Aeroporto de Riade suspende operações após novo ataque atribuído a houthis
O aeroporto internacional de Riade suspendeu suas operações neste sábado, 10, após um novo ataque que deixou vários feridos. De acordo com três autoridades ouvidas pelo The New York Times, pelo menos 12 pessoas morreram e 50 ficaram feridas após a explosão.
Uma fonte diplomática disse à AFP que o míssil foi lançado pelos houthis, movimento do Iêmen apoiado pelo Irã, e atingiu o aeroporto por volta das 15h locais (9h no horário de Brasília). O grupo ainda não assumiu a autoria.
"Os houthis estão atacando alvos civis", declarou a fonte.
A autoridade de aviação civil informou que as operações foram suspensas temporariamente, enquanto os danos são avaliados e a segurança das instalações é verificada. As autoridades de saúde determinaram uma incomum mobilização em massa de médicos para responder a uma "emergência grave".
#URGENTE: Danos Extensos Dentro do Aeroporto Internacional de Riad Imagens do interior do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, mostram danos extensos, detritos espalhados por todo o terminal e fumaça e poeira enchendo o edifício. https://t.co/p1HbfMagvj
— Informações mundiais e militares (@Ricardo_1934) October 10, 2026
Relatos de pânico
Uma testemunha que aguardava o embarque disse ter ouvido uma explosão. Outra afirmou ter presenciado o impacto, que deixou feridos e provocou pânico. "Eu estava no portão 403. Vi como atingiram o 401, vi feridos (...) Todo mundo corria", relatou à AFP.
Um familiar de um dos feridos descreveu lesões provocadas pela explosão de vidraças. Três testemunhas disseram que o aeroporto estava sendo evacuado. Nos arredores, passageiros com bagagens aguardavam na calçada ao lado de uma estação de metrô.
Embaixadas emitem alertas
As embaixadas dos Estados Unidos, do Canadá, da Alemanha e da Espanha recomendaram a seus cidadãos que evitassem o aeroporto. A representação espanhola alertou no X sobre um "novo ataque (...) dos houthis". Um alto diplomata ocidental disse à AFP que diversas embaixadas proibiram os deslocamentos de seu pessoal de e para o terminal durante a próxima semana.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou neste sábado que decidirá "muito em breve" se os EUA participarão dos ataques da Arábia Saudita contra os houthis.
Ataques em escalada
Os houthis já atacaram repetidamente esse aeroporto. Na quinta-feira, 8, reivindicaram uma série de bombardeios que deixaram três mortos, entre eles um piloto da companhia aérea nacional Saudia. A magnitude e a frequência dos ataques contra a capital saudita nos últimos dias não têm precedentes desde o início do conflito regional, há oito meses.
O grupo intensificou os ataques contra aeroportos e instalações petrolíferas sauditas depois que a trégua com o governo iemenita apoiado por Riade foi rompida, em julho. O acordo, de quatro anos, havia sido negociado pela ONU. A Arábia Saudita lidera uma coalizão internacional que apoia militarmente o governo do Iêmen.
O governo saudita raramente reconhece que os ataques dos houthis atinjam alvos civis e, nas últimas semanas, manteve silêncio quase total sobre os incidentes.
Combates no Iêmen
No Iêmen, forças governamentais apoiadas pelos sauditas avançam contra os houthis em áreas tomadas pelo grupo no mês passado, nos arredores do estratégico Estreito de Bab el Mandeb, segundo fontes militares ouvidas pela AFP. A região é passagem fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias pelo Mar Vermelho.
Na semana passada, o governo iemenita anunciou uma contraofensiva para recuperar todos os territórios controlados pelos houthis, depois que o grupo tomou toda a costa oeste do país em uma ofensiva relâmpago. Os houthis confirmaram os ataques na região, mas disseram ter repelido a ofensiva. As versões dos dois lados não puderam ser verificadas de forma independente.
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