Indicada ao Bola de Ouro, Lorena tenta prêmio inédito ao Brasil: "Sempre entrei para ganhar"


Brasil tem quatro indicados ao prêmio Bola de Ouro
Isso porque, Lorena disputa neste domingo a penúltima rodada da fase de grupos da NWSL, pelo Kansas City, valendo vaga aos playoffs. Em função do tempo de viagem à Inglaterra, do fuso horário e da recuperação pós-jogo, ela e a família podem assistir à premiação pela TV.
Das cadeiras do teatro London Palladium, na Inglaterra, ou da sala de casa, o desejo é ouvir o nome de Lorena sendo anunciado em um dos prêmios. Se permanecer nos Estados Unidos, a brasileira brincou que comemorará a possível conquista pulando pela primeira vez na piscina do hotel.
Na minha vida sempre entrei pra ganhar, quero estar entre as indicadas ao The Best, ao Bola de Ouro e ganhar. Às vezes não dá. Mas quando a gente entra no talvez, já entra derrotado.
– Se pudesse escolher queria muito estar presente, mas também tenho que pensar na necessidade do meu time, tenho que estar na minha melhor forma possível – explicou Lorena em participação rápida na entrevista da esposa ao ge.
Lorena é a sexta atleta brasileira a ser indicada ao prêmio, a primeira da posição. Ao lado de Cata Coll, do Barcelona, é a única goleira que concorre ao Bola de Ouro nesta edição. Frente à concorrência do prêmio principal, a família entende ser o troféu de melhor goleira o mais alcançável.
– Eu estou mais ansiosa, ela mais com o pé no chão. Quer ganhar, mas sabe do potencial das outras meninas. Para mim ela é a melhor goleira do mundo, vai ganhar, estou bem assim. Acho mais alcançável a de goleira (prêmio), porque é uma posição onde depende só dela. E ela é incrível – contou a esposa Carla.
A caminhada de evolução da goleira da Seleção teve um início sofrido, com a lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 2023 e 11 meses afastada dos gramados. O período, muito complicado, mudou Lorena como pessoa e como atleta, na visão de Carla.
– Às vezes ela está com dor, cansada, estressada, mas eu não consigo ver ela fazer outra coisa a não ser jogar bola. Ela nasceu para isso. Foi difícil, mas o crescimento dela com a lesão também foi muito incrível. Ela mudou muito, da água para o vinho. Mudou muito como atleta e como pessoa.
– O primeiro jogo da Seleção na Copa (de 2023), ela não conseguiu assistir todo, porque ela chorou bastante. Foi complicado, foi difícil passar pela lesão. Mas ali eu vi o quanto ela é guerreira.
Lorena em amistoso da seleção em Porto Alegre — Foto: Lucas Bubols
Do susto a alegria
– Ficamos dentro do carro esperando. Quando ela entrou contei da indicação, que era a única brasileira (mulher) indicada. E ela, "não mentira, a Kerolin tem que estar aí". Começou uma loucura dentro do carro. A gente gritava como doidas – contou Carla.
– Não esperava que saíssem duas indicações, pois não foi só a indicação pela atuação, pelo trabalho e posição dela, foi também por ser uma das melhores jogadoras do mundo.

Lorena, goleira da Seleção, revela como descobriu ser única brasileira indicada à Bola de Ouro
Em 2025, Lorena disputou a primeira temporada nos Estados Unidos. Vendida pelo Grêmio ao Kansas City, já estabeleceu o recorde de 14 jogos sem sofrer gols e foi eleita a melhor goleira da liga norte-americana. Teve ainda atuação decisiva no título do Brasil da Copa América, com duas defesas de pênalti na final.
– Chegar aqui (nos EUA) foi muito difícil. No começo ela chorou bastante, resmungou bastante por causa da língua, por causa das coisas serem muito diferentes do Brasil. Ela dizia: "eu quero voltar". Falei, ué, tu não é a Lorena? Ela fala "eu sou a Lorena 23" se botar assim, em terceira pessoa. E aí, foi da água para o vinho. Ela conseguiu se encaixar, foi aprendendo muito rápido a falar o inglês... Ela fica com vergonha, mas eu acho que ela fala superbem inglês já – confidenciou Carla.
Faminta por desafios
Lorena deixou o Brasil para elevar o nível de competitividade e se inserir em uma das principais ligas de futebol feminino do mundo. O gosto por desafios não é de hoje, segundo o treinador de goleiros Ceará, que acompanha Lorena desde as primeiras defesas como atleta profissional.
Hoje, no Grêmio, ele trabalhou com Lorena em 2018, no Sport, e foi citado em recente entrevista na Seleção. Quando no Corinthians, convidou a goleira para reforçar o grupo, mas ela já mirava a oportunidade no exterior.
– Precisava de uma goleira, conversamos e quando chegou a hora me pediu desculpas e disse que no Corinthians não teria os desafios que queria, porque ela ia ganhar. Ela escolheu um futebol que traria outra competitividade, fez a escolha certa – lembrou Ceará.

"Muito determinada": ex-preparador de Lorena no Sport destaca a fome de treino da goleira
A dupla voltou a trabalhar junta em 2024, durante a preparação da Seleção para as Olímpiadas de Paris. Ceará diz ter encontrado uma atleta mais madura, mas com a mesma dedicação e o desejo de se superar.
– Ela estava na seleção, iria disputar uma Olimpíada, mudou a vida e mudou de patamar. E você encontrar uma menina ainda faminta, pensando nas coisas que queria e podia encontrar.
Saiu de uma menina cheia de dúvidas se poderia, se conseguia, para uma mulher determinada, que sabia o que queria e podia fazer.
— Francisco Rodrigues (Ceará)
Ceará voltou a trabalhar com Lorena na preparação olímpica de 2024 — Foto: Reprodução/Redes Sociais
– Estava muito mais madura e confiante. As competições que ela fez, inclusive no Grêmio, deram a ela esse know-how. Uma menina que vinha de jogos difíceis e que naquela preparação para as Olimpíadas, com o Edson Junior, entendeu a forma que o Arthur gostava que ela jogasse – contou.
É apenas a oitava edição do Bola de Ouro voltado ao futebol feminino. Entre as brasileiras, Marta foi quem mais próxima chegou da conquista, com a quarta posição, em 2018. Desde 2021, os prêmios são entregues para atletas espanholas, sendo a meia-campista Aitana Bonmatí, do Barcelona, vencedora da última edição.
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