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Friday, September 11, 2026

Gigante dos androides, que vale US$ 39 bi, está contratando em São Paulo

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A Figure AI, uma das startups mais valiosas do mundo em robótica humanoide, abriu vagas no Brasil.

A empresa americana, avaliada em US$ 39 bilhões, tem posições para auxiliar a coleta de dados para robótica, e o CEO Brett Adcock compartilhou recentemente, em publicação no LinkedIn, uma imagem que mostra o Brasil em destaque dentro do mapa de expansão dos esforços de coleta de dados do mundo real da companhia, insumo essencial para treinar os robôs.

As vagas ofertadas são de "Data Collection" e "Data Operations e Coordenations", além de uma posição para o braço financeiro, segundo apuração de EXAME. As descrições reforçam o foco em captura de movimento e coleta de dados sensoriais, sem necessariamente abrir escritório físico no país.

Fundada em 2022 por Brett Adcock, que antes criou o marketplace de recrutamento Vettery e a fabricante de aeronaves elétricas Archer Aviation, a Figure é hoje apontada como a startup de robótica humanoide mais bem capitalizada do mundo, com quase US$ 2 bilhões captados ao todo.

O salto mais recente veio em setembro de 2025: uma rodada Série C de mais de US$ 1 bilhão elevou o valuation da empresa para US$ 39 bilhões, 15 vezes o valor da rodada anterior, feita apenas 19 meses antes, com investidores como Brookfield, Nvidia, Salesforce, Qualcomm, T-Mobile, LG, Macquarie e Intel Capital.

No início deste mês, a empresa recebeu mais um aporte relevante: US$ 3,5 bilhões da Nscale, num acordo que envolve participação acionária e é voltado especificamente a suprir a demanda computacional de treinar um robô físico, um tipo de treinamento bem mais caro e complexo do que treinar um modelo de linguagem, porque exige simulação constante de movimento, física e interação com objetos reais.

É essa mesma empresa por trás do vídeo de uma demonstração ao vivo de um robô Figure que passou 9 dias trabalhando sem supervisão humana, separando pacotes num galpão de logística — transmissão que passou de 10 milhões de visualizações. Uma unidade do androide Figure 03 também apareceu num evento na Casa Branca, dando à empresa uma visibilidade pública incomum para uma startup ainda a anos da produção em massa.

O robô atual da linha, o Figure 03, foi lançado em outubro de 2025 como um redesenho completo em torno do modelo de inteligência artificial da empresa, batizado Helix, cuja versão mais recente, o Helix 02, já permite que dois robôs coordenem tarefas simultaneamente, arquitetura pensada para ambientes industriais onde throughput de múltiplos robôs importa mais que a velocidade de um único aparelho. O Figure 03 foi eleito uma das melhores invenções de 2025 pela revista Time.

Da fábrica-piloto à fábrica de verdade

A produção acontece na BotQ, planta própria de manufatura da empresa, inaugurada em março de 2025. Em abril deste ano, a Figure informou ter saído do ritmo de um robô por dia para um robô por hora em menos de 120 dias, meta declarada é produzir 12 mil unidades por ano, dentro de um plano de chegar a 100 mil robôs entregues até 2029.

Até abril, a empresa havia entregue mais de 350 unidades do Figure 03, com clientes que incluem a BMW (piloto industrial com a geração anterior, o Figure 02, hoje descontinuada) e, segundo reportagens do setor, a UPS como segunda grande cliente comercial.

A empresa também deixou de lado um contrato com OpenAI, optando por desenvolver IA proprietária internamente, um movimento estratégico, mas que também a deixou sem o suporte de um dos laboratórios mais avançados do mundo.

O que a chegada ao Brasil pode significar

Coleta de dados do mundo real é o insumo mais escasso e mais estratégico para qualquer empresa de robótica humanoide, é o que ensina o modelo Helix a entender como um corpo humano se move, manipula objetos e reage a ambientes imprevisíveis.

Se a Figure está de fato expandindo esse esforço para o Brasil, como sugere a movimentação, o país pode se tornar um dos pontos de captação desse tipo de dado fora dos Estados Unidos, um sinal de que a empresa está pensando em escala internacional bem antes de qualquer robô físico chegar ao mercado brasileiro para uso comercial.

View the original on Exame

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