Médicos eram contra volta de Larry Mullen Jr ao U2

Baterista conta que enfrentou os alertas de sua equipe médica para retomar o lugar na banda e voltar a tocar após cirurgia delicada no pescoço
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
O retorno de Larry Mullen Jr. à ativa com o U2 tem sido celebrado pelos fãs da banda irlandesa. Todavia, a jornada de volta aos palcos e estúdios esteve longe de ser um caminho simples.
Nos bastidores, a decisão do baterista de retomar sua posição e encarar a antiga rotina gerou fortes ressalvas e alertas da equipe médica que o acompanhou.
Anos de dedicação à bateria cobraram um preço alto, segundo Mullen. Debilitado por problemas físicos na região do pescoço, o músico precisou se afastar inclusive da histórica residência da banda no Sphere, em Las Vegas (EUA).
Apesar do procedimento cirúrgico bem-sucedido e da subsequente reabilitação, especialistas da área médica e fisioterapeutas colocaram-se inicialmente contrários a um retorno imediato por conta da intensidade de uma turnê e dos constantes ensaios.
Os profissionais alertaram que o corpo de Mullen precisava de descanso e que a recuperação exigiria cautela para evitar danos irreversíveis à sua saúde. Larry Mullen Jr. relembra que os médicos avisaram sobre o risco de paralisia (via Rolling Stone):
“As pessoas não querem correr riscos. Diziam: ‘Quer saber? Você se saiu incrivelmente bem. Apenas se aposente. Vá curtir a vida. Por que você faria isso consigo mesmo?’.”
“Tocar por uma hora já é o suficiente”
Ainda assim, impulsionado pelo desejo de voltar tocar, Mullen optou por arriscar. Embora ele próprio admita que ainda não tem condições de fazer apresentações longas e que sua dinâmica atrás do kit mudou, o baterista acredita que superou boa parte das dores e recuperou seu lugar ao lado de Bono, The Edge e Adam Clayton:
“Mesmo que eu não consiga tocar por duas horas e meia, se eu conseguir tocar por uma hora, já é o suficiente. Tive e ainda tenho uma trajetória tão boa que eu aceito isso.”
U2 e ‘Carnaval de Luz’
O U2 lançará Carnaval de Luz, seu primeiro álbum de músicas inéditas em nove anos, no dia 13 de novembro. O álbum de 12 faixas, produzido por Garret “Jacknife” Lee — que trabalha com o grupo desde How to Dismantle an Atomic Bomb (2004) —, encerra-se com “Torn”, que conta com a última performance vocal de Dolly Parton, falecida no mês passado.
Além do álbum, o U2 lançou dois EPs surpresa este ano — Days of Ash e Easter Lilly. Os três projetos somam, ao todo, 24 músicas inéditas.
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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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