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Friday, October 23, 2026

A falha no PHP que obrigou a desligar sites em todo o mundo

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta é a história do dia da Rádio Observador: a falha no PHP que obrigou a desligar sites em todo o mundo.

"Government agencies are scrambling to fix a worldwide glitch in website programming, which has been identified by artificial intelligence. Some Australian websites were unavailable this morning, including the Australian Signals Directorate, while it was fixed."

Da Austrália à Europa, um pouco por todo o mundo, milhares de sites tiveram que ser desligados por prevenção, depois de terem sido detectadas falhas críticas de segurança no PHP. É uma linguagem informática que ajuda no funcionamento de uma grande quantidade de sites, desde logo governamentais, mas também de hospitais ou escolas, ou até o conhecido WordPress. Mais precisamente, foram detectadas duas falhas nesta linguagem através de modelos de inteligência artificial que tornam os sites vulneráveis a possíveis ataques. Entretanto, já foi disponibilizada uma atualização que permite corrigir o problema, mas até isso acontecer, houve recomendações para retirar do ar sites que pudessem ser afetados por estas falhas. Vou conversar com Cátia Rocha. É jornalista da seção de economia do Observador e acompanha de perto estas questões relacionadas com a tecnologia. Eu sou o Luís Soares e esta é a história do dia de sexta-feira, 23 de outubro. Bem-vinda, Cátia.

Obrigada.

Cátia, o que se passa com a internet esta semana? Houve necessidade de desligar alguns sites. Tu explicas-nos o que se passou.

Esta história começa quando foi feito o alerta de que tinham sido detectadas, através de inteligência artificial, uma coisa que nós estamos sempre a falar, duas vulnerabilidades na linguagem de programação PHP.

Ou seja? Já vamos explicar.

Já vamos explicar o que isto quer dizer, que é uma coisa que muitas pessoas usam sem sequer saber. E esta linguagem de programação faz muitos sites funcionarem. Além deste alerta que foi feito para as vulnerabilidades, também foi divulgada uma atualização de segurança para acompanhar. É o que se chama o patch. Se há uma vulnerabilidade, é preciso um remendo, vamos usar esta expressão, e isso também foi lançado em simultâneo. E foi recomendada uma atualização urgente a todos os sites que usassem esta linguagem PHP. Ou para fazer uma atualização, ou mesmo por precaução enquanto isso decorria, muitos sites a nível global estiveram indisponíveis desta quarta-feira.

Então, Cátia, vamos lá perceber exatamente o que é isto do PHP.

É uma linguagem de programação que foi criada nos anos 90 e que ainda hoje continua a ser muito utilizada, e que é usada em muitos sites e muitas plataformas de compras.

Que usamos no dia a dia, portanto.

Sim, só que isto funciona nos bastidores. Uma empresa de segurança com quem precisei de falar para perceber o que estava a acontecer, usa aqui a analogia de um restaurante para explicar a importância deste PHP. Se o navegador, aquilo que nós utilizamos para navegar na internet, o Chrome ou Firefox, por exemplo, é o balcão deste restaurante, ou seja, o que o cliente vê, é o PHP que está a trabalhar na cozinha.

Está lá por trás.

É o que permite encontrar os dados e torná-los numa página que é perceptível para nós, utilizadores comuns, que não percebemos muito destas coisas de internet. E o site pode estar a usar PHP sem que os utilizadores finais percebam ou sem que isso sequer esteja explícito.

O certo é que estas falhas, como dizias há pouco, Cátia, foram detectadas através de modelos de inteligência artificial, o que creio que também não é muito habitual. Já tinha acontecido?

Já temos algumas opções e os principais laboratórios de inteligência artificial já começaram a fazer modelos específicos para cibersegurança.

Mas estas falhas detectadas são graves?

Sim, são consideradas vulnerabilidades críticas e numa escala de 0 a 10, receberam 9,2 de classificação.

Então é mesmo quase lá em cima, quase no topo.

Isto é um alerta muito importante, porque é estimado que o PHP seja usado em cerca de 70% dos sites mundiais, ou seja, é um número gigante. E um dos especialistas com quem falei considera que para ele isto até deveria ser uma falha acima de 9,2, pelo número imenso de sistemas que ficam vulneráveis. Porque estas vulnerabilidades e a forma como foram descritas, é dito que permitem executar comandos de forma remota e sem autenticação, ou seja, é uma das formas mais gravosas de conseguires comprometer um sistema informático.

