ESPN DeportesPackers perdonan, pero siguen arriba ante CowboysThe Jerusalem PostPolymarket bets favor Eisenkot over Netanyahu ahead of Israeli electionESPNBuzz: Rams' loss to Cardinals sends shockwaves through survivor poolsPunch2027: Wike, lawmakers meet Fubara in Rivers한겨레혁신당, 새 조희대 탄핵안 공개…민주당에 “역풍 걱정 거두고 즉각 동참하라” 압박Daily MaverickAMABHUNGANE: Analysis — Cape Town ‘gang boss’ Ralph Stanfield’s courtroom showdown loomsZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioUOLDesafio de Lula para abrir sigilo pegou bem nas qualis do PTالنهارالزمن الأول تحوّل… مجرد ميليشيا!경향신문HD현대, 미국 현지서 무인수상함 기술 시연…한국 기업 최초سكاي نيوز عربيةأوباما يدين مداهمة منزل إلهان عمر ويعتبرها "محاولة ترهيب"Daily MailBella Hadid stuns in separate sensational looks on runway at Victoria's Secret Fashion Show 2026
The Daily Newsstand · Free, Always
Monday, October 19, 2026

Manifestações em Lisboa e no Porto, mas por Portugal?

Translate

A manifestação chamava-se “Não Dá Mais” e realizou-se em Lisboa e no Porto. O tema era claro: habitação, salários, custo de vida, precariedade e a impossibilidade crescente de tantos portugueses viverem com dignidade no seu próprio país.

Não falta matéria para protestar. Há famílias que não conseguem pagar a renda, jovens que adiam a saída de casa dos pais, trabalhadores que vivem longe do local onde trabalham porque já não conseguem suportar os preços das cidades e pessoas que, mesmo trabalhando, deixaram de conseguir construir uma vida estável.

Mas basta olhar para as imagens da marcha para surgir uma dúvida simples: onde estava Portugal?

Ao longo da manifestação viam-se dezenas de bandeiras palestinianas. É legítimo que cada pessoa leve a bandeira, a causa ou a solidariedade que entende defender. Mas seria razoável esperar que, numa marcha realizada em Lisboa e no Porto para denunciar problemas portugueses, a bandeira portuguesa tivesse uma presença proporcional à causa que levou as pessoas à rua.

Vi uma bandeira de Portugal, no meio de dezenas de bandeiras palestinianas. É um contraste que merece ser assinalado. Numa manifestação sobre a vida difícil em Portugal, a imagem dominante não foi a do país, das suas famílias, dos seus trabalhadores ou dos seus jovens. Foi a de uma causa externa que, por mais relevante que seja para quem a defende, não resolve a renda de uma família portuguesa, não constrói uma casa no Porto nem aumenta o salário de quem trabalha em Lisboa.

Nas imagens transmitidas pela SIC, no início da marcha, via-se uma bandeira que encabeçava o cortejo. Inicialmente identifiquei-a erradamente como sendo do Coletivo Ruptura. Trata-se, afinal, de uma referência ao universo do videojogo Assassin’s Creed. Não altera o argumento central sobre a simbologia presente no protesto, mas esse ponto deve ser corrigido.

A ironia é difícil de ignorar. Pessoas saem à rua porque não conseguem arrendar ou comprar casa, enquanto uma das bandeiras presentes representa um coletivo que defende a abolição da propriedade privada. Pessoas protestam porque é cada vez mais difícil constituir e sustentar uma família, enquanto esse mesmo coletivo assume como objetivo a abolição da família. Pessoas exigem respostas para problemas concretos que dependem de políticas públicas eficazes, enquanto a bandeira defende a extinção do Estado.

Há, porém, uma questão ainda mais funda. A crise da habitação não é apenas a incapacidade da economia para construir as casas de que o país precisa. É também a crise de uma sociedade que parece já não saber o que quer preservar.

Uma casa não é apenas uma unidade habitacional, uma estatística ou um ativo financeiro. É o lugar onde se constitui uma família, se criam filhos, se constrói autonomia, se protegem memórias e se assegura continuidade entre gerações. É, em muitos casos, a base material de uma vida digna.

Portugal não nasceu ontem, nem começou numa assembleia de ativistas. Assenta numa história longa, numa matriz civilizacional europeia e cristã, numa língua, numa cultura, numa ideia de família e numa comunidade política chamada Nação. Tudo isto pode ser discutido, aperfeiçoado e vivido de muitas formas.

Mas não pode ser tratado como obstáculo a abater sem que se ataque, ao mesmo tempo, a continuidade do próprio país.

Por isso, combater ideologias que hostilizam a família, a propriedade, a liberdade religiosa, a identidade nacional e o Estado democrático é tão importante como exigir mais casas. Não através da censura ou da proibição genérica de ideias, incompatível com uma democracia livre, mas pela clareza, pelo debate e pela recusa de normalizar aquilo que destrói os alicerces sociais de que todos dependemos.

A luta por casas é indispensável. Mas tão indispensável como construir casas é defender a família que nelas vive, a liberdade que as protege, a comunidade que lhes dá sentido e o país onde essa vida deve ser possível.

Uma manifestação realizada em Lisboa e no Porto sobre a vida impossível em Portugal, com dezenas de bandeiras palestinianas, uma bandeira pela abolição da família, da propriedade privada e do Estado, e apenas uma bandeira portuguesa que consegui ver.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.