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Tuesday, October 6, 2026

Filho de ex-ginasta, brasileiro de 16 anos vira líder do ranking mundial cadete na esgrima

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Marcus Pinto, líder de ranking mundial cadete, fala sobre seu início na esgrima

Marcus Pinto, líder de ranking mundial cadete, fala sobre seu início na esgrima

Ele assumiu a liderança da classificação cadete (para atletas com até 17 anos) no último dia 28, após conquistar a medalha de ouro na etapa de Bogotá da Copa do Mundo. Marcus ocupava a terceira colocação e subiu duas posições, ultrapassando o campeão mundial Aiden Tse. Apesar da empolgação de atingir o topo do ranking, o brasileiro acredita que a posição na categoria é uma etapa de um objetivo maior.

— Faz tempo que eu estava top 3, top 5 pelo cadete. O nível cadete é muito mais fácil que o juvenil. Os cadetes ainda estão experimentando, quando chega no juvenil as pessoas começam a ficar sério o esporte, então fica muito mais difícil. Eu estou contente de ser top 1 do cadete, mas eu não vou ser top 1 do mundo até eu ser top 1 do sênior, então preciso praticar mais ainda — disse Marcus Pinto em entrevista ao ge.globo.

Marcus Pinto com os dois ouros e um bronze conquistados na Copa do Mundo de Bogotá — Foto: Divulgação/CBE

Em sua última temporada como cadete, Marcus tornou-se o primeiro brasileiro a atingir o feito na categoria. O primeiro ranking mundial para atletas sub-17 foi divulgado apenas na temporada 2024/2025, mas atualmente reúne mais de 160 atletas no sabre masculino. No ranking juvenil, para competidores de até 20 anos, Marcus ocupa a quinta colocação.

Despontando como uma promessa da esgrima brasileira, Marcus também já disputou diversas competições adultas, incluindo etapas de Copa do Mundo e os Mundiais de 2025 e 2026. Atualmente, ele aparece na 348ª posição do ranking sênior. Segundo o brasileiro, essa experiência contra atletas mais velhos tem feito parte de sua formação e integra o ciclo comum da modalidade.

— Na esgrima, é muito comum jogar nas categorias mais velhas. As pessoas fazem desde o começo. Desde que a gente tem 12 anos, pratica jogando com os mais velhos para, quando chegar na nossa categoria, ser fácil comparado a isso. Eu tenho experiência já jogando até com os adultos. Já fui a Copa do Mundo adulta, e é muito legal aquelas competições. Dá para ver os nossos ídolos — explicou.

Marcus Pinto em ação no Campeonato Mundial Adulto de esgrima — Foto: Zsolt Nekifor/Bizzi Team/CBE

— As Olimpíadas de 2032 é o meu objetivo a longo prazo. Mas uma coisa mais segura agora vai ser o Mundial de 2027, porque vai ser o meu último ano na categoria cadete. Eu vou tentar medalhar ou ganhar. Esse vai ser o meu torneio agora, vou estar com um monte de pressão — disse Marcus. — Eu vou estar nas Olimpíadas. Vou tentar até 2028, vou tentar 2032. Eu não vou parar até chegar nas Olimpíadas — completou.

Equipe brasileira de sabre no Mundial Júnior e Cadete de 2026 — Foto: Luca Pagliaricci/Bizzi Team/FIE

Marcus é apenas um dos representantes da promissora geração do sabre brasileiro. Além dele, Vince Liu ocupa a quarta colocação do ranking mundial juvenil masculino. Entre as mulheres, Ana Beatriz Fraga é a terceira colocada da lista, enquanto Camila Vieira é a décima colocada. Tanto a equipe masculina quanto a equipe feminina foram medalhistas de ouro na Copa do Mundo de Bogotá.

O começo na esgrima

Promessa da esgrima, Marcus Pinto explica influência da mãe ex-ginasta em sua carreira

Promessa da esgrima, Marcus Pinto explica influência da mãe ex-ginasta em sua carreira

Filho de pais brasileiros, Marcus Pinto nasceu em Nova York, nos Estados Unidos, e atualmente mora em Connecticut. Sua mãe, Bibiana Pinto, foi medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Havana-1991 e disputou dois Mundiais pela seleção brasileira de ginástica rítmica. Depois de não conseguir a classificação para os Jogos Olímpicos de Barcelona-1992, ela se aposentou.