E quais foram exatamente, Cátia, as consequências de tudo isto? O que foi possível perceber? Que sites estiveram offline? Que impacto teve exatamente isto tudo? O que foi possível perceber já do impacto de tudo isto?

A parte mais visível para as pessoas foi que muitos sites ficaram indisponíveis, mas hoje em dia, como há tantas questões de cibersegurança, as pessoas às vezes quando veem uma página indisponível já ficam: "Bem, se calhar foi um ataque ou foi outra coisa". Neste caso, muitos sites estavam indisponíveis porque estavam a fazer a atualização desta vulnerabilidade. Estiveram offline vários sites da Wikipédia, por exemplo. No Reino Unido estiveram também indisponíveis o próprio site do responsável pela cibersegurança do Reino Unido. O 4chan também esteve indisponível, muitos sites governamentais. Havia muita presença tanto em sites europeus como a nível mundial.

E em Portugal também houve sites sem funcionar, Cátia?

O próprio site do Centro Nacional de Cibersegurança ficou indisponível, por exemplo.

Se calhar também de forma preventiva para se actualizar, eventualmente.

Sim. E o ministro Leitão Amaro, ministro da Presidência, explicou esta quinta-feira, durante o briefing do Conselho de Ministros, que houve instruções do Centro Nacional de Cibersegurança para que fosse feita esta atualização e que muitas entidades públicas que usam o PHP estão agora a desligar-se temporariamente para fazer a atualização.

E depois quando voltarem à partida está tudo resolvido ou não, Cátia? É preciso só fazer esta atualização ou é preciso fazer mais coisas? O que é que podemos esperar agora que tudo isto foi detectado?

Tal como em tudo o que acontece em cibersegurança, é um não sabemos bem ou um não necessariamente. Algumas empresas que se dedicam a analisar a segurança da internet e o que é que está a acontecer e que fenómenos é que estão a ser detectados, referem que apenas algumas horas depois de ter sido feito este alerta para as vulnerabilidades, já tinham sido detectadas milhões de tentativas de ataque.

Ou seja, já tinha sido usada esta vulnerabilidade para realizar alguns ataques. Já se tinham apercebido que havia aqui qualquer coisa que podiam explorar.

Sim, por isso é que é recomendado que quem é responsável por um site faça o mais depressa possível esta atualização e que active proteções adicionais. Mas um ponto curioso é que tanto a inteligência artificial foi usada para detectar estas vulnerabilidades, como foi dito, mas o outro lado é também por causa da inteligência artificial que temos de estar atentos nos próximos tempos. Por quê? Porque a inteligência artificial acelerou muito a forma como são feitos estes ataques. É por isto que estas empresas podem dizer que algumas horas depois já havia milhões de tentativas. Não quer dizer que houvesse milhões de humanos a tentarem atacar os sistemas de uma empresa. É porque houve a automatização de tarefas para a IA. Portanto, ela tanto está no lado do vector da defesa como está no ataque também. E um dos alertas que é feito agora para os próximos tempos é que alguns sites ainda poderão continuar vulneráveis, porque temos, por exemplo, uma pequena empresa que tenha um site que venda as suas coisas online, provavelmente não está tão alerta para estas questões de cibersegurança ou não tem sequer a disponibilidade para fazer esta atualização. E portanto, para os próximos tempos, e já não se fala em meses, já se diz em semanas, se calhar, vamos ver provavelmente algumas empresas que ainda vão continuar a ser atacadas ou que tenham ainda esta vulnerabilidade disponível, a ser explorada.

Ou seja, ainda vamos ter que aguardar que tudo esteja atualizado para que isto esteja totalmente ultrapassado, mas para já, se calhar diríamos que o pior já passou no sentido em que os sites governamentais, aqueles que mais têm informação sensível à partida, serão atualizados e tudo isto estará ultrapassado, em princípio.

Vamos ver o que acontece nos próximos dias.

Obrigado, Cátia.

Obrigada.

Cátia Rocha é jornalista da secção de Economia do Observador e segue de perto o tema das novas tecnologias. Esta foi a história do dia. A sonoplastia é do Tomás Ferreira. A música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Luís Soares. Até amanhã.

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A falha no PHP que obrigou a desligar sites em todo o mundo — KioskNews