Ciberataques a freezers atingem ao menos 11 países europeus
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Ataques a sistemas de refrigeração alcançaram ao menos 11 países europeus. O caso alerta para o risco de controles industriais expostos à internet.
Ataques cibernéticos a sistemas de refrigeração atingiram ao menos 11 países europeus, segundo balanço publicado pela AFP na terça-feira, 3 de novembro. Alemanha, Romênia e Reino Unido estão entre os países com ocorrências. A elevação da temperatura em equipamentos obrigou varejistas a descartar alimentos.
O balanço amplia o alcance da onda de ataques. Em 2 de novembro, a EXAME havia noticiado ocorrências em supermercados de quatro países.
A Comissão Europeia passou a articular uma resposta com autoridades nacionais. O comissário europeu de Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, classificou os episódios como uma tentativa deliberada de interromper a cadeia de abastecimento. Até o balanço da AFP, ninguém havia reivindicado a autoria, e a motivação permanecia desconhecida.
Na Bélgica, dezenas de lojas de diferentes redes registraram falhas, e a procuradoria federal abriu uma investigação. O governo italiano reuniu autoridades de inteligência e de cibersegurança, mas informou que o impacto no país era limitado.
Como o ataque chega à refrigeração
O problema envolve equipamentos usados para monitorar e controlar instalações a distância. Em boletim de 13 de outubro, reproduzido pelo CSIRT Toscana, a agência italiana de cibersegurança descreveu como instalações antigas, interfaces administrativas expostas à internet e falhas de autenticação permitiram acionar ciclos de degelo remotamente no caso francês.
Esses acessos podem permitir mudanças nas temperaturas programadas, nos ciclos de degelo e nos alarmes. Segundo o documento, a adulteração de informações exibidas ou o desligamento de avisos também pode atrasar a descoberta do problema.
O prejuízo ultrapassa a indisponibilidade de um sistema: pode incluir deterioração de mercadorias, interrupção das atividades e despesas para recuperar os equipamentos. A agência ressalta que o retorno à temperatura normal, sozinho, não comprova que os produtos permaneceram em condições adequadas de conservação.
Equipamentos conectados exigem proteção
O CERT-FR, centro francês de resposta a incidentes, identificou comprometimentos de controladores das famílias Danfoss AK-SM e AK-SC, Copeland XWEB e Dixell XWEB no episódio de outubro. A relação não comprova que os mesmos equipamentos estejam por trás de todos os casos registrados em novembro.
Entre as recomendações do órgão estão retirar interfaces de controle da exposição direta à internet, restringir o acesso a redes protegidas, atualizar o software dos aparelhos e substituir senhas padrão. Restaurar apenas as configurações de fábrica não resolve a vulnerabilidade de um dispositivo sem correções de segurança que continua acessível pela internet, alerta o CERT-FR.
Autoria segue sem confirmação
A semelhança entre os episódios também não basta para estabelecer uma operação única. Em análise publicada em 2 de novembro, Joe Slowik, da empresa de inteligência de ameaças Dataminr, afirmou que as evidências disponíveis eram insuficientes para ligar os incidentes a um mesmo responsável.
Para o varejo, o alerta prático está no controle dos equipamentos conectados. A agência italiana recomenda que responsáveis pela segurança digital, operadores das instalações e empresas de manutenção coordenem as verificações, evitando que a própria resposta ao ataque provoque uma interrupção descontrolada da refrigeração.
Perguntas frequentes
Todos os ataques têm o mesmo responsável? +
Não há confirmação. A Dataminr considera insuficientes as evidências para ligar os episódios a um único autor.
Quais equipamentos foram identificados na França? +
O CERT-FR cita controladores Danfoss AK-SM e AK-SC, Copeland XWEB e Dixell XWEB. A lista se refere ao alerta de outubro.
Restaurar o aparelho elimina o risco? +
Não necessariamente. Segundo o CERT-FR, um equipamento sem correções de segurança e ainda exposto à internet pode voltar a ser comprometido.
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