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Friday, September 11, 2026

11 de Setembro. Todos nos lembramos onde estávamos

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Hoje não se fala de outra coisa.

É verdade, é aquela pergunta que toda a gente vai fazer hoje: vocês lembram-se onde estavam no 11 de setembro?

Eu lembro-me quando soube da notícia, estava na Marginal, tinha vindo uma emissão ao vivo da RFM, eu estava na RFM nessa altura em Braga, e lembro-me de ouvir aquilo e não me fazia sentido, não estava a perceber a dimensão do que estava a acontecer. Depois quando cheguei a casa, então comecei a ver as imagens.

Eu estava nos transportes públicos, a caminho de Moscavide, para ir ter com a minha namorada na altura, que veio a ser a minha mulher. E depois acompanhei na televisão, em direto. Não sei se se lembram, umas semanas antes, uma pequena aeronave tinha colidido com as Torres Gémeas e na altura falou-se do assunto. E então quando se voltou a falar, quando se começou a falar, tinham embatido uma aeronave.

Pensou-se: outra vez.

Outra vez. Então um Cessna, uma coisa assim.

Uma coisinha, um ultraleve.

Ninguém tinha, de facto, noção e ninguém percebeu. Acho que nós não percebemos e estávamos a ver em direto quando há o segundo embate, o embate na segunda torre, não percebemos logo o que é que-

Que era um ataque terrorista.

Que era um ataque terrorista.

Mas ainda hoje vemos as imagens e ficamos impressionados. Estávamos há pouco a falar sobre isso.

E tu, Paulo? Eu estava a almoçar no Sinal Vermelho, que é um restaurante no Bairro Alto, porque a redação do Diário Económico, onde eu estava na altura, é ali ao lado, no Largo do Carmo. Estava ali a cortar o bife e entrou um colega, o Eduardo Moura, que tinha vindo nesse momento à redação, portanto foi almoçar mais tarde e disse: "Epá, parece que houve um avião, uma coisa qualquer, que foi contra as Torres Gémeas, depois do primeiro". E eu: "Ok, sim".

Depois seguimos a nossa vida, não é?

E voltei a cortar o bife. E depois quando acabei de almoçar, acabámos, um grupo de colegas voltámos à redação, já tinha o segundo avião embatido, as televisões já estavam a dar.

Sim, não havia redes sociais como agora. Estávamos todos agarrados à televisão.

E aí percebemos que, de facto, não era um incidente, não era o tal ultraleve, o tal Cessna de que suspeitávamos.

E tu, Luís, onde é que estavas nessa altura?

Eu sou um pouquinho mais novo que vocês, ligeiramente. Ainda era estudante e estava na faculdade, no café em frente à faculdade, a estudar semiótica com uma amiga que ia fazer a segunda fase do exame, estava à janela a estudar. Não havia televisão ligada ou estava desligada, não me recordo, e ela recebeu uma chamada do pai a contar dos aviões que colidiram com as Torres Gémeas, onde eles tinham estado meses antes. Ela ficou até muito impressionada com aquilo.

Quando soubeste já tinham embatido os dois aviões.

Penso que sim. Ela ficou muito impressionada com aquilo. Eu nunca lá tinha estado na altura. Depois, entretanto, claro, deixámos o estudo, fomos cada um pra sua casa, fomos ver pra televisão, enfim, e fomos acompanhar. Mas a verdade é que há quem não tenha bem a certeza onde é que estava no 11 de setembro. É o caso de Donald Trump.

Ah, exatamente.

Não sabe bem onde é que estava no 11 de setembro. Há várias versões sobre o que estava a fazer o atual presidente quando aconteceram os atentados. Nestes 25 anos, Donald Trump já falou várias vezes sobre esse dia, com a CNN e o New York Times a darem conta de alegações não verificadas e que parecem ir aproximando cada vez mais o atual presidente do Ground Zero, da zona de impacto. Inicialmente, estava um pouquinho mais longe, mas parece que afinal estava um pouquinho mais perto. Esta semana, num discurso perto da Casa Branca, Donald Trump disse que foi retirado por bombeiros de um edifício em risco de colapso depois do 11 de setembro. Até descreve o momento, diz que o edifício rangia, rangia, pensaram que ia desabar, mas nunca desabou. Acrescenta também que nunca vai esquecer dois bombeiros, dois tipos grandes e fortes que o agarraram debaixo do braço e disseram: "Temos que sair daqui". E ele diz que não era preciso, era fácil fazer, ele é grande, então conseguia sair sozinho, mas que eles foram incríveis. Esta foi a história contada esta semana, mas na realidade, segundo a CNN, Donald Trump não se encontrava perto das Torres Gémeas no 11 de setembro, nem foi retirado daquele edifício nas mediações.

