PM que matou mulher é investigado por matar suspeito de roubo em SP


O policial militar André Coelho Máximo da Costa, 30, que matou Camila Pereira da Silva, 32, com um tiro durante abordagem em Pirituba, na zona norte, também é investigado pela morte de um homem em São Paulo. Em dezembro de 2025, ele efetuou quatro dos nove disparos feitos por dois policiais durante uma ação que terminou com a morte de Leandro Brito Fagundes, 39.
Como foi o crime
A morte de Leandro ocorreu durante uma tentativa de roubo na zona oeste de São Paulo. Em 2 de dezembro de 2025, André estava de folga, acompanhado de outros dois policiais em um automóvel, quando presenciou um motociclista com uma arma, identificado como Leandro, que estaria ameaçando um casal que estava dentro de um carro na avenida Corifeu de Azevedo Marques, no Rio Pequeno.
Os policiais efetuaram nove disparos durante a intervenção. Segundo a perícia, quatro tiros partiram da arma de André e cinco da de David Santos Maia, que também participou da abordagem. Leandro foi socorrido pelo SAMU, mas morreu no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo.
A arma usada por Leandro era uma imitação de pistola incapaz de disparar munição letal. A perícia constatou que o objeto estava sem carregador e com parte dos mecanismos internos ausentes.
Versão do policial
André afirmou que atirou porque Leandro apontou a arma em sua direção. Segundo o PM, ele se identificou como policial e ordenou que o homem soltasse o objeto, mas Leandro teria se virado em sua direção. "Me identifiquei como policial e pedi para ele soltar a arma, neste momento ele virou em minha direção com arma em mãos e efetuei 4 disparos para cessar a injusta agressão", declarou.
O casal que sofreu a tentativa de roubo disse que não percebeu imediatamente a intervenção policial. As vítimas relataram que tentavam acalmar o motociclista, que batia com a arma no vidro do carro, quando ele caiu no chão. Nenhuma delas relatou ter ouvido uma ordem de parada antes dos disparos.
A perícia identificou cinco ferimentos de entrada de projéteis nas costas e no flanco de Leandro. Ao todo, o Instituto Médico Legal registrou dez ferimentos de entrada, além de lesões em órgãos como coração, pulmões, fígado e baço. O exame não permitiu determinar quantos tiros de cada policial atingiram a vítima. A causa da morte de Leandro foi politraumatismo.
A morte é investigada pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). O inquérito teve prazos prorrogados para a conclusão de exames e a coleta de depoimentos. Os policiais não usavam câmeras corporais, e a investigação não encontrou imagens do momento dos disparos. A reportagem tenta contato com a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo). O texto será atualizado tão logo haja manifestação.
A reportagem tenta contato com a defesa de André. O contato de David não foi encontrado para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
Morte de mulher levou à prisão do PM
André matou Camila Pereira da Silva durante uma abordagem em Pirituba, na zona norte de São Paulo. O caso ocorreu ontem, quando a mulher, que segurava uma faca, foi atingida por um tiro.
O delegado responsável pelo caso apontou uso excessivo da força e determinou a prisão em flagrante do policial. Segundo a análise das imagens, Camila estava a vários metros dos agentes, com os braços abaixados e sem fazer movimentos de ataque no momento do disparo.
O PM afirmou que atirou porque a mulher avançava com uma faca e desobedecia às ordens para parar. André declarou que havia recuado até encontrar um caminhão que impedia seu deslocamento. Segundo a versão dele, nesse momento efetuou um único disparo contra Camila.
André foi solto hoje, após audiência de custódia. Ele deverá cumprir medidas determinadas pela Justiça, ficará impedido de utilizar arma de fogo e passará a exercer atividades administrativas na Polícia Militar.
A defesa sustenta que o policial seguiu os procedimentos da corporação. O advogado Mauro Ribas afirmou que André só atirou quando não tinha mais possibilidade de recuar e classificou a prisão como uma decisão de caráter político e eleitoreiro.
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