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Sunday, October 25, 2026

Quando outubro acabar: como garantir o combate ao câncer de mama em todo o ano

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Entra ano e sai ano o mundo se veste de rosa no mês de outubro para chamar atenção de uma causa que é de toda sociedade: O câncer de mama.

Prédios e monumentos são iluminados de rosa. Shoppings exibem lacinhos em suas vitrines. Marcas patrocinam ações expressando apoio. Pessoas mostram seus figurinos na cor do mês. E tudo isso é válido para fomentar um debate importante sobre saúde pública, mas não é suficiente para sustentar um problema muito maior que é o acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama, no tempo certo e com as tecnologias certas, todos os dias do ano.

Quando Outubro acaba, milhares de mulheres seguem sem acesso a um exame fundamental, e garantido por lei, como a mamografia. Hospitais continuam lotados, muitas vezes com falta de medicação para quem está em tratamento. Pacientes brigam por direitos abalando a própria saúde mental já fragilizada com o diagnóstico. E o tempo corre por infinitas e exaustivas filas paralelas de um sistema feito para testar a paciência humana. Pessoas morrem quando poderiam viver.

Enquanto isso, organizações do terceiro setor, fazem o verdadeiro milagre da multiplicação para fechar as contas da transformação social que não são pagas com boa vontade e amor porque fazer o bem custa dinheiro e não é pouco.

Segundo o World Giving Report 2025, da Charities Aid Foundation, o Brasil ocupa a 48ª posição no ranking de doação, com média de 0,93% da renda do brasileiro destinada a causas sociais. Foram 24,3 bilhões de reais movimentados por pessoas físicas, de acordo com a Pesquisa de Doação do Brasil 2024, onde 26% aparecem direcionados à causas de saúde, por isso investimentos do setor privado são fundamentais.

Nos últimos 3 anos a Laço Rosa, instituição dedicada ao câncer de mama que existe desde 2011, doou 8.444 exames de mamografia. Como presente de 15 anos, recebemos da Betano, um caminhão próprio e recurso para ofertar até Fevereiro de 2027 mais do que o triplo da série histórica. Serão 10.000 exames em 26 cidades do Brasil ampliando a possibilidade de detectar precocemente uma doença que tem 95% de chances de cura quando encontrada cedo.

Projetos como esse são investimentos de longo prazo realizados por empresas que entendem a importância de olhar para a sociedade e ajudar na construção de um futuro mais digno para quem precisa.

No caso da Laço Rosa o investimento da Betano veio sem interferência de projeto, com processos de compliance, contrato, origem de recursos declarada e auditoria de contas, mas o que deveria ser um motivo de imensa alegria por prestarmos à sociedade um serviço que muitas vezes não chega para quem precisa, é motivo de incerteza pelos desdobramentos de um MP instaurada as vésperas de uma eleição, em Setembro, trazendo risco de pausar a ação de longo prazo.

Essa não é uma reflexão sobre a regulamentação do setor de casas de apostas e muito menos sobre polaridades partidárias de opiniões. É uma reflexão honesta e sincera de quem está no campo de batalha tempo suficiente para enxergar o impacto direto que a saída imediata de investidores pode causar.

Alianças com visão de futuro merecem ser valorizadas e incentivadas. Ao longo da nossa história, tivemos contratos com diversas empresas, em formatos diferentes, mas com raras exceções para construção de projetos duradouros.

O caminhão mamógrafo segue conosco porque é um legado vivo. Mantê-lo na estrada, com equipe, manutenção e atendimento, exige investimento, e não é simples encontrar marcas dispostas a construir, sem interferência, o complexo projeto de ajudar na diminuição de barreiras de acesso ao diagnóstico precoce do câncer de mama.

Então com o fim de Outubro, a pergunta que recai insistentemente sobre a minha cabeça é quem paga a conta que fica aberta quando o Outubro acabar? O governo que não consegue garantir a saúde integral? Empresas que só enxergam o marketing momentâneo? Ou seria a sociedade que não tem como cultura apoiar financeiramente uma Ong? Eu arrisco dizer que nenhuma das opções e se esse for o caminho, lamentavelmente quem vai pagar o preço é a ponta mais fraca.

Quem tiver a resposta ou um novo caminho viável e compatível com a realidade do país que vivemos, minha escuta está aberta, porque sinceramente diante de todo cenário, e da incerteza que temos hoje, a resposta que eu conheço não é cor de rosa!

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