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Sunday, September 20, 2026

De frituras à cerveja: dieta é associada à piora da atenção em grupo com risco de Alzheimer

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Uma alimentação rica em carnes vermelhas e processadas, salgadinhos, pizza, doces, grãos refinados e cerveja foi associada a um declínio mais rápido da atenção em pessoas com uma variante genética ligada ao Alzheimer.

A associação foi encontrada em um estudo de pesquisadores da Universidade Murdoch e da Alzheimer's Research Australia. O trabalho acompanhou 185 idosos de Perth, na Austrália, por mais de sete anos e foi publicado na revista científica Nutrients.

Os resultados indicam que a relação entre alimentação e saúde cerebral pode variar de acordo com características genéticas. O efeito observado ocorreu entre portadores do alelo APOE ε4, considerado o fator de risco genético comum mais forte para a doença de Alzheimer.

Estudo acompanhou idosos por mais de sete anos

Nenhum dos participantes apresentava diagnóstico de demência quando entrou no estudo. Todos foram avaliados para identificar fatores de suscetibilidade genética, incluindo a presença do APOE ε4.

Ao longo do acompanhamento, os voluntários realizaram testes para medir atenção, memória, função executiva, linguagem, memória de reconhecimento e capacidade cognitiva geral.

Os pesquisadores também analisaram os alimentos consumidos regularmente e identificaram dois principais padrões de alimentação. A chamada dieta ocidental incluía maior consumo de carnes vermelhas e processadas, salgadinhos, pizza, doces, grãos refinados e cerveja. Já o padrão classificado como prudente reunia alimentos como frutas, legumes, verduras, alho e grãos integrais.

Dieta ocidental foi associada a perda mais rápida de atenção

Entre os participantes que carregavam o APOE ε4, uma maior adesão ao padrão alimentar ocidental foi associada a um declínio mais rápido da atenção ao longo dos anos. O resultado é mais específico do que uma piora geral da capacidade cognitiva.

No entanto, o material não indica que esse padrão alimentar tenha sido relacionado de forma relevante a todas as funções avaliadas. Entre as pessoas que não carregavam o alelo, os pesquisadores também não encontraram associação significativa entre a dieta ocidental e o declínio cognitivo.

O que é o APOE ε4?

A apolipoproteína E (APOE) foi um dos fatores genéticos analisados pelos pesquisadores. Uma de suas variantes, conhecida como APOE ε4, é considerada o fator de risco genético comum mais forte para Alzheimer.

Ter essa variante, entretanto, não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá a doença. No estudo, ela foi utilizada para investigar se a relação entre os padrões alimentares e as mudanças cognitivas poderia variar conforme a suscetibilidade genética.

Os resultados apontaram justamente essa diferença: a associação entre maior adesão à dieta ocidental e perda mais rápida de atenção apareceu entre os portadores do APOE ε4.

Dieta saudável não apresentou associação significativa

O estudo também avaliou o padrão alimentar considerado prudente, caracterizado pelo consumo de frutas, legumes, verduras, alho e grãos integrais.

Para os autores, os achados indicam que a relação entre alimentação, genética e envelhecimento cerebral pode ser mais complexa do que considerar determinados alimentos isoladamente.

Além disso, a pesquisa é observacional. Portanto, os resultados mostram uma associação, mas não permitem concluir que a dieta ocidental tenha provocado a perda mais rápida de atenção nos participantes com APOE ε4. Também não é possível usar os achados, isoladamente, para estabelecer recomendações alimentares específicas para pessoas com essa variante genética.

Segundo Carolina Blagojevic Castro, principal autora do estudo, serão necessárias novas pesquisas antes que os resultados possam ser transformados em orientações nutricionais baseadas no risco genético.

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