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Saturday, November 7, 2026

Crise do Ueno freia procura de brasileiros por negócios no Paraguai, diz Câmara de Comércio

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Curitiba e São Paulo A crise do Ueno Bank freou o interesse de empresários brasileiros em abrir negócios no Paraguai após um aumento na procura por esse tipo de investimento diante da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai.

A entidade registrou uma procura tão intensa por orientação jurídica e contábil na semana seguinte às eleições brasileiras que faltaram horários na agenda de seus consultores para atender interessados em abrir empresas no país vizinho.

Com a intervenção no banco paraguaio, porém, parte dos empresários decidiu esperar antes de avançar com os projetos.

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"Foi uma semana bem intensa. E recebemos a notícia com balde de água fria nesta última semana, de que muitos empresários já estão meio receosos de ir para lá", afirma Jeancarlos Araldi, vice-presidente financeiro da Câmara.

Fachada da sede do Ueno Bank com telhado curvo em tom terracota e grande janela de vidro. Placa com nome 'ueno bank' em letras brancas está entre plantas verdes na frente do prédio. Céu parcialmente nublado ao fundo.
Agência do Ueno fecha as portas em Assunção, Paraguai - Cesar Olmedo - 5.nov.26/Reuters

O Banco Central do Paraguai submeteu o Ueno Bank a um procedimento de resolução na terça-feira (3), após a identificação de problemas em sua situação financeira e de fraude envolvendo o Grupo Vázquez —controlador do banco. A medida suspendeu as operações da instituição e deu início ao processo de transferência e pagamento de depósitos a clientes.

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A Câmara recebeu dúvidas de brasileiros que mantinham dinheiro no banco, mas Araldi afirma que, entre os associados atendidos pela entidade, a maior parte dos clientes afetados era de pessoas físicas, não de empresas.

Segundo ele, o Ueno era utilizado por brasileiros, especialmente em negócios nas regiões de fronteira, e por paraguaios que recebiam salários e movimentavam valores menores. "É muito difícil uma empresa ter uma conta nele, são mais pessoas físicas", diz.

A entidade montou uma equipe com economistas e advogados para atender associados e outros brasileiros com dúvidas sobre a movimentação dos recursos. Segundo Araldi, algumas empresas já começaram a receber valores retidos em outras instituições financeiras paraguaias, mas a Câmara não tem um levantamento do total de clientes atendidos.

IMPACTO LIMITADO

O movimento de procura por negócios no Paraguai também foi percebido por Luiz Fernando Nóbrega, presidente do Instituto Paulista de Contabilidade. Ele levou contadores e empresários ao país na semana anterior à crise do Ueno, em uma visita para conhecer o ambiente de negócios e as oportunidades de investimento.

Nóbrega afirma que empresários que já consideravam abrir operações no país decidiram adiar os planos após o episódio. "Muitas pessoas que eu conheço que estariam já dispostas a começar a pensar com mais seriedade pisaram no freio, o que é natural", diz.

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O contador avalia que o impacto sobre empresas brasileiras já instaladas no Paraguai tende a ser limitado, embora fornecedores locais possam enfrentar dificuldades se tiverem dinheiro retido no banco.

Uma empresa que exporta a maior parte da produção, por exemplo, pode sofrer efeitos indiretos caso um fornecedor paraguaio não consiga acessar os recursos necessários para entregar mercadorias. "Tem um impacto, mas ele não é tão relevante", afirma.

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Nóbrega diz que as empresas visitadas pelo instituto na viagem não demonstraram arrependimento de ter levado parte da operação para o Paraguai. Ele atribui o interesse aos incentivos tributários, aos custos de produção e à proximidade com o Brasil.

"Logo o Paraguai vai voltar a ser uma opção bem forte para ser considerada", afirma.

Um dos atrativos é a Lei de Maquila, voltada a empresas que industrializam produtos no Paraguai para exportação. O país também oferece incentivos à importação de máquinas e equipamentos utilizados na produção. A decisão de instalar uma operação, porém, exige avaliar custos logísticos e a distância dos clientes.

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"Quando a empresa começa a entender a soma desses benefícios, ela tem uma possibilidade bem bacana de uma economia tributária", afirma.

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A fabricante de meias Lupo, que abriu em junho de 2025 sua primeira fábrica no exterior, em Ciudad del Este, afirmou que suas atividades no Paraguai seguem normalmente e não foram afetadas pela crise do Ueno.

A companhia informou que não mantém relacionamento bancário com o Ueno Bank e que realiza suas operações financeiras no país por meio de outro banco, sem relação com o caso.

A unidade paraguaia recebeu investimento de R$ 30 milhões e tem capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano. Na ocasião da inauguração, a empresa afirmou que os custos de produção no país eram pelo menos 28% menores do que no Brasil.

INSTITUIÇÕES SÃO FORTES, DIZ HANG

Dono da Havan, o empresário Luciano Hang avalia que o escândalo envolvendo o presidente Santiago Peña não alterou sua opinião sobre o Paraguai.

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Hang integra o movimento de empresários de direita que passaram os últimos meses defendendo a expansão dos negócios para o país vizinho em busca de "liberdade econômica e conservadorismo nos costumes".

Em nota nesta sexta-feira (6), Hang disse que a cobertura da imprensa sobre o escândalo é "ideologicamente enviesada", e que o pedido de renúncia de Peña mostra que as instituições do país são fortes e a democracia funciona.

"Não existe lugar no mundo onde não aconteçam escândalos, seja em um município, estado ou país. O importante é que tudo seja esclarecido e os culpados sejam punidos. Até agora, as instituições estão funcionando corretamente. Simples assim", disse Hang.

Dois homens estão lado a lado em ambiente interno, sorrindo para a câmera. O homem à esquerda veste jaqueta verde-oliva, calça bege e sapatos marrons. O homem à direita usa jaqueta verde, calça amarela e tênis coloridos. Ao fundo, há uma grande fotografia do Palácio San Martín com a bandeira da Argentina no topo.
O empresário e dono da Lojas Havan, Luciano Hang (dir.) e o presidente do Paraguai Santiago Peña (esq.) durante encontro em 2026 - Divulgação/Havan

O empresário conheceu Peña em visita ao Paraguai neste ano e disse que segue em busca de um local para abrir a primeira unidade da Havan no país.

"Estamos procurando um lugar para investir, construir nossa megaloja, gerar empregos e levar a Havan aos paraguaios. Seguimos trabalhando para que esse projeto se torne realidade", afirmou Hang.

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