Joni Mitchell virou americana aos 82 anos só para votar?

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Não se fala de outra coisa, não se fala de outra pessoa nas redes sociais, só dá Katie Zacharia. É assim? Katie Zacharia?
Sim, eu diria que sim. Pelo nome, se calhar, não chegamos lá em nada.
Não há Zacharias.
Deve ser prima do Farid. Estou a brincar.
Mas não se encontram ao jantar ou ao Natal, de certeza.
Não. É agrafado de forma diferente. Não deve ser, havendo conversa. Estamos a falar da nova secretária de imprensa da Casa Branca, que ontem deu o seu primeiro briefing aos jornalistas na terça-feira. Ela substituiu Karoline Leavitt, também era uma figura que suscitava bastantes reações de cada vez que aparecia nas conferências de imprensa, nos briefings da Casa Branca. Agora, Katie Zacharia apresenta-se publicamente como advogada e aqui começam os problemas, é que parece que não fez o exame de admissão na respetiva ordem em nenhum dos estados norte-americanos. Ela foi, aliás, questionada sobre isso. Portanto, até pode incorrer aqui num crime de usurpação de funções. Mas não foi só isso a suscitar aqui polêmica, também o extremismo revelado por Katie Zacharia nas redes sociais, e isto ainda antes, claro, de ser nomeada.
Porque ela era comentadora na Fox.
Ela também era comentadora na Fox e desde logo aí apresentava-se como advogada.
Uma grande adepta e apoiante de Donald Trump.
Grande defensora.
Vocês estão a levar isso demasiado à letra. Ela apresentava-se como advogada do Diabo.
Era advogada, era uma defensora.
Era defensora do Donald Trump, mas ia um pouco até mais longe do que isso. Ela partilhou várias publicações que, entretanto, na sua maioria, foram apagadas, como, por exemplo, publicações em que o antigo presidente Barack Obama era descrito como homossexual, Michelle Obama como um homem, publicações que alegavam que as vacinas contra a Covid-19 provocavam abortos espontâneos. Esse tipo de desinformação, ela era muito hábil e era muito frequente partilhar este tipo de publicações. Também celebrou a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, na rede X, e comentou na altura que Vladimir Putin estava em guerra contra a cabala. Enfim, era o tipo de publicações que ela costumava partilhar. Também está em causa este briefing, que durou apenas 14 minutos, e em que Katie Zacharia não conseguiu ou não quis responder a várias perguntas que lhe foram feitas. Ela disse que iria amplificar, multiplicar e desenvolver a agenda incrível do presidente Trump. Isso foi assim que ela apresentou a sua missão, mas quando lhe perguntaram se os Estados Unidos tinham parado de partilhar informações com a Ucrânia, e que era aquilo que se queria saber na terça-feira, porque os ucranianos queixam-se que não têm recebido informações que lhes permitiriam defender-se dos ataques russos, a resposta de Katie Zacharia foi: "Vou ter de lhe responder depois". Não é isso que se espera de alguém que está a fazer a comunicação da Casa Branca, espera-se respostas na hora. Acusou-se esta nova secretária de imprensa de não estar preparada para o cargo, ter sido nomeada um pouco por tudo aquilo que publicou anteriormente, por essas posições mais extremistas, mas de facto não ter preparação para o cargo. É um assunto que vai continuar a ser desenvolvido obrigatoriamente nos próximos tempos, a cada briefing. São diários e há aqui uma questão: logo depois de ela ter falado, Donald Trump, ele próprio, o presidente norte-americano, veio falar à imprensa, falou também durante 14 minutos. Ou seja, o presidente falou o mesmo tempo que a secretária, que é a porta-voz, que supostamente deveria falar por ele.
Para verificar algumas coisas.
Ou baralhar.
É melhor fixarmos esse nome, não é?
É, Katie Zacharia, aí está ela, a nova estrela da Casa Branca.
É verdade. E há uma nova estrela, cidadã norte-americana, que é Joni Mitchell, canadiana, e que anunciou ontem. Ah, que bom!
Temos música.
Sim, "Big Yellow Taxi". Anunciou exatamente um dos grandes êxitos de Joni Mitchell, que anunciou que se tornou cidadã norte-americana. Ela divulgou isto nas redes sociais a dizer que termina assim o percurso de 62 anos. Ela tem 82 anos, há 60 que vive nos Estados Unidos, só faltava mesmo ter o carimbo. É dupla nacionalidade, na verdade, mas permite-lhe qualquer coisa como poder votar nas próximas intercalares. E ela não se esqueceu de anunciar isso mesmo quando revela que se tornou também cidadã norte-americana. Aliás, ela aparece numa fotografia tirada durante a cerimônia, com a bandeira norte-americana atrás, e explicou, ou melhor, não explicou exatamente por que motivo é que decidiu pedir a cidadania norte-americana, mas a comunicação social tem explorado muito algumas eventuais pistas que possam ter surgido nos últimos tempos. Só na última quarta-feira, durante um concerto em Los Angeles, ela interpretou uma canção, "Dog Eat Dog".
Ainda canta, aos 80 anos.
Ela ainda canta e teve problemas de saúde que a afastaram, mas voltou a cantar. E ela disse, na altura, que se listen Donald Trump, eu adoro esta música e por isso vou cantá-la. Há também uma outra pista na gala dos prêmios Grammy, em fevereiro. Apareceu com um pin "Eyes Out", numa referência às críticas ao movimento que critica os serviços de imigração e alfândega nos Estados Unidos. Por isso, temos aqui alguém que se calhar conseguimos adivinhar em quem vai votar no dia 3 de novembro. Esta cidadã. Achas que não?
Isto tem dupla face.
Achas que não está para isso?
Olha, deixa-me só dizer que eu gosto desta canção do original, do "Big Yellow Taxi", da Joni Mitchell, e detesto aquela versão, que se tornou muito famosa nos anos 90. Creio que era dos Counting Crows.
Ah, Counting Crows, há tanto tempo que não se ouvia falar deles.
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