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Wednesday, November 4, 2026

‘Existe a chance do seu trabalho não aparecer’: este é o conselho deste CEO para crescer na carreira

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Ricardo Basaglia tinha uma convicção quando começou sua trajetória profissional: seria programador. Formado em tecnologia e tímido, imaginava uma carreira com pouco contato humano, distante de grandes reuniões, negociações e conversas decisivas. A vida corporativa, no entanto, apresentou outro caminho.

Hoje, Basaglia é CEO da Michael Page, uma das maiores empresas de recrutamento executivo do Brasil e da América Latina. Em 20 anos de atuação na companhia, já realizou mais de 10 mil entrevistas e se tornou uma das principais vozes do país quando o assunto é carreira, liderança e mercado de trabalho.

“Quando somos jovens, temos muitas convicções sobre o que seremos profissionalmente, e vem a vida e apresenta muitos caminhos que não imaginamos que existem”, afirma.

A trajetória do executivo ajuda a explicar uma das principais mudanças no mundo do trabalho: crescer na carreira já não depende apenas de domínio técnico. Exige repertório, leitura de contexto, comunicação, influência e capacidade de conectar diferentes áreas do negócio.

Da tecnologia ao comando de uma gigante de recrutamento

Basaglia costuma dizer que não fez um planejamento rígido de carreira. Ao contrário: aprendeu a observar as oportunidades, ouvir profissionais mais experientes e absorver histórias de quem já havia passado por desafios semelhantes.

Entender a linguagem de outras áreas exige visão integrada do negócio. O MBA Executivo da Saint Paul combina estratégia, finanças, gestão e tecnologia para quem já ocupa posições de liderança. A estrutura do programa está nesta página

Esse hábito, segundo ele, foi decisivo para sua evolução. Para o executivo, uma das formas mais eficientes de se desenvolver no ambiente corporativo é aprender com trajetórias reais — não apenas com teorias sobre carreira.

Aos poucos, o profissional que imaginava trabalhar isolado com programação passou a se conectar com pessoas, liderar equipes e ocupar a cadeira número um da Michael Page.

“Eu costumo dizer que, aos meus 20 anos, eu não tinha autoconhecimento, mas tinha convicção do que queria ser. Hoje, posso dizer que me conheço bastante, mas tenho pouca convicção do que quero, porque há muitas coisas para experimentar”, ele diz.

Por que habilidades comportamentais pesam tanto

Uma pesquisa realizada pela Michael Page mostra que 91% das pessoas são contratadas por habilidades técnicas e depois demitidas por questões comportamentais.

Para Basaglia, esse dado resume um erro comum de muitos profissionais: acreditar que a competência técnica, sozinha, será suficiente para sustentar o crescimento na carreira.

O executivo defende o modelo de carreira em “T”: primeiro, o profissional se aprofunda em uma área específica; depois, amplia sua visão para compreender outras frentes do negócio.

Quanto mais uma pessoa consegue entender a linguagem, os problemas e as prioridades de outras áreas, maior é sua capacidade de gerar impacto.

"Quanto mais você conseguir falar a linguagem, entender os problemas e ter a visão completa de outras áreas, maior a chance de conectar a sua área com essas outras camadas"Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page

O trabalho precisa aparecer nos números da empresa

Outro ponto central, segundo o headhunter, é entender quais são as prioridades dos líderes e as metas da organização. Não basta executar bem uma função. É preciso compreender como aquele trabalho contribui para os indicadores do negócio.

Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page

“Se tudo que você faz não ajuda a mover os ponteiros da empresa, existe uma chance de o seu trabalho não estar aparecendo”, explica. 

Para profissionais que desejam avançar, essa leitura é decisiva. Em empresas cada vez mais orientadas por resultados, quem conecta sua entrega ao impacto real do negócio tende a ganhar mais visibilidade.

Crescer exige saber gerenciar o próprio chefe

Basaglia também chama atenção para uma competência pouco ensinada, mas essencial: aprender a gerenciar o próprio gestor. Isso não significa inverter papéis, mas compreender o estilo de liderança do chefe, suas prioridades, as metas pelas quais ele é cobrado e a melhor forma de se comunicar com ele.

Sem essa leitura, afirma o executivo, o profissional pode crescer menos do que poderia.

Muitas decisões de carreira são tomadas fora da sala, e as relações construídas ao longo do caminho pesam nelas. No MBA Executivo da Saint Paul, a troca com professores e alunos fortalece um networking que acompanha a trajetória do executivo. Saiba mais aqui

A mesma lógica vale para a construção de relações estratégicas. Para Basaglia, buscar mentores é importante, mas não suficiente. Também é preciso construir patrocinadores — pessoas em posições mais altas que conhecem seu trabalho e podem defendê-lo quando você não está presente.

“No fim do dia, é sempre bom lembrar que as decisões mais importantes da nossa carreira vão ser tomadas quando a gente não estiver na sala”, diz.

Promoções, aumentos, convites para novos projetos e oportunidades estratégicas costumam ser decididos em reuniões nas quais o profissional avaliado não participa. Por isso, a percepção sobre suas entregas importa tanto quanto a entrega em si.

O que as novas gerações precisam entender 

Para Basaglia, profissionais mais jovens que desejam chegar à liderança precisam investir em escuta, repertório e referências. Ele afirma que, historicamente, três grupos ajudavam a formar uma geração no mercado de trabalho: pais, professores e profissionais.

"O que sempre formou uma geração no mercado de trabalho eram os três Ps: pais, professores e profissionais"Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page

Hoje, esse processo passa também por novos canais de aprendizado. Há sete anos, Basaglia começou a compartilhar reflexões sobre carreira em redes sociais, rádio, jornais e podcasts. Atualmente, seus conteúdos alcançam cerca de 7 milhões de pessoas por mês.

A mensagem central, no entanto, permanece ligada à prática: carreira não se constrói apenas com planos lineares. Ela se desenvolve com capacidade de adaptação, leitura de cenário e disposição para aprender com quem já percorreu o caminho.

Para quem busca crescer no mercado, a lição é direta: conhecimento técnico abre portas, mas são as habilidades humanas, estratégicas e relacionais que sustentam a ascensão profissional.

Consolidar a atuação na alta gestão ou avançar para cargos como CEO e CFO exige repertório, leitura de negócio e capacidade de influenciar. O MBA Executivo da Saint Paul, com programas em Liderança e Gestão e em Finanças, soma mais de 400 horas dedicadas a essa preparação. Os detalhes estão nesta página

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