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Monday, September 21, 2026

Um feitiço do tempo embruxou a Espanha: “5 minutos más”

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Um casal espanhol de meia-idade e à beira do divórcio deixa o filho com os avós e parte em viagem de fim-de-semana para um retiro campestre, a ver se as coisas se endireitam. O paraíso rural, que tem piscina e paisagem verdejante a perder de vista, promete, entre outras “iguarias”, não ter cobertura telefónica. Tudo se vende, até a falta de certas coisas que muitos têm por indispensáveis. Não é preciso esperar muito para perceber que as discussões da dupla (Berto Romero e Belén Cuesta) vão continuar. E o encontro com caseiro que lhes abre a porta (Javier Cámara), coxo de uma perna, não inspira propriamente confiança.

É então que algo de extraordinário acontece: a meio de uma conversa, o tempo retrocede 5 minutos. Uma vez, outra, outra ainda. E assim sucessivamente. Aquilo que as personagens fazem a cada 5 minutos tem consequências nos seguintes, embora, volvido esse tempo, todos tornem ao lugar de partida, numa variação destrambelhada do que acontecia a Bill Murray em Groundhog Day/O Feitiço do Tempo (1993). O realizador de Spanish Movie e Superlópez, êxitos de bilheteira do país vizinho, vê agora San Sebastián reconhecer-lhe o “valor artístico” com esta comédia distópica e endiabrada que também pede ao cinema de terror para entrar.

Afinal, 5 minutos são mais do que suficientes para atropelar mortalmente a filha menor do vizinho e desencadear mais à frente a fúria vingativa do pai armado com carabina, entre outras peripécias. Tomba na anedota, esta “pratada” de Ruiz Caldera? Sim, tomba. É fatal. E a verosimilhança, aqui, também tem pavio curto. Só que o guião escrito por um dos intérpretes (Berto Romero) está sempre a fazer o filme renascer no rasgo dos seus twists, ora drama ora comédia, ora pantomima ora ficção científica, à medida que aquele casal de classe média, acima de qualquer suspeita, começa a revelar a sua real natureza.

Filme abertamente comercial que não deixa de ser cinema de autor, 5 minutos más é caso de estudo interessante. Levou abaixo a sala 1 do Kursaal, 1800 lugares a rebentar pelas costuras, de tanta folia. A última Concha de Ouro em San Sebastián, que nada tem que ver com estas andanças — Os Domingos, de Alauda Ruiz de Azúa — foi um êxito de estima em Espanha, chegou quase aos 800 mil espectadores. 5 minutos más vai seguramente ultrapassar essa fasquia.

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