Fonteles só troca Piauí por Fazenda se tiver 'carta branca', dizem aliados

Além de formação na área, Fonteles é tida como uma figura respeitada na área econômica e conhecida nacionalmente porque foi presidente do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal), eleito em março de 2019 e reeleito por aclamação dois anos depois.
Foi sob sua liderança que o Comsefaz articulou, diretamente com o Congresso e com o governo Jair Bolsonaro, o pacote de socorro financeiro aos estados e municípios na pandemia, que ajudou as unidades da federação diante da queda abrupta de arrecadação no ICMS.
Ele também foi apontado como maior responsável por juntar os 27 secretários de Fazenda, superando rivalidades históricas de arrecadação regional, em torno de uma proposta unificada à reforma tributária.
"Fonteles é um empresário que começou na carreira política já como secretário de Fazenda do Piauí. Em 2022, foi eleito governador do estado até mesmo com apoio de setores da direita mais moderada. Tem todo perfil para o cargo", diz Vitor Sandes, cientista político da UFPI (Universidade Federal do Piauí).
A possível indicação de Fonteles ao Ministério da Fazenda é vista positivamente por profissionais do mercado financeiro, como mostrou o UOL, embora esses operadores questionam se Fonteles teria apoio político para promover um ajuste nas contas públicas.
Sobre um eventual dano à imagem caso renuncie ao mandato que foi eleito, Vitor acredita que o cenário é favorável. "Politicamente, a avaliação geral é que seria um salto: ele ocuparia uma posição de destaque nacional. Claro que há um risco envolvido, mas talvez ele não tenha outra oportunidade de ocupar um cargo de projeção nacional como este, ainda mais tendo uma janela de oportunidade em 2030 [para disputar a Presidência]".
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