Galisteu está com um novo projeto em frente chamado Círculo de Fogo, novo mesacast em que apresenta, juntamente com convidados, para refletir sobre um tema que se tornou caro para ela nos últimos anos: a menopausa. Para a Quem, a apresentadora trouxe detalhes do programa, cuja criação foi muito motivada por sua própria experiência durante essa fase da vida feminina. Outro tema caro à iniciativa é o climatério, momento em que a mulher passa para a frase não reprodutiva.
Apesar de abordar o assunto nas redes sociais e ter escrito um livro sobre ele, Menopausa Sem Mistérios (2025), viver essa fase não foi fácil para Galisteu. "Vivi a menopausa de um jeito muito intenso, muito difícil, e resolvi falar sobre isso publicamente algum tempo atrás, em uma época em que poucas mulheres falavam do assunto", diz.
"Hoje tem muito mais mulheres conhecidas falando; esse assunto está um pouco mais difundido, mas ainda está anos-luz do que a gente tem que fazer. Tem muitas que ainda chegam na menopausa e ficam desesperadas porque se percebem diferentes e têm vergonha, porque é um assunto supertabu, infelizmente", reflete.
Galisteu conta que, socialmente, a menopausa "carrega junto o preconceito, uma história ruim de mulher no Brasil -- principalmente falo daqui porque isso é mais grave do que em outros países". O programa não fala apenas sobre a menopausa, mas também sobre outros assuntos importantes, como a vida sexual, profissional e a maternidade.
Apesar disso, a apresentadora conta que a reflexão em torno das transformações destes elementos é provocada pela menopausa, que, para ela, assumiu o lugar da menstruação como tabu. "Tudo começa no climatério e na menopausa, ela é o start disso. Você vai tocando a sua vida de um jeito, passa pela menstruação, todo mundo vibra com a menstruação, que é uma fase da vida da mulher que ninguém mais fala porque não é mais pauta", diz.
"Falar de menstruação era capa de revista, lá atrás, e hoje todo mundo entende a menstruação. Hoje a pauta está na menopausa, que daqui a alguns anos também não será mais pauta, porque não vai ter mais essa questão para se discutir. Já vai ter entendido que é uma fase da vida da mulher e que não é o fim de uma mulher, é apenas mais uma curva de sua vida", fala.
Galisteu afirma que é essencial falar mais sobre o tema para atingir uma gama mais variada de telespectadoras. "Eu preciso atingir as mulheres do Brasil inteiro, as que moram muito distantes da capital, que têm um relacionamento tóxico, vivem em casa em silêncio e são silenciadas não só pelo marido, mas pela sociedade de uma maneira geral", destaca.
Bastidores da criação do programa
Segundo Galisteu, o nome do mesacast, Círculo de Fogo, reflete este período na vida da mulher. "Nós mulheres, de 45 [anos ou] mais, chegando ao climatério e à menopausa, fogo é o que a gente vive", explica. A apresentadora fala que, para reforçar essa ideia, o programa conta com uma mesa vermelha que vai ficando mais intensa conforme se trata de um assunto "mais caliente".
"A ideia é trazer mulheres que tenham história para contar, que sejam fortes, que estejam no climatério ou na menopausa ou já prontas para começar a entender esse assunto, porque esse é um assunto que interessa às mulheres de uma maneira geral. A gente está falando da saúde feminina", afirma.
A apresentadora afirma que o mesacast "é mais uma forma de me comunicar com o seu público-alvo, a mulher". "Sempre foquei, ouvi e falei para a mulher. Quando escolho uma roupa para vestir no programa, um assunto para falar, é sempre pensando na mulher".
Galisteu também afirma querer "trazer mais mulheres para perto". "A gente fala com uma mulher nas redes sociais, outra num videocast, mais uma outra num livro, e com outra por meio do meu programa. Nunca penso que estou falando com a mesma mulher em todos os lugares; sempre estou tentando trazer mais para perto de mim, que elas me conheçam mais e que eu possa trocar com elas".
O programa, em parceria com o Grupo Nose e previsão para novembro, traz ainda a participação contínua do doutor André Vinícius, que oferece uma visão especializada sobre os assuntos que estão sendo tratados. Inclusive, foi ele que ajudou Galisteu durante o seu tratamento inicial da menopausa.
"Ele me tirou do fundo do poço, porque me vi muito mal, muito sem informação, ignorante no assunto, sem saber para onde correr. E eu chego no doutor André Vinícius, que já conheci desde 2014, mas eu nunca tinha falado com ele sobre esse assunto, e nem sabia do quanto ele era expert em hormônio feminino", detalha.
"O descubro de novo pelas redes sociais falando de hormônio e ligo para ele em pânico e falo: 'pelo amor de Deus, o que está acontecendo comigo?'. Ele me dá uma aula e não uma consulta. A partir do momento em que tenho uma aula sobre menopausa, começo a me ver nesse lugar e aceitar a menopausa, porque demorei para aceitar", admite.
Galisteu conta que o principal cuidado que teve com o mesacast foi a participação do doutor, mas que a ideia do Círculo de Fogo é falar sobre tudo livremente. "A gente não tem nenhum tipo de medo, tabu, vergonha para falar de sexo, de falta de grana, de libido, de colágeno e de tudo o que acontece na menopausa", frisa.
"Discutir o assunto é importante. Mas como mudo, de fato, a vida dessa pessoa [ouvinte]? Discutir só o assunto dela não muda a vida dela. Traz a gente para uma realidade diferente, mas o que ela pode fazer? Qual é o primeiro passo que ela tem que dar?", questiona.
"O doutor André Vinícius amarra a nossa história e, às vezes, até corrige a gente, porque, durante a nossa conversa, [podemos] ter falado coisas que não fazem o menor sentido. Apenas passa pela nossa cabeça e ele está lá no final para dar uma linha de raciocínio para isso de um jeito diferente", diz.
Segunda temporada
Galisteu já diz com entusiasmo que pretende começar a gravar uma segunda temporada para o mesacast no próximo ano. Apesar de ter convidadas ilustres como Cíntia Chagas, Márcia Fu e Silvia Poppovic, pretende trazer mais mulheres que admira ao programa.
"A minha ideia é ter a segunda temporada urgente, porque ficaram muitas mulheres importantes e que têm o que falar de fora do game. Mas a ideia foi trazer as mulheres que admiro, num primeiro momento, que têm história para contar, que são fortes e diferentes", explica.
A ideia é trazer mais "mulheres que estão no climatério com mulheres que já são menopausadas e que são reconhecidas publicamente como muito fortes no seu trabalho e reconhecidas apenas num ambiente ou nicho".
"Tenho uma lista de mulheres que amo e admiro, mas que não estão nessa temporada e que estarão com certeza na próxima", prevê. Galisteu afirmou não ter necessariamente "convidadas dos sonhos", mas que chegou a ter contato com outras pessoas que não puderam atender às gravações porque estas aconteceram durante um período de férias.
"Um monte de amiga minha me ligou e falou que queria fazer. Vou gravar a segunda logo mais, quando acabar A Fazenda, vou tirar umas férias, como sempre faço, e logo depois do Carnaval retomo o Círculo de Fogo para gravar a segunda temporada", garante.
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