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Saturday, October 17, 2026

Juros com tendência em queda, tecnologia em alta

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ARTIGO: Queda dos juros estimula a diversificação, enquanto inteligência artificial, dados e automação ganham peso na competitividade das gestoras

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Publicado em 17 de outubro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A indústria de fundos no Brasil entrou em um novo ciclo em 2026, marcado pela queda da Selic e pela transformação tecnológica das gestoras. Dados, inteligência artificial, nuvem e automação ganham espaço na análise de investimentos, na gestão de riscos e na eficiência operacional, enquanto a possível diversificação das carteiras amplia a demanda por infraestrutura tecnológica.

A indústria de fundos no Brasil está entrando em um novo ciclo e ele não é apenas econômico. O início do ciclo de queda da taxa de juros marca uma inflexão relevante para o mercado, mas o movimento mais profundo acontece nos bastidores: uma transformação estrutural impulsionada pela tecnologia.

Depois de atingir 15% ao ano, a Selic começou a recuar em 2026 e chegou a 13,75% em setembro. Ainda assim, a renda fixa segue predominante nas decisões de alocação. No primeiro semestre deste ano, os fundos de investimento registraram captação líquida de R$ 184,7 bilhões, mais que o dobro dos R$ 84 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Desse total, R$ 108,4 bilhões foram direcionados a fundos de renda fixa, segundo a ANBIMA.

À medida que o ciclo de redução dos juros avança, porém, a busca por retorno tende a estimular a diversificação e elevar o nível de sofisticação da indústria de fundos. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ocupar um papel central na competitividade das gestoras.

O movimento não acontece isoladamente. O sistema financeiro brasileiro como um todo tem acelerado seus investimentos em inovação. Até o fim de 2026, os bancos devem destinar R$ 50,4 bilhões à tecnologia, crescimento de 8% em relação ao ano anterior e de 58% nos últimos cinco anos, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.

Mais do que o volume, chama atenção a direção desses investimentos. Apenas em inteligência artificial, Analytics e Big Data, estão previstos cerca de R$ 3 bilhões neste ano. Outros R$ 3,9 bilhões devem ser destinados à migração para a nuvem, uma alta de 30% em relação a 2025. Dados, cloud e inteligência artificial estão no centro das estratégias das instituições financeiras, refletindo a necessidade de processar grandes volumes de informação e ganhar eficiência em escala.

No universo dos fundos, essa transformação se manifesta em três frentes principais. A primeira é o uso intensivo de dados. Em um ambiente cada vez mais dinâmico, a tomada de decisão passa a depender de análises em tempo real, integração de informações e modelos mais sofisticados. A inteligência artificial amplia essa capacidade ao permitir processar grandes volumes de dados com mais velocidade e apoiar processos que vão da análise à gestão de riscos.

A segunda frente é a integração do ecossistema financeiro. O avanço do Open Finance tem permitido maior compartilhamento de dados entre instituições, viabilizando produtos mais personalizados, processos mais ágeis e redução de fricções operacionais. Esse movimento também contribui para ampliar a capacidade das instituições de compreender seus clientes e desenvolver soluções mais aderentes às suas necessidades.

A terceira, e talvez mais crítica, é a eficiência operacional. Em um ambiente de maior competição, diversificação de produtos e pressão por eficiência, a capacidade de automatizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade passa a impactar diretamente a competitividade das gestoras. Tecnologias como inteligência artificial, machine learning e plataformas integradas deixam de ser diferenciais e passam a estruturar o core das operações.

Essa transformação ocorre em paralelo à ampliação do universo de investidores no país. Atualmente, 36% da população brasileira declara possuir algum tipo de investimento financeiro, e outros 23 milhões de brasileiros indicaram intenção de começar a investir em 2026, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha.

Esse aumento potencial de escala adiciona uma camada adicional de complexidade ao mercado. Mais clientes, mais produtos, mais dados e maior exigência por transparência, personalização e performance. O resultado é uma indústria que se torna, ao mesmo tempo, mais sofisticada e mais dependente de infraestrutura tecnológica.

Naturalmente, esse avanço também traz desafios. A adoção de novas tecnologias exige investimentos relevantes, maturidade na gestão de dados e atenção crescente à segurança e à regulação. O equilíbrio entre inovação, eficiência e governança será determinante para o sucesso das instituições nos próximos anos.

O fato é que a transformação digital do setor financeiro deixou de ser uma agenda futura. Ela já está redefinindo a forma como fundos são estruturados, operados e distribuídos. No próximo ciclo, performance não será definida somente pela estratégia de investimento, mas pela tecnologia que a sustenta.

'Perguntas frequentes'

Quanto os fundos de investimento captaram no primeiro semestre de 2026? +

Os fundos de investimento registraram captação líquida de R$ 184,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a ANBIMA. O valor superou os R$ 84 bilhões do mesmo período de 2025, e R$ 108,4 bilhões foram destinados a fundos de renda fixa.

Como a queda da Selic pode afetar a indústria de fundos? +

A redução da Selic tende a estimular a busca por retorno e a diversificação dos investimentos. Nesse cenário, as gestoras passam a depender mais de tecnologia para analisar dados, administrar riscos e operar produtos mais sofisticados.

Quais tecnologias estão transformando a gestão de fundos? +

Inteligência artificial, machine learning, análise de dados em tempo real, computação em nuvem e plataformas integradas estão entre as principais tecnologias citadas. Esses recursos apoiam a análise de investimentos, a gestão de riscos, a automação de processos e a redução de custos.

Quanto os bancos devem investir em tecnologia em 2026? +

Os bancos devem destinar R$ 50,4 bilhões à tecnologia até o fim de 2026, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária. A previsão representa alta de 8% em relação a 2025 e de 58% nos últimos cinco anos.

Quantos brasileiros pretendem começar a investir em 2026? +

Outros 23 milhões de brasileiros declararam intenção de começar a investir em 2026, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha. O levantamento também aponta que 36% da população brasileira já possui algum tipo de investimento financeiro.

Quais são os desafios da transformação tecnológica das gestoras? +

As gestoras precisam realizar investimentos relevantes, amadurecer a gestão de dados e ampliar a atenção à segurança e à regulação. O equilíbrio entre inovação, eficiência e governança será decisivo para a competitividade das instituições.

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Diretor da unidade de Fundos da Evertec. Economista formado pela FAAP, possui MBA pela USP, mestrado em Gestão para Competitividade pela FGV e formação executiva pela Wharton School e pela University of British Columbia (UBC).

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