O presente de Lula a Flávio na Paulista

Muita gente do bem estava lá. Democratas com a camisa de Che Guevara, um clichê da esquerda.
O mal, em pessoa, também se fez presente. Os cantos satânicos são o de menos.
O que ficou de uma manifestação que tinha tudo para ser histórica — talvez seja — foram as cenas protagonizadas por imbecis de toda monta. Uma minoria. Mas suficiente para emporcalhar uma eventual caminhada rumo à reeleição.
A campanha teve altos e baixos. Como um tobogã. De vidro. E trincou. Como o teto da estação Trianon-Masp, onde os inteligentes subiram e de onde os mentecaptos escorregaram.
Fosse eu o governador, teria deixado a sujeira lá por dias. Não teria convocado rapidamente um exército de trabalhadores, em pleno feriado, para limpar a porqueira dos extremistas.
Se a direita tem os seus — e tem, todos sabemos —, os da esquerda dão mais medo. E justiça seja feita: assim como no 8 de Janeiro, não havia como impedir que gente como essa lá estivesse, misturada no meio do povão.
Lula não tem culpa. Mas deu o maior presente de toda a campanha para Flávio. As imagens são horrorosas. Correram as redes e não foi possível escondê-las na imprensa.
Esse não é o PT. É lógico. São os energúmenos que mancharam uma festa democrática. Sem capacidade intelectual para compreender que, desse jeito, só deram votos para a direita. Definitivamente, não há vida inteligente entre os radicais.
Pode haver até em outro planeta, mas entre os satanistas, não. Consideram-se anarquistas.
Picharam o símbolo do movimento, que tem quase dois séculos, por toda a parte. Anarquia é, em linhas gerais, ausência de governo, de autoridade.
Esses jovens obtusos, hoje escondidos na campanha do PT, não sabem nada disso. Mas acham que esse é um bom jeito de apresentar suas frustrações políticas e sociais ao Brasil.
Decepções colecionadas ao longo de cinco governos do PT. Eles viram o diabo. E pintaram o 13 por todos os lados. "Revolução Socialista", escreveram nos vidros das modernas estações da Paulista.
É preciso entender o contexto degradante em que se encontram. Mas compreender não significa passar pano.
E é preciso reconhecer que aqueles que protagonizaram essas cenas acabaram escolhendo um lado — ainda que talvez não tenham percebido o serviço que prestaram ao outro.
Isso ajuda a explicar por que imagens como essas podem ampliar a rejeição a Lula entre eleitores que não se identificam com os extremos.
Para o próximo domingo, está convocada uma manifestação de apoio a Flávio, no mesmo local. Também pode acontecer de extremistas do outro lado, tão dispostos a confundir política com provocação quanto os que vimos agora, marcarem presença e aprontarem.
Não ponho minha mão no fogo de que isso não acontecerá. A democracia comporta divergências, protestos e manifestações apaixonadas. O que não deveria comportar é a ideia de que o espaço público pertence a quem grita mais alto, picha mais paredes ou quebra mais vidros.
No fim, muita gente quer é distância disso tudo. Xô, Satanás.
Opinião
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