RTP DesportoJudo/Mundiais. Miguel Gago já esqueceu Budapeste e quer melhorar em BakuThe Jerusalem PostUK's Greens adopt ‘Zionism is racism’ motion, become Europe’s first mainstream anti-Zionist partyPunchNorthern senators seek military action against Adamawa insurgentsESPNMariota ruled out as Commanders turn to 7th-round rookie at QBESPN DeportesColts y Commanders elevan el nivel de sus ofensivas y se cierra el juegoInquirerWalang pasok: In-person classes suspended Oct. 5 for Nat’l Teachers’ DayZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFVarietyZach Bryan Breaks Attendance Record at Robert Kraft’s Gillette Stadium While Wearing ‘Free Palestine’ Shirt for Second Night in a RowSportstarIndian sports wrap, October 4: India U-17 men share spoils with Myanmar in first friendly01netXiaomi 15 : ce n’est plus le roi, mais au prix d’un Redmi il vaut son pesant d’or (-47%)Premium TimesLawal flags off 95km road in Tsafe, says project will improve securityCBS NewsTranscript: Brett McGurk on "Face the Nation with Margaret Brennan," Oct. 4, 2026
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, October 4, 2026

O português nos bastidores do Nobel da Medicina

Translate

As portas abrem poucos minutos antes das 9h. A única peça decorativa no exterior do Sessionsal do Instituto Karolinska, em Estocolmo, é um retrato de Alfred Nobel. É com a imagem do inventor sueco como pano de fundo que os 50 professores daquela instituição se vão reunir. Um a um, os lugares vão ficando preenchidos. Primeiro na grande mesa redonda, que alberga a maioria dos especialistas, e só depois nos lugares perto das janelas. À frente de cada um está uma caneta e um bloco de notas: agora, só falta escrevem o nome do vencedor numa folha. Todos os anos, a rotina é a mesma. E a próxima segunda-feira não será diferente. No dia 5 de outubro, o mundo ficará a conhecer os novos laureados do Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina, pouco tempo após o encontro naquela mesma sala.

Gonçalo Castelo-Branco participou pela primeira vez nesta sessão em 2023, ano em que foi nomeado novo membro da Assembleia-Geral Nobel focada naquele galardão. Dentro daquela sala monocromática, dividida entre a cor da madeira da mesa, característica daquela região do mundo, e as paredes alaranjadas, os 50 professores escolhem de uma lista de candidatos cujo número é o mesmo ano após ano, mas que se mantém em segredo há mais de um século. Quando concluírem o período de deliberação, escrevem o conjunto de nomes no papel e colocam dentro de uma urna.

Este ano, pela primeira vez, Gonçalo Castelo-Branco terá de chegar à universidade umas horas mais cedo. O investigador tornou-se o primeiro português a integrar o Comité Nobel para a Fisiologia ou Medicina no final do ano passado, quando termina um ciclo e começa outro. Este órgão é o responsável por fazer todo o trabalho de investigação sobre centenas de candidatos nomeados por investigadores e entidades de todo o mundo, para se chegar à lista reduzida que será votada esta segunda-feira. E, por isto, passa a estar incluído na reunião que precede a votação, para garantir que está tudo em ordem para o derradeiro momento.

Dos 50 ilustres das várias áreas das ciências da vida, 18 pertencem ao clube mais exclusivo. Cinco são eleitos para mandatos de três anos, e depois há dez adjuntos que cumprem a função durante pelo menos um ano (pode ser renovado por um ano). Gonçalo Castelo-Branco está neste grupo. Os últimos três são o secretário-geral da assembleia, que maneja o martelo cunhado com um “N” — de Nobel — para coordenar as sessões, tal como o vice-secretário, e ainda um secretário adicional exclusivo do comité. Todos têm um papel fundamental na escolha dos novos laureados do prémio mais prestigiado do meio científico-cultural.

Mas com a responsabilidade vem também o secretismo. Parte do “prestígio” associado desde sempre a este reconhecimento vem do facto de a identidade dos nomeados — e quem os nomeia — só ser conhecida 50 anos após a votação. Por exemplo, neste momento, é possível consultar quem estava na calha para vencer o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina desde 1905 até 1975. E, em entrevista ao Observador, o investigador luso-sueco, que está no Instituto Karolinska há mais de duas décadas, avisa que algumas perguntas não terão resposta, devido a indicações dadas pelo responsável da Assembleia Nobel, bem como a existência de um contrato de confidencialidade.

Apesar das limitações, Gonçalo Castelo-Branco manifesta um “entusiasmo” que, com os anos e com o seu maior envolvimento no processo de seleção, não tem vindo a diminuir. “A semana Nobel é sempre entusiasmante. Desde que vim para cá, há filas para entrar e assistir ao anúncio. Tentava estar lá sempre, para ver, mas quando não dava, via no YouTube. Agora estou no outro lado, é totalmente diferente”, afirma. Até porque, ainda antes de o anúncio ser feito, o português já sabe quem venceu.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.