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Friday, November 6, 2026

Viagem de Leão XIV pela América Latina visa superar polarizações sociais e promover reconciliação, diz Vaticano

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Nesta sexta-feira (6), Leão XIV deixa o Vaticano rumo à América Latina. Na sede da Igreja Católica, o que se sente é que a longa viagem desperta apreensão pela resistência física do papa e pelos encontros políticos que o esperam. A primeira tem números impressionantes. Leão XIV, aos 71 anos, vai percorrer 31 mil km, enfrentar doze voos, dois deslocamentos de helicóptero e mais de 50 compromissos.

Nos Andes peruanos, vai chegar a quase 3,4 mil metros de altitude. Tudo isso menos de um mês depois da cirurgia que retirou um lobo do pulmão direito, atingido por um tumor maligno. O Vaticano afirma que o papa tenista está em condições de levar ao mundo a mensagem de uma Igreja que, a partir de Francisco, voltou a falar em opção preferencial pelos pobres. Uma visão que nem sempre encontra eco entre os governantes.

Na Argentina, vai encontrar Javier Milei, que insultou Francisco, o acusou de comunista, depois se reconciliou. Mas a Igreja ainda critica os efeitos da austeridade do governo Milei sobre os mais vulneráveis. Entre os argentinos, expectativa e saudade se misturam. Francisco nunca voltou ao seu país nos 12 anos de pontificado. Será Leão XIV a fazer a visita tão esperada do papa Bergoglio.

Viagem de Leão XIV pela América Latina visa superar polarizações sociais e promover reconciliação, diz Vaticano — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Antes, porém, vai enfrentar a nação mais secularizada da América Latina. No Uruguai, só um em cada três habitantes se declara católico. Desde 1919, o Natal é oficialmente chamado de Dia da Família e a Semana Santa, de Semana do Turismo. Alguns parlamentares queriam iluminar o Congresso com as cores do Vaticano. Proposta contestada em nome do Estado laico.

Enfim, o Peru. Para Leão XIV, é voltar para casa. Viveu ali mais de 20 anos. Em Chiclayo, onde foi bispo, reencontrará a comunidade que saudou na noite em que foi eleito papa. Também vai reencontrar a família Fujimori no poder. A presidente Keiko é filha de Alberto Fujimori. Nos anos 1990, segundo biógrafos, Robert Prevost apoiou mobilizações contra as violações dos direitos humanos do regime Fujimori.

Cobranças dentro da própria Igreja estão previstas no Peru. Vítimas de abusos do Sodalício de Vida Cristã, grupo dissolvido pelo Vaticano, ainda pedem justiça. Na Argentina, uma organização de vítimas de abusos sexuais negou um encontro com o papa Leão e denunciou o encobrimento dos crimes pela Igreja.

Leão XIV parte como chefe de um Estado minúsculo, mas com uma influência que vai muito além do Vaticano. Na América Latina, cada vez mais distante das tradições religiosas, vai tentar mostrar o poder da sua voz.

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