ACM Neto retira a máscara e abraça o bolsonarismo

Flávio só conseguiu vencer Lula em quatro dos 417 municípios da Bahia. Por ironia, a cidade que deu a maior vantagem ao candidato do PL — 62,03% contra 32,51% de Lula, leva o nome do familiar de ACM Neto: Luís Eduardo Magalhães, localizada no oeste do estado.
Agora, depois de amargar mais uma derrota, parece ter sobrado pouco espaço para a ambiguidade de ACM Neto. No primeiro pronunciamento após o resultado, no domingo mesmo, ACM Neto disse que, para mudar a Bahia, seria preciso primeiro mudar o Brasil. Hoje, seu partido, o União Brasil, formalizou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial. Lá estava ACM Neto, enfraquecido, prometendo fazer campanha e dar a vitória ao bolsonarismo na Bahia, coisa que não conseguiu nem para ele próprio.
No palanque do bolsonarismo, ACM Neto se encontra com outros nomes que, assim como ele próprio, estão relacionados às denúncias de corrupção do Caso Master, como o candidato Flávio Bolsonaro, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente do PP, Ciro Nogueira, derrotado na tentativa de se reeleger ao Senado, após 31 anos no poder.
Se não conseguiu vencer o PT na Bahia, ACM Neto passa a apostar na derrota nacional do lulismo como caminho para tentar reconstruir seu espaço político. É uma aposta de alto risco. Porque Lula continua com força política, capaz de garantir a vitória do seu time — além de Jerônimo, foram eleitos os senadores Rui Costa e Jaques Wagner — mesmo com todos os problemas enfrentados pelas administrações petistas no estado, como o aumento da violência, a fila da regulação na saúde e a perda de renda, que faz da Bahia um dos estados mais dependentes do Bolsa Família. Em 2025, a Bahia acumulava 2,48 milhões de beneficiários do programa social, superando o número de 2,14 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada no estado.
Não se sabe se todo o grupo político carlista, que inclusive incentivou o interesse popular pela votação Lula-Neto, vai embarcar nessa empreitada bolsonarista.
Se, para ACM Neto, não há outra opção além de torcer pela vitória de Flávio e por um possível espaço na gestão bolsonarista, não se pode dizer o mesmo de outros carlistas, como o atual prefeito Bruno Reis (União Brasil), que pode se tornar mais independente. Eleito com ampla votação em 2024, Reis vem construindo capital político próprio. Já se apresentam, inclusive, nomes para a sucessão na Prefeitura de Salvador, entre eles o da vice-prefeita Ana Paula Matos, do mesmo partido.
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