Atualmente, Bibiana é professora em uma academia de ginástica rítmica nos Estados Unidos. A ex-atleta também treina a própria filha, Amanda Pinto, de 14 anos, que vem se destacando nas categorias de base da modalidade.

Marcus e sua mãe, Bibiana Pinto, ex-ginasta da seleção brasileira de conjunto — Foto: Acervo pessoal

Desde cedo, Marcus também foi incentivado pela mãe a praticar esportes. Tentou futebol, basquete e tênis antes de encontrar a esgrima. O primeiro contato com a modalidade aconteceu depois que ele viu o desenho "Miraculous: As Aventuras de Ladybug", que sua irmã estava assistindo. Antes da pandemia, teve uma primeira experiência com a esgrima, mas foi em 2020 que passou a treinar de forma mais consistente. Até hoje, faz parte da academia do vice-campeão olímpico Tim Morehouse.

— Demorou muito (para pegar o jeito). Eu nem gostava de esgrima para começar. Eu gostava da ideia, mas teve um período que parei um pouco. Fui tentar em outro clube, voltei para o Tim Morehouse, que é o que eu treino agora. No começo, foi difícil para acostumar. Mas nos últimos dois anos, passei a adorar. Adoro a prática, ir para o clube é maior alívio da vida — explicou.

Marcus, seus pais e o treinador Giovanni Sirovich no Mundial Cadete e Juvenil de 2026 — Foto: Acervo pessoal

Apesar de ter passado a infância nos Estados Unidos, Marcus sempre manteve uma ligação próxima com o Brasil. Ele viajava com frequência para Porto Alegre para visitar os familiares. Foi durante uma dessas viagens que sua trajetória na esgrima ganhou um novo capítulo.

Em 2021, Marcus queria continuar treinando durante uma passagem pelo país e procurou o Grêmio Náutico União. Durante a estadia, foi convidado para disputar uma competição no Brasil. Meses depois, venceu a prova em sua categoria e, a partir dali, passou a competir pelo país.

— Um ano depois que comecei a fazer esgrima, eu fui passear pelo Brasil e não queria parar de praticar. Eu fui ao Grêmio Náutico União, que era o clube da minha mãe, e eles tinham esgrima, então fui praticar só para não esquecer. Antes de eu voltar para os Estados Unidos, eles falaram que teria uma competição em alguns meses que eles poderiam me inscrever. E eu ganhei aquele campeonato na minha categoria e comecei a competir mais — lembrou.

Marcus Pinto com a medalha de ouro em disputa nacional pelo Grêmio Náutico União — Foto: Divulgação/CBE

Hoje, Marcus treina cinco dias por semana e faz preparação física em dois deles. Ele viaja cerca de seis vezes por ano ao Brasil para competir. Como estuda à distância, consegue conciliar a rotina de treinos e competições com a escola, independentemente de onde esteja. Fora da esgrima, gosta de desenhar e jogar videogames, tanto no computador quanto no celular.

Conselhos da mãe

Segundo Marcus, a experiência da mãe como atleta de alto rendimento também influencia diretamente sua carreira. A ex-ginasta acompanha de perto os filhos e dá conselhos sobre treinamento, competição e os desafios de seguir no esporte. Para Marcus, ter em casa alguém que viveu uma carreira esportiva de alto nível é uma vantagem importante.

— Ajuda muito ter alguém na família que sabe. Sem a minha mãe, acho que a gente não ia estar fazendo esporte do alto nível como agora. Ela conhece o que precisa para ser uma atleta boa, é muito importante. Essas mães dos Estados Unidos botam as crianças no voleibol, que seja da escola, e elas acham que eles são de alto nível, mas eles não estão fazendo nada. É muito importante ter uma mãe que sabe o quão difícil é ser uma atleta de alto nível — contou.

Marcus, os pais e a irmã — Foto: Acervo pessoal

— Ela sempre quer que a gente fique contente. Tem que estar querendo e gostando da prática. Nós temos que querer praticar. Se você só está indo para aula, isso não vai te ajudar. Você tem que chegar lá porque quer. Ela já falou muito sobre como quase conseguiu as Olimpíadas e agora ela está passando pra nós, que eu e a minha irmã vamos conseguir chegar lá. Tem um monte de história legal que ela conta das viagens dela, do suporte dela. E isso ajuda para saber o que fazer — completou.

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