Executivos brasileiros trocam o Vale do Silício pela China atrás de inovação
São Paulo A foto que antes era feita na frente da fachada do Google agora mostra o logo da Tencent, da ByteDance ou do Alibaba. O vídeo gravado dentro de um carro autônomo da Waymo rodando por São Francisco já impacta menos do que os dos robôs chineses que prometem fazer tudo.
Publicações em perfis do LinkedIn de empresários e executivos brasileiros expõem uma mudança no eixo das viagens atrás de inovação: textos e imagens que antes citavam e mostravam o Vale do Silício, na Califórnia, foram substituídos por registros em Shenzhen, Xangai e Hangzhou, na China.
É crescente o número de missões organizadas para o país asiático, principalmente, desde o ano passado, quando caiu a necessidade de visto para viagens de curta duração. Nelas, executivos e empresários visitam empresas, incubadoras de startups, centros de pesquisa e universidades. E, claro, também vão a pontos turísticos, como a Muralha da China, e tiram muitas fotos.
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Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões"O novo está no Oriente", afirma In Hsieh, empresário de origem chinesa pioneiro na organização de missões para o país asiático. Ele cita uma "mudança no deslocamento de inspiração".
Um motivo, segundo ele, seria que tudo o que acontece nos EUA chega mais rápido aqui do que o que é novo no outro lado do mundo. "O modelo de ir ao Vale (do Silício, na Califórnia) ficou enlatado e sem muita novidade", diz In Hsieh.
A avaliação no mercado de agências que organizam viagens de executivos é de que há um movimento de manada de procura pela China.
"O brasileiro está assustado. Viu muita coisa nova chegar para competir. Agora quer entender o que acontece na Ásia antes de chegar no Brasil", afirma Fabio Neto, sócio da StartSe.
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A empresa de educação executiva organizou mais de 20 missões para a China em 2026, o dobro do total realizado para o Vale do Silício. A alta na demanda foi um dos motivos que levaram Neto a se transferir para Xangai, em setembro.
As viagens de imersão custam a partir de R$ 36 mil, com, no mínimo, seis dias. Os pacotes incluem passagem, estadia, deslocamento e roteiro de visitas. No caso da StartSe, a maioria das missões é customizada, organizada para empresas levarem executivos e clientes, mas há opções para quem quiser entrar em grupos abertos, com vagas avulsas.
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Na lista de empresas que embarcaram executivos brasileiros estão gigantes como Ambev, Bradesco, McDonald's, iFood, Volkswagen e General Motors. Muitas são de setores atingidos pela concorrência de grupos chineses no mercado local.
"Precisamos aprender com eles", admite Fábio Rua, vice-presidente da GM para a América Latina, que esteve em missão na China este ano com outros executivos da empresa.
O setor automotivo foi um dos mais impactados pela competição com os chineses nos últimos anos. Com mais de cem anos de presença no país, a GM viu a BYD ficar bem próxima do total de emplacamentos nos últimos meses, num mercado que já tem mais de uma dezena de montadoras da China.
"Não precisamos ir lá para conhecer a concorrência, ela está aqui", diz Rua. O objetivo principal, segundo ele, foi colocar os profissionais da montadora em contato com o "ecossistema de inovação" do gigante asiático.
Para isso, visitaram empresas de tecnologia para saber como usam IA generativa, robótica e como evoluíram nos meios de pagamento.
Entre os destinos obrigatórios das missões brasileiras estão Alibaba, ByteDance, Tencent, Xiaomi, Baidu. Em comum, elas fogem de uma lógica setorial, aponta Fabio Neto.
"A Alibaba, por exemplo, é varejo? Sim, mas é tecnologia, é logística, é financeira, com meio de pagamento, é tudo", afirma.
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O fato de grande parte dessas gigantes já estar no Brasil teria impulsionado o movimento de ida para a Ásia. "Quase todo mundo será concorrente ou parceiro de uma empresa chinesa no Brasil", diz In Hsieh.
O interesse prático de quem faz negócios também flerta com outro elemento mais abstrato, batizado de Chinamaxxing. O termo virou hashtag e foi definido pela Economist como a "fascinação das redes sociais ocidentais por tudo o que é chinês".
O fenômeno ganhou força nos últimos anos com postagens de turistas que mostram hábitos típicos locais, aspectos culturais e avanços tecnológicos.
"As referências que antes eram dos EUA começam a migrar para as chinesas", afirma Mônica Magalhães, da agência Moovers, que estreou este ano no mercado de missões para o país asiático.
Curiosamente, o Chinamaxxing virou algo popular nos Estados Unidos, que disputam uma corrida tecnológica com o rival asiático. Nessa maratona, o domínio da inteligência artificial seria a linha de chegada.
A velocidade chinesa na IA foi o que levou a Zup, empresa de tecnologia comprada pelo Itaú em 2019, a enviar 16 funcionários ao país este ano. "Tem algo diferente sendo feito lá e precisávamos ver de perto", afirma o vice-presidente Marco Bonas.
Ele cita os exemplos que viu de times híbridos em empresas, com funcionários digitais e humanos trabalhando juntos. "Eles têm um nível de celeridade absurdo para implementar as coisas", diz.
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Foi a primeira imersão de executivos da empresa no país asiático. Bonas conta que eles já viajavam todos os anos para feiras e missões nos EUA e na Europa. "A China agora virou nosso destino obrigatório", diz.
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