Só na imaginação dele.

O certo é que Donald Trump não especificou nesta intervenção o momento em que terá sido levado pelos bombeiros, mas tinha declarado antes que se deslocou ao Ground Zero pouco depois do ataque, deixando no ar a ideia de que tinha acontecido ali naquele dia. O certo é que Trump estaria na Trump Tower, em Manhattan, a pelo menos sete quilómetros de distância, quando o ataque aconteceu. De resto, há um vídeo que está a circular também na internet, uma chamada telefónica dele a uma televisão no próprio dia, pouco tempo depois, a contar precisamente que viu através da janela o ataque e que ficou muito preocupado e impressionado com o que estava a passar. E de resto, também um antigo executivo da Trump Organization referiu, em 2016, que Trump não fez nada de especial nesse dia.

Oh, diabo! Como assim nada de especial?

Nada de especial. O que é possível verificar, e que de resto o líder da Casa Branca já partilhou na própria rede social, é que há um vídeo no qual é entrevistado, já dois dias depois, pela NBC News, nas imediações do epicentro dos ataques terroristas, e terá sido nessa altura, então, que ele lá esteve. Trump revelou também nas redes sociais que levou uma equipa de operários de construção para o local, estava a construir um grande edifício em Nova Iorque e levou toda a equipa para lá logo a seguir. Mas o que a imprensa explica também é que se Donald Trump tivesse enviado essa equipa de 100 trabalhadores, isso estaria registado porque haveria um registro de todas as pessoas que estavam a trabalhar na resposta de emergência. Ele diz que todos trabalharam sob supervisão direta. Ele esteve lá, ele estava lá nos escombros.

Só falta dizer que foi ele que inventou o 11 de setembro.

Ora bem, exatamente. As dúvidas levantadas pela CNN e pelo New York Times já tiveram resposta clara de Donald Trump nas redes sociais. Sinalizou que não esteve no Ground Zero no mesmo dia do colapso, mas pouco tempo depois, e retor também que a presença com o grupo de trabalhadores é real e sustentou

Que essas palavras com vídeos dos meios de comunicação social divulgados nos dias seguintes ao ataque, garante que tudo o que disse foi absolutamente exato e para provar isso, anexou vídeos neste post na rede social que detém. Termina também a dizer que os índices de aprovação dele estão altíssimos, algo que é também contrariado por um estudo realizado pelo Financial Times, que indicou no domingo que a queda dos níveis de aprovação de Donald Trump estão no valor mínimo de 33% entre os americanos.

Mas agora vamos ser honestos, alguma vez apanharam o homem a mentir?

Nunca.

O que é que ele viria a fazer desta vez?

O que é que seria agora, não é? Ainda por cima por um tema tão delicado.

Deixa-me só chamar a atenção aqui também para vários documentários que têm sido feitos ao longo destes anos todos. Este ano também há mais documentários, estamos a assinalar os 25 anos. A Netflix tem um da série "Turning Point", sobre a geração do 11 de setembro. Fala com pessoas que eram muito jovens na altura, eram crianças, algumas filhas de vítimas do 11 de setembro. Perceber também como é que reagiram e foram vivendo com essa realidade, ter perdido um dos pais, um dos familiares pelo 11 de setembro, qual a ligação com a tragédia. E também um documentário muito interessante que está disponível na Disney+ e que foi exibido na National Geographic em três episódios e que conta o reencontro de pessoas que ficaram unidas pela tragédia, porque se conheceram e cruzaram naquele dia. Uma história impressionante, logo no primeiro episódio, de três homens que se conheceram no elevador da torre que foi atingida em primeiro lugar. É uma história verdadeiramente impressionante, porque dois dos homens já estavam no elevador e há um terceiro homem, que era alguém da limpeza, que limpava os vidros da torre, que entra no último momento. Ele até usa aquela vara de limpeza para parar as portas do elevador e poder entrar, mesmo no último momento. Então eles estão a subir quando há o ataque, o elevador fica preso no piso 105 e depois cai para o piso 50. E eles ficam presos, abrem as portas, mas tem uma parede. E o que é que ele utiliza a lâmina do instrumento de limpeza para escavar e eles conseguem partir a parede, e aquilo vai dar a uma casa de banho de uma das torres, e conseguem sair os três, e cinco minutos depois a torre desaba. É uma história muito impressionante, eu recomendo que vejam esse documentário. Depois há o reencontro desses três homens. É uma história extraordinária, uma das muitas histórias extraordinárias que aconteceram no meio da tragédia.

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