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Friday, October 23, 2026

Ações do Bradesco caem após balanço; veja os 4 pontos que preocupam os analistas

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As ações preferenciais do banco Bradesco (BBDC4) caíam 0,69%, a R$ 20,11, por volta das 12h20 desta sexta-feira, 23, após o balanço do terceiro trimestre de 2026, apesar do lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões. Analistas citaram piora da inadimplência, provisões maiores, menor cobertura de créditos vencidos e perda de força da margem com clientes, além de riscos para 2027.

As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuam desde a abertura do pregão desta sexta-feira, 23, após a divulgação, na véspera, do balanço do terceiro trimestre de 2026 da instituição financeira. Por volta das 12h20, os papéis recuavam 0,69%, a R$ 20,11, enquanto o Ibovespa operava perto da estabilidade, com ligeira alta de 0,18%, aos 204.497 pontos, no último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo, 25.

Embora o banco tenha registrado lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no trimestre, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado, o resultado veio acompanhado de sinais de deterioração na qualidade do crédito e de perda de força da operação.

Instituições financeiras como Safra, Itaú BBA, BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) e XP Investimentos apontam que o avanço do lucro não foi suficiente para afastar as preocupações com a rentabilidade e as perspectivas para 2027.

O principal problema, segundo esses bancos e casas, está na composição do resultado. O controle de despesas e o desempenho da tesouraria ajudaram a compensar a pressão das provisões para inadimplência, mas a margem financeira gerada pelas operações com clientes perdeu força.

Ao mesmo tempo, o resultado da divisão de seguros ficou abaixo das expectativas, e o índice de cobertura dos créditos inadimplentes diminuiu.

Em relatório nesta sexta, o Safra adotou uma visão negativa para as ações. “De forma geral, acreditamos que a combinação de menor dinamismo das receitas, deterioração dos indicadores de crédito e redução das margens de cobertura deve pressionar o sentimento dos investidores em relação às ações após a divulgação dos resultados”, afirma o banco.

Inadimplência e provisões pressionam os resultados

A deterioração da carteira de crédito é um dos principais pontos de preocupação dos analistas. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,3% em junho para 4,6% em setembro, alta de 0,3 ponto percentual no trimestre e de 0,5 ponto em 12 meses.

A piora foi mais acentuada entre pequenas e médias empresas (PMEs), cujo índice de inadimplência chegou a 4,9%, após avançar 0,5 ponto percentual no trimestre. Entre pessoas físicas, o indicador aumentou para 5,8%, enquanto nas grandes empresas permaneceu em 0,3%.

O avanço dos atrasos exigiu mais recursos para cobrir possíveis calotes. As despesas ampliadas com provisões para devedores duvidosos (PDD) chegaram a R$ 10,6 bilhões, alta de 6,6% em relação ao trimestre anterior e de 24,3% em um ano. Com isso, o custo do risco, que mede as despesas com crédito em relação à carteira, subiu de 3,5% para 3,7%.

O BTG Pactual destacou a aceleração na formação de novos créditos inadimplentes, que aumentou 26% no trimestre, para aproximadamente R$ 14 bilhões. Para o banco, a combinação de piora do crédito e desaceleração das receitas torna mais desafiador o ponto de partida para o próximo ano.

“Ainda assim, algumas tendências, especialmente nas receitas e na qualidade dos ativos, sugerem que o ritmo de crescimento dos resultados pode estar perdendo força. Isso cria um ponto de partida mais desafiador para os resultados de 2027 e riscos de revisão para baixo das estimativas de consenso”, afirma o BTG, que manteve recomendação neutra para as ações.

Parte da deterioração, segundo o próprio Bradesco, está concentrada em operações de capital de giro para pequenas e médias empresas com garantias de fundos públicos, como o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e o Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Essas linhas precisam entrar em inadimplência antes que as garantias possam ser acionadas. Atrasos sazonais no crédito rural também contribuíram para o aumento dos indicadores.

