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Sunday, September 20, 2026

A faixa presidencial vai vir apertada

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A eleição para presidente este ano vai ser decidida mais ou menos assim.

As pesquisas mostram que, seja qual for o resultado, a vitória de um dos candidatos vai ser mais apertada que um espartilho.

Não será nada sexy.

Será sufocante para um país que já respira por aparelhos.

O novo presidente será eleito com uma diferença de pouquíssimos votos; à moda peruana, talvez com diferença percentual na totalização das urnas de menos de um ponto.

Menos de 300 mil votos. Uma cidade média.

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Será legítimo, naturalmente. Está na regra.

Mas com quase metade do eleitorado do outro lado da trincheira.

Guerra mesmo.

Pode esperar.

E, na guerra, vale tudo.

A polarização, ainda maior que a do atual governo, vai atormentar o próximo mandatário como um fantasma de filme de terror.

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O Congresso não estará necessariamente fragmentado.

Mas construir maioria exigirá bem mais que conversa simpática, se é que vocês me entendem.

Parlamentares se apaixonam por quem tem caneta e rabiscam listas enormes de pedidos.

Alimentada pelas redes sociais — e por uma parte da imprensa que sentou na arquibancada para gritar palavras de ordem durante a campanha —, a opinião pública estará assanhada.

O Judiciário... ah, o Poder Judiciário. Ou se enquadra, ou o facão vai passar por lá.

Não é exatamente um cenário que empolgue um candidato.

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Mas o poder alimenta.

O novo presidente não terá tempo de curtir a faixa presidencial. Apertada, apertada, cada vez mais apertada no peito.

Um movimento em falso, e ela rasga.

E este homem, com milhões de votos a favor e contra, terá que respirar ofegante e corajosamente para adotar medidas antipáticas de combate a uma crise já contratada; terá que estancar a sangria eleitoreira do déficit fiscal; enfiar o dedo na ferida da Previdência; ter armas e força para guerrear com o crime organizado, no limite da violência que esse enfrentamento exigirá.

E esses são só exemplos.

Serão desafios viáveis para um presidente odiado pelos meus vizinhos de baixo e de cima?

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Um passo em falso, e o presidente estará no cadafalso.

A expressão é meio batida, mas vem aí uma eleição de três turnos.

Crise econômica vira rapidinho crise política.

Será a era dos escândalos, que, aliás, já começou.

Denúncias chegarão à Justiça e ao Parlamento aos borbotões: CPIs.

E como fica a tal da governabilidade?

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Medo. Será o país do medo.

E alguém descobre, no meio do caminho, que existe uma palavra capaz de incendiar qualquer país: impeachment.

Aprendemos o que é isso na história recente.

Motivados ou não. Justos ou injustos. São instrumentos políticos — não jurídicos — usados pela "oposição", quando o presidente gasta todo seu patrimônio eleitoral.

Escrevo "oposição" entre aspas porque ela não será apenas ideológica.

Pode ser fisiológica.

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Ou pode ser construída pela pressão popular.

Aqueles que votarão em um ou outro candidato agora, sem muita convicção, apenas para não votar no outro, não dão maioria segura para ninguém.

Serão volúveis. Voto volátil é o que veremos.

Pedido de impeachment não é impeachment. A Constituição exige dois terços da Câmara para a admissibilidade da acusação por crime de responsabilidade e, no julgamento pelo Senado, também dois terços para a condenação. Não é um botão vermelho que qualquer maioria possa acionar.

Mas tumultua o país.

O vencedor poderá interpretar cada ofensiva como tentativa de sabotar o mandato que recebeu das urnas. O derrotado poderá interpretar cada decisão do governo como prova de que precisa ser combatida. E cada lado terá suas próprias multidões, seus próprios influenciadores, seus próprios jornalistas, seus próprios fatos e, eventualmente, sua própria versão da realidade.

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O país poderá passar quatro anos tentando resolver nas instituições aquilo que não conseguiu resolver nas urnas.

E talvez essa seja a grande armadilha de uma eleição apertada: o vencedor ganha a Presidência, mas não necessariamente ganha o direito de desenvolver um projeto de quatro anos de poder.

Porque a eleição termina quando se contam os votos.

A disputa pelo poder, não.

Com Lula ou Flávio, serão anos difíceis.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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