Apesar dessas particularidades, o mercado acompanha outro sinal de alerta: a redução da cobertura da carteira inadimplente. O indicador, que compara o estoque de provisões com os créditos vencidos há mais de 90 dias, caiu de 152,3% no segundo trimestre para 142,6% no terceiro. Um ano antes, estava em 168,9%.

O Safra chamou a atenção para a dificuldade de conciliar a queda da cobertura com a piora dos indicadores de crédito. “Embora isso seja parcialmente explicado pela maior proporção de garantias na carteira de crédito, parece difícil conciliar esse movimento com a deterioração contínua dos indicadores de crédito”, afirma o relatório.

Custo do crédito consome os ganhos com clientes

Outro fator que pesa sobre a avaliação dos resultados é a dificuldade de transformar o crescimento da carteira em maior rentabilidade. A margem financeira total do Bradesco, que reúne os ganhos com clientes e as operações de mercado, aumentou 2,4% no trimestre, para R$ 21,4 bilhões.

O avanço, porém, foi sustentado principalmente pela margem financeira de mercado, que inclui os resultados da tesouraria e da gestão de ativos e passivos. Essa linha alcançou R$ 875 milhões, alta de 30% em relação ao trimestre anterior.

Já a margem financeira com clientes cresceu apenas 1,5% no trimestre, para R$ 20,5 bilhões. Os spreads menores e a maior participação de operações com garantias, que tendem a oferecer menor remuneração, limitaram o desempenho. A margem financeira bruta com clientes recuou de 9,1% para 8,9%.

O efeito das provisões foi ainda mais significativo. Após descontar o custo do crédito, a margem financeira com clientes caiu 3,5% no trimestre, para R$ 9,9 bilhões, e 2% em relação ao mesmo período de 2025.

A XP Investimentos destacou a diferença entre o aumento das despesas com crédito e o ganho adicional de margem com clientes. “As provisões aumentaram R$ 657 milhões no trimestre, enquanto a margem financeira adicional com clientes cresceu apenas R$ 298 milhões. Como consequência, a margem financeira líquida ajustada ao risco caiu para 4,2%, ante 4,5%”, afirma a corretora.

Na avaliação da XP, o controle de custos continua sendo um ponto positivo, mas já não basta para sustentar uma expansão mais forte da rentabilidade. “Olhando adiante, acreditamos que a principal discussão deixou de ser a capacidade do Bradesco de manter o lucro próximo dos níveis atuais e passou a ser o que poderia impulsionar a próxima etapa de recuperação do ROE.”

A corretora manteve recomendação neutra para as ações e vê espaço limitado para uma aceleração significativa da rentabilidade em 2027, diante do custo do crédito ainda elevado e da pressão sobre as margens.

Seguros decepcionam e lucro fica dependente de outros fatores

O resultado da operação de seguros também ficou aquém do esperado pelos analistas. As receitas de seguros, previdência e títulos de capitalização somaram R$ 5,6 bilhões, queda de 8,6% na comparação trimestral e de 2% em 12 meses.

No Itaú BBA, o resultado ficou 17% abaixo da estimativa da instituição. A redução de outras despesas operacionais ajudou a compensar parte do impacto sobre o lucro final, mas não foi suficiente para reverter a avaliação mais fraca da operação.

O banco também chamou a atenção para a contribuição de fatores que ajudaram a manter o lucro em linha com as projeções, apesar do desempenho operacional mais fraco. A alíquota efetiva de impostos ficou em 19,3%, abaixo dos 21,1% estimados pelo Itaú BBA, enquanto a redução de outras despesas operacionais também favoreceu o resultado.

“Em síntese, o lucro divulgado ficou em linha com as expectativas, mas a piora das receitas ajustadas ao risco e o desempenho mais fraco da operação de seguros provavelmente pressionarão para baixo as estimativas para 2027”, afirma o Itaú BBA, que classificou sua recomendação como neutra a negativa.

A instituição também destacou a desaceleração do crédito para empresas. A carteira desse segmento cresceu 1,2% no trimestre, após avanço de 6,7% entre abril e junho. Para os analistas, a concessão mais seletiva pode ajudar a conter perdas futuras, mas limita o crescimento de operações com spreads mais elevados.

A cautela também aparece na avaliação da margem financeira. “Assim, a surpresa positiva no resultado total da margem financeira oferece pouco conforto em relação à rentabilidade subjacente das operações”, diz o relatório do Itaú BBA.

As ações do Bradesco são negociadas a sete vezes o lucro projetado para 2027, segundo o Itaú BBA. Apesar da avaliação relativamente baixa, a instituição vê riscos de revisões negativas nas estimativas de resultados diante da fraqueza das receitas ajustadas ao risco.

Controle de custos e aumento de capital são pontos positivos

O Safra, o Itaú BBA, o BTG e a XP reconhecem, contudo, avanços na disciplina de despesas do Bradesco. As despesas operacionais somaram R$ 16,3 bilhões, queda de 1% em 12 meses, enquanto o índice de eficiência melhorou com a redução de custos e o fechamento de 215 pontos de atendimento no trimestre.

O banco também concluiu um aumento de capital de R$ 10 bilhões, que elevou o índice de capital principal (CET1) de 11,3% para 12,1%. A operação reforça a capacidade de absorver perdas e dá mais segurança para a condução dos negócios, embora tenha diluído o retorno sobre o patrimônio líquido reportado.

Excluindo o efeito do aumento de capital, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em aproximadamente 16,1%, ante 14,7% um ano antes. O indicador, porém, permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior.

Para o BTG Pactual, a melhora do capital e o controle de despesas são avanços importantes, mas não eliminam os desafios para a recuperação da rentabilidade. O banco calcula que o patrimônio líquido tangível do Bradesco chegou a R$ 51,4 bilhões após o aumento de capital, equivalente a cerca de 28% do patrimônio líquido total.

A perspectiva macroeconômica também entra na avaliação. Segundo o BTG, o Bradesco indicou em uma conferência com executivos em Nova York que a desaceleração econômica já está, em grande medida, contratada até o fim do primeiro semestre de 2027.

O relatório também relaciona o cenário eleitoral ao desempenho futuro das ações. “Nesse contexto, a eleição presidencial está se tornando um catalisador cada vez mais importante para as ações, pois deverá proporcionar maior visibilidade sobre as perspectivas fiscais do Brasil e, consequentemente, sobre a trajetória das taxas de juros de curto e longo prazo”, afirma o banco.

'Perguntas frequentes'

Por que as ações do Bradesco (BBDC4) caíram após o balanço? +

As ações do Bradesco caíram porque o avanço do lucro não afastou as preocupações com a qualidade do crédito, as margens e a rentabilidade. Safra, BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA também apontaram riscos para os resultados de 2027.

Qual foi o lucro do Bradesco no terceiro trimestre de 2026? +

O banco Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Como ficou a inadimplência do Bradesco no trimestre? +

A inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,3% em junho para 4,6% em setembro. A taxa chegou a 4,9% entre pequenas e médias empresas, a 5,8% entre pessoas físicas e permaneceu em 0,3% nas grandes empresas.

Quanto o Bradesco gastou com provisões para calotes? +

As despesas ampliadas com provisões para devedores duvidosos alcançaram R$ 10,6 bilhões, alta de 6,6% no trimestre e de 24,3% em um ano. Segundo o BTG Pactual, a formação de novos créditos inadimplentes cresceu 26% no trimestre, para cerca de R$ 14 bilhões.

Por que a margem financeira com clientes perdeu força? +

A margem financeira com clientes cresceu apenas 1,5% no trimestre, limitada por spreads menores e pela maior participação de operações com garantias. Segundo a XP Investimentos, após o custo do crédito, a margem ajustada ao risco caiu de 4,5% para 4,2%.

Como foi o resultado da operação de seguros do Bradesco? +

As receitas de seguros, previdência e títulos de capitalização somaram R$ 5,6 bilhões, queda de 8,6% no trimestre e de 2% em 12 meses. Segundo o Itaú BBA, o resultado ficou 17% abaixo da estimativa da instituição